Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

96ª Sessão Ordinária - 22/10/2009

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sra. deputada, pessoas, lideranças políticas do PDT e de outros partidos que nos acompanham nesta sessão, telespectadores da TVAL, temos acompanhado pela imprensa uma situação no estado de Santa Catarina com relação ao Besc, o ex-Banco do Estado de Santa Catarina. Temos acompanhado não só pela imprensa, como pessoalmente em algumas regiões do estado essa situação. E por onde temos andado temos recebido muitos questionamentos e captado bastante ansiedade das comunidades. Inclusive, foi comunicado, nesta semana, pelo Banco do Brasil o fechamento de 68 agências do Besc no estado de Santa Catarina, sendo seis delas na Grande Florianópolis, cinco no meio-oeste, dez no norte do estado, nove no sul do estado, seis na serra catarinense, sete no extremo oeste, 13 no oeste do estado e 12 no vale do Itajaí.

Deputado Joares Ponticelli, as seguintes cidades terão agências do Besc fechadas: Agrolândia e Ascurra, no médio vale; Ilhota, já quase na foz do Itajaí; Pouso Redondo, no alto vale, sua cidade natal; Presidente Getúlio, no alto vale; Rio do Campo e Rio do Oeste, no alto vale; Rodeio, no médio vale; Salete, no alto vale; Santa Cecília, já é na serra; Trombudo Central, no alto vale; e Vidal Ramos, no alto vale. Escapou a minha cidade natal, Imbuia, porque o Banco do Brasil que havia lá já fora fechado pelo governo Collor.

Srs. parlamentares, temos que refletir essa situação, deputado Joares Ponticelli. E tenho escutado, desde o ano passado, a discussão e a suposta polêmica nesta Casa, talvez uma polêmica de superfície, com relação a esse assunto. É evidente que achamos mais importante o Besc ser incorporado pelo Banco do Brasil do que ser comprado por um banco privado ou vendido diretamente, como aconteceu em outros estados com os bancos estaduais. Mas nós não podemos deixar de admitir que o Besc deixou de existir, porque senão estaremos vendendo uma leitura da realidade diversa daquilo que é.

Havia a proposta, há dois anos ou mais, do Sindicato dos Bancários de manter o Besc como um banco pertencente ao Banco do Brasil, mas como uma agência ímpar, inclusive para expandi-lo para além do estado de Santa Catarina. Essa era a proposta dos bancários lá trás. Mas o que foi aprovado foi a absorção do Besc pelo Banco do Brasil, e o Besc deixou de existir.

Talvez essa realidade ainda não esteja sendo sentida completamente, porque as fachadas persistem com a plaquinha do Besc, mas isso é temporário, é por cinco anos. Dentro de três anos e pouco ninguém mais vai encontrar aquela fachada, aquela plaquinha escrita Besc - Banco do Estado de Santa Catarina.

Em todas as regiões onde estivemos nos últimos 15 dias as pessoas falaram sobre esse assunto, ou seja, que o Besc deixará de existir. Os diretores do Banco do Brasil alegam que vai melhorar o atendimento nas agências do banco, que nenhum trabalhador vai ter qualquer prejuízo, pelo contrário, até se acena com a possibilidade de promoção. Eles argumentam que havia duas agências nessas cidades, uma do Besc e uma do Banco do Brasil, que agora haverá apenas uma do Banco do Brasil, mas o atendimento vai melhorar e a fila vai diminuir.

Olha, com todo respeito aos gestores do Banco do Brasil, vamos ter que ver para crer porque a população que está na fila do Besc ou na fila do Banco do Brasil vai acreditar que agora vai ter um só banco e que vai acabar a fila? Papai Noel é só em dezembro!

E não estamos falando isso para criticar o banco público, muito pelo contrário, até porque sabemos que os bancos privados são piores em termos de fila do que os bancos públicos. Mas como defensor do serviço público, como defensor da empresa catarinense Besc, nós temos que admitir que o Besc deixou de existir e parar de tentar colocar panos quentes. Temos que aceitar que o Besc foi absorvido pelo Banco do Brasil e que daqui a três anos e pouco ninguém encontrará mais no estado de Santa Catarina a plaquinha do Besc.

Sem falar que lá atrás obrigaram todos os correntistas do Besc a fazer um recadastramento, porque o Banco do Brasil não acreditava nas informações do Besc. E os clientes, como eu, é que passaram pelo constrangimento de ter que convencer o Banco do Brasil que existiam de verdade, de que tinham conta, de que eram pessoas físicas. Também as pessoas jurídicas, as empresas, tiveram que convencer o Banco do Brasil de que existiam. Quase tivemos que colocar o dedo lá para dizer: sou eu mesmo.

Então, tudo isso foi criado e a população, evidentemente, sentiu esse trauma. Mas temos que falar a verdade da forma como ela é, bem como estar ao lado da população para buscar garantir que tanto os bancos privados, quanto os bancos públicos, deem o exemplo e respeitem mais os clientes, respeitem mais a sociedade e, principalmente, cobrem taxas menores, porque também há bastante nos bancos em geral. Isso tudo temos que debater aqui e falar a realidade tal qual ela é para a nossa população.

O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Concedo-lhe, com muita satisfação, um aparte, deputado Joares Ponticelli.

O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Deputado Sargento Amauri Soares, também quero cumprimentá-lo pela preocupação e pelo assunto que v.exa. traz, pois na região de Tubarão também esse assunto repercutiu muito nesta semana, porque são nove agências que foram fechadas e, na minha avaliação, na primeira leva. V.Exa. tem razão: não é o que foi dito na época, não! Foi dito que a marca Besc seria preservada, que é a marca dos catarinenses, e nós estamos vendo que há uma pressa de nem esperar os cinco anos.

Eu não consegui receber o meu cartão do recadastramento ainda. E veja que sou correntista do Besc há 22 anos, desde que cheguei a Tubarão. Estou aqui há 11 anos, mas mantive a minha conta lá, porque foi a minha primeira conta bancária, e eu a mantive porque era no banco dos catarinenses.

Eu me recordo, deputado Sargento Amauri Soares, quando tivemos que federalizar o banco. Ele seria fechado e liquidado em 29 de junho de 1999. O liquidante já estava morando aqui no estado, quando nos sobrou somente a alternativa de federalizar. Mas foi mantida a marca Besc, o gerenciamento próprio, e isso foi assegurado durante o processo de compra. E não é o que estamos vendo.

O meu temor é que essa seja a primeira leva só. Em Tubarão, por exemplo, nós temos quatro agências: duas do Besc e duas do Banco do Brasil. Eu já tenho dito lá para eles que duvido que sejam preservadas, porque cada vez mais o que se vê é o banqueiro querendo o cliente fora do banco, ele quer que o cliente vá para a maquininha, quanto menos contato físico o banqueiro tiver com o cliente, melhor. Ele quer apenas o contato eletrônico, quer o cliente cada vez mais fora da agência. Por isso o tratamento que é dispensado.

Cumprimento v.exa. e sou favorável para que se debata mais esse assunto para evitar que outras agências venham a ser fechadas.

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado pelo seu aparte, deputado Joares Ponticelli.

E essa é a realidade. Nós temos que falar e que nos preocupar com isso porque, infelizmente, não tínhamos coisa melhor para dizer às pessoas que vinham falar sobre o assunto. A tendência é que desapareça o Besc! Vão deixar cada vez menos agências funcionando e fazer com que as pessoas sejam atendidas pela internet! E não será nem na máquina, porque daí eles têm que prestar assistência. Será na sua própria casa.

Então, temos que continuar fazendo esse debate e o banco público tem que estar lá onde o público precisa do seu serviço.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)