38ª Sessão Ordinária - 12/05/2009
O SR. DEPUTADO CESAR SOUZA JÚNIOR - Sr. presidente e srs. deputados, o que me traz à tribuna, hoje, é um tema que é de conhecimento de todos, mas que começa, em Santa Catarina, a tomar proporções de epidemia, não poupando nem os pequenos municípios, que é o consumo do crack.
As drogas em geral nos preocupam, mas um dado em especial chamou a minha atenção nesta semana, ao ver que 60% das internações pagas pelo SUS em relação a tratamento de dependentes químicos referem-se ao tratamento do crack.
O crack é uma droga que, durante muito tempo, esteve associada aos grandes centros como São Paulo, com a sua conhecida "Cracolândia", como Rio de Janeiro, que agora já convive também com uma epidemia do consumo dessa droga, mas que chegou a Santa Catarina já há muito tempo, inicialmente pelos centros maiores, como a Grande Florianópolis, Joinville e Blumenau, e agora, de maneira assustadora, chega já aos pequenos municípios rurais de Santa Catarina.
Digo isso porque os dados da Polícia Militar dão conta de que mais de 90% dos homicídios praticados, hoje, em Santa Catarina têm relação direta com o consumo e abuso de drogas. Mas em relação ao crack o problema é especial, já que essa é a droga cujo consumo mais cresce, primeiro pelo preço - é uma droga barata, de acesso fácil -; segundo por se tratar de um entorpecente com elevado potencial destruidor de vidas. Por conta disso é que é hora de Santa Catarina dar atenção especial a esse problema.
Deputado Ismael dos Santos, a prefeitura do Rio de Janeiro instituiu recentemente, através do seu novo prefeito, uma secretaria especial de combate ao crack, por identificar essa como a droga que vem destruindo o maior número de vidas e causando o maior impacto social e de violência na cidade do Rio de Janeiro. E aqui não é diferente do Rio de Janeiro, no que toca ao consumo de crack e os seus maléficos resultados sociais.
O Sr. Deputado Ismael dos Santos - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO CESAR SOUZA JÚNIOR - Ouço em aparte o deputado Ismael dos Santos, que eu sei que tem uma luta de muitos anos em relação ao combate ao uso de drogas.
O Sr. Deputado Ismael dos Santos - Deputado, permita aliar-me ao seu discurso. De fato, nós precisamos, mais do que nunca, inserir o Poder Público nessa questão do combate às drogas em Santa Catarina.
Eu ouvia, recentemente, o relato, por exemplo, da delegacia regional de Blumenau. Só nessa cidade, e são dados oficiais, há cinco mil consumidores de crack. Eu multiplicaria essa quantidade por três, no mínimo, e isso em todo o estado de Santa Catarina.
Agora, eu gostaria apenas, deputado, para enriquecer o seu discurso, de dizer que a solução da problemática das drogas passa, necessariamente, por uma sintonia aproximada entre escola e família. É com esse casamento escola e família que nós vamos poder garantir um futuro melhor para as próximas gerações no combate às drogas.
Muito obrigado, deputado!
O SR. DEPUTADO CESAR SOUZA JÚNIOR - Muito obrigado, deputado Ismael dos Santos.
Não tenha dúvida! O que a Polícia faz, hoje, em Santa Catarina, com as apreensões que se sucedem, é enxugar gelo. Enquanto não tivermos uma política integrada de combate ao uso de drogas que tenha a família no papel central, não vamos chegar a lugar algum.
Mas o combate ao uso e abuso de drogas, em especial ao uso e abuso do crack, não está, hoje, no centro das políticas públicas não apenas aqui no estado, mas em nível nacional. É a grande chaga da nossa era, é o grande motor da violência urbana e também rural nesse momento, mas não se vê falar sobre esse assunto e muito menos uma ação que seja mais integrada.
Digo isso porque sei que no Hospital Infantil Joana de Gusmão há uma ala para tratamento de crianças dependentes químicas. E mais do que devido à cola de sapateiro, as crianças dependentes químicas estão lá em recuperação do crack. Nós temos crianças, deputado Ismael dos Santos, de nove, dez e onze anos que, neste momento, lá no Hospital Infantil Joana de Gusmão, estão sendo tratadas para recuperar-se do vício do crack. E assusta-me saber que municípios pequenos do interior, como Alfredo Wagner, aqui na região da Grande Florianópolis, já contam com pontos de venda do crack, já contam com filhos de agricultores que fumam crack e vão para a roça trabalhar. Ou seja, não se trata mais de um problema urbano, mas de um problema epidêmico que ataca todo o Brasil, e não é diferente em Santa Catarina.
O problema do crack merece uma atenção especial. Nós teremos, hoje, uma audiência pública em Blumenau cobrando segurança. Nós temos aqui, hoje, uma grande sensação de insegurança também na região da Grande Florianópolis. A Polícia age, o estado investe, mas é enxugar gelo enquanto não houver de fato uma reversão no número, infelizmente, crescente de dependentes químicos.
Trago isso aqui, srs. deputados, porque este Poder, como a Casa do Povo que é, tem que repercutir e ecoar os grandes problemas sociais. Eu, sinceramente, não aguento mais debater aqui no meu gabinete, na Assembleia, e ser parado nas ruas quase que diariamente por mães desesperadas que se veem absolutamente impotentes ante a destruição da vida dos seus filhos, mães que se sentem sozinhas nessa grande luta que é enfrentar o traficante e a droga.
Não adianta, meus amigos, construir milhares e milhões de cadeias; não adianta encher cada esquina com um policial sugando o motor da criminalidade, que é o crack, que é a droga, se não for combatido. Quem não estiver no centro...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)