Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco Küster

38ª Sessão Ordinária - 27/05/2004

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tenho dois assuntos para tratar, nesta manhã. Ou seja, quero dar continuidade ao debate em torno das tragédias que são as nossas estradas, o trânsito e a maluquice de algumas pessoas que enlutam seus familiares, que provocam sofrimentos, que provocam prejuízos ao Poder Público com essa maluquice.

Mas, por outro lado, temos um Poder Público, no caso o Governo Federal, porque as nossas rodovias federais estão em calamidade, tal o Estado de deterioração.

Foi anunciado, através da imprensa, que vamos ter a liberação de dois bilhões e pouco de reais para a recuperação da malha viária federal. Mas o temor que nós temos é que esse dinheiro fique com as empreiteiras e que sem uma fiscalização mais eficaz em torno da aplicação desses recursos o Governo não consiga atingir os seus objetivos e nós outros não venhamos a ter uma melhoria em nossas rodovias.

No Estado de Santa Catarina, nós temos a BR-101. Nós até poderíamos dizer que é um projeto à parte, mas essa rodovia é a prioridade das prioridades dos catarinenses.

Mas o trecho duplicado da BR-101 já apresenta problemas. Se não atender em tempo, a situação pode piorar e dificultar ainda mais a sua restauração, onerando sobremaneira os cofres públicos na sua recuperação.

Mas vamos ficar na nossa BR-282, de Florianópolis a Lages. Quem dá manutenção é o Estado, mas o Governo Federal tem que alocar recursos consideráveis, porque é imprescindível a restauração do trecho, pelo menos até Alfredo Wagner.

Está horrível, está péssimo esse trecho, Deputados Antônio Ceron e Antônio Carlos Vieira. Não transito pela rodovia SC-470, nas imediações de Indaial e Blumenau, porque está um caso muito sério. Como também por tantas outras rodovias federais.

Quero colocar aqui, uma vez mais, a necessidade de convidarmos o representante do Governo Federal, da área dos transportes, o sucedâneo do DNER, para dar explicações a respeito na Comissão de Transportes e Desenvolvimento Urbano.

Na próxima sessão, encaminharei à Mesa um requerimento a esse representando da área dos transportes, no sentido de pedir a ele que essas providências sejam tomadas, apresentando também a agenda para a aplicação desses recursos. Porque imaginamos que deva vir para Santa Catarina um volume considerável de recursos.

Se disser que não será ele que vai fiscalizar a aplicação desse dinheiro, vamos descobrir quem será, para que possamos acompanhar, pari-passu, a boa aplicação desses recursos.

O outro assunto que desejo abordar é misterioso, mas ele nos intriga muito, pois somos curiosos. É o surgimento de uma montanha de dinheiro no Banco do Brasil, de Tubarão. O que é isso? É um negócio misterioso. O valor é de 360 milhões.

Eu não saberia dizer em que veículo poderia ser possível transportar esse volume de dinheiro, mas ouso imaginar que precisaria ser em um caminhão grande, de carroceria, para com cédulas de R$ 50,00 poder transportar esse volume de dinheiro. Isso está envolto em grande mistério.

A polícia está ouvindo as pessoas, mas o volume de dinheiro é tão grande que daqui a pouco - nós temos o direito de imaginar, mas esperamos que isso não ocorra - caia no esquecimento, e o dinheiro tome um rumo ignorado.

O dono da conta diz não ser o dono do dinheiro, porque é um senhor de idade avançada, um advogado. E segundo a imprensa, ele diz que não é o dono do dinheiro e não sabe como ele foi parar na sua conta.

Isso é fruto de lavagem de dinheiro.

Por outro lado, dizem que uma instituição religiosa a que está vinculada não faz parte dessa congregação. Se diz dona do dinheiro, e o contador misterioso e outros... Enfim, são tantas histórias desencontradas que o melhor destino para esse dinheiro, Deputado Genésio Goulart, seria o Poder Público, a Justiça brasileira confiscá-lo e destiná-lo às obras sociais, porque é um volume muito grande.

Se persistirem os depoimentos, a imprensa dizendo que há contradição, e a coisa não evoluir, o tempo vai passar e esse dinheiro vai tomar um rumo ignorado, poderá até sair do País, e aí os seus "donos" vão rir da cara do povo catarinense e vão fazer chacota da imprensa, que ousou trazer a público, denunciando esse volume de dinheiro sem dono ou de donos misteriosos, de origem muito duvidosa.

Portanto, seria importante que não perdêssemos de vista o andar desta carruagem e não perdêssemos de vista também a destinação desse dinheiro. Sentimos a imprensa um tanto quanto desmotivada nas suas investigações. A imprensa também ousa investigar.

Aqui diz que um presidente do sindicato, sem cobrar honorários de um cliente dono de uma montanha de dinheiro, R$ 360 milhões, fazendo um ato de caridade, de extrema generosidade, foi procurar facilitar a movimentação desse dinheiro. Um advogado generoso, um líder sindical caridoso, sem cobrar absolutamente nada. O fato é que a coisa continua envolta em um grande mistério. Poderiam dizer o seguinte: Mas Küster, o que é que você tem a ver com isso? Muita coisa! Esse dinheiro foi sorrateado de algum canto e deve ser, então, aplicado em boas ações, desde que a Justiça venha a agir, confiscando esse dinheiro.

O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Pois não!

O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Deputado Francisco Küster, realmente o seu pronunciamento a respeito desse dinheiro na agência do Banco do Brasil em Tubarão é muito interessante. E sabe por que é interessante? Está todo mundo preocupado em saber quem é que quer sacar. Mas eu tenho uma preocupação diferente. Quero saber quem depositou e de onde é que veio!

O Banco do Brasil até agora não se dignou a dizer de que conta saiu esse dinheiro, de que cheque saiu o dinheiro para fazer esse depósito, esse certificado de depósito. Isso é o que me preocupa, Deputado Francisco Küster.

Eu acho que a Assembléia Legislativa pode até fazer um pedido de CPI ou seja lá o que for, ou fazer uma apuração externa, no sentido de saber a origem real desses R$ 360 milhões. De onde vieram? Caíram do céu? Foi São Tomé que caiu e trouxe a mala cheia de dinheiro e depositou na conta de um advogado? Tem origem, e queremos descobrir a origem, Deputado Francisco Küster, e não quem quer colocar a mão no dinheiro. Precisamos saber de onde veio o dinheiro.

Muito obrigado!

O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Agradeço o aparte de V.Exa.

Sr. Presidente, gostaria de, respeitosamente, dirigir-me a V.Exa., para que a Assembléia Legislativa acompanhasse o caso, através da Comissão de Constituição e Justiça, pois não temos, evidentemente, o poder de interferir diretamente nas investigações. Que acompanhasse mais de perto esta situação, porque é um negócio misterioso e um volume muito grande de dinheiro.

Estaríamos cumprindo o nosso papel, se a Comissão de Constituição e Justiça acompanhasse essas tratativas.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)