95ª Sessão Ordinária - 01/12/2005
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. presidente, sras. e srs. deputados, não costumo fazer o que vou fazer nesta oportunidade, mas recebi de Joinville uma missiva simples e o assunto focalizado é de extrema importância.
O sr. Nazedir Dias de Avíz é operário de uma fábrica no município de Joinville, uma fábrica que passou a atravessar dificuldades de ordem financeira e gerencial. Uns 150 trabalhadores, uns 150 operários dessa fábrica, segundo relato do missivista, estão preocupados com o futuro da empresa e evidentemente com seus empregos, afinal de contas são 150 famílias que vivem do que ganham dessa fábrica. Eles estão preocupados porque os donos da empresa jogaram a toalha. Aí foi convidado para gerenciar essa empresa um cidadão conhecido como Bispo, que prometeu aportar recursos para tirar a empresa das dificuldades. Mas, segundo relato do missivista, essa pessoa e mais alguns que o acompanharam para gerenciar a empresa cuidaram de dilapidar o restante dos recursos que a empresa tinha, que já eram muito poucos.
Diante disso, esse operário e mais os outros 149 companheiros de trabalho resolveram fazer uma proposta para assumir a fábrica, para tocar a fábrica. A preocupação deles era evitar mais uma falência e preservar os seus empregos.
Srs. deputados, o que me sensibilizou foi o esforço, a luta encetada para salvar uma empresa e para salvar e assegurar os seus empregos, o emprego desses trabalhadores.
Eles continuam encontrando dificuldades, porque é evidente que esse capataz que foi conduzido recentemente, apelidado de Bispo, foi à Justiça para buscar uma espécie de reintegração, sr. presidente. E parece-me que os ventos em nível de Judiciário estão favoráveis a essa pessoa que, segundo o relato, vai enterrar de vez a fábrica, sepultar os 150 empregos e levar à falência literalmente essa empresa.
Por isso faço este registro. Estou respondendo até porque muita gente assiste à TVAL e espero que algumas autoridades que se relacionam com essa empresa se sensibilizem com o pleito desses trabalhadores.
Diz o seguinte o missivista:
(Passa a ler)
"Sr. deputado, meu nome é Nazedir Dias de Avíz. Tenho 41 anos e quase oito anos de empresa.
É em relação a emprego e desemprego que resolvi lhe escrever, pois trabalho em uma empresa de Joinville, a Profiplast, situada na rua Ottokar Doerfel, bairro Atiradores, n° 1.187.
A empresa teve como antigos administradores Luís e Anselmo Batschawer. E até hoje estamos sofrendo pela má administração. O FGTS não foi depositado, mas foi descontado em folha. Os salários são parcelados por semana.
Por sonegar impostos e outros tributos, a empresa entrou em concordata e pedido de falência. Hoje a dívida soma mais ou menos R$ 50 milhões. Não tendo outra saída, os patrões passaram para outros comandar, foi aí então que entrou João Paulo de Oliveira Mello, conhecido como Bispo, juntamente com outros representantes do Grupo CBPM - Fundação Cairós. Vieram com promessas de tirar a empresa do buraco, mas na verdade vieram tirar o restinho que ainda tínhamos. Dentro de um ano levaram mais ou menos a quantia de R$ 1 milhão e nada investiram.
Certo dia, dentro do parque fabril da Profiplast, o Bispo foi algemado e preso pela polícia do estado do Paraná, onde continua preso. Como não pode deixar o estado, nomeou outros representantes para atuar em seu lugar.
Sr. deputado, nós não queremos deixar esse pessoal entrar, porque se eles entrarem a empresa fecha, e nós queremos a garantia dos nossos empregos. Foi aí então que resolvemos eleger uma comissão de fábrica para tocar a empresa, juntamente com todos os funcionários, que por sinal está dando muito certo. E sei que vamos vencer, pois temos total transparência e acompanhamos a administração. Tudo o que sai e o que entra é exposto no mural. Hoje, nossos salários em dia e matéria-prima para produzir é o que nos dá motivação.
Temos uma luta na Justiça. Já fizemos passeatas, com faixas, cartazes, fomos várias vezes ao Fórum de Joinville pedir uma liminar, mas estamos temerosos que a Justiça dê reintegração de posse a esse pessoal do Bispo.
Continuamos lutando, esperamos que se sensibilize e manifeste algum tipo de apoio, bem como os demais deputados."[sic]
Portanto, é digno de registro o esforço desses 150 operários, que através de uma comissão de fábrica assumem uma empresa evitando a sua falência e salvando os empregos. Esperamos que as autoridades que estão acompanhando esta sessão, nesta manhã, também se sensibilizem com a luta desses trabalhadores.
Vou enviar cópia da missiva a algumas autoridades, vou responder a essa carta, mas entendi a importância de fazer este registro. Serão 150 empregos que deixarão de ser preservados nessa empresa, se for dado o direito de reintegração de posse a essas pessoas que querem apenas dilapidar a empresa.
Fica aqui o registro.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)