19ª Sessão Extraordinária - 17/08/2005
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. Presidente, Deputado Padre Pedro Baldissera, e srs. Deputados, primeiramente quero registrar, nesta Casa, a presença do sr. Adriano Zanotto, Presidente da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil - secção de Santa Catarina, que esteve reunido com a Presidência para tratar de um congresso importante que os advogados farão aqui em nosso estado, no mês de setembro.
Mas, sr. Presidente e Deputado João Henrique Blasi, a triste verdade é que ter sucesso ou estar em evidência para muita gente desperta mais suspeita do que admiração. Faço esse preâmbulo, sr. Presidente, para falar do nosso Brasil e também de outros assuntos.
(Passa a ler)
"A economia brasileira está crescendo de forma sustentável. A inflação é a menor em cinco anos. Também nunca exportamos tanto como no governo Lula. Foram US$ 110 bilhões nos últimos 12 meses, num desempenho sem parâmetro no passado. E o que é mais importante: nos últimos 30 meses foram criados 3.135.000 empregos com carteira assinada. Já na área social, são 7 milhões de famílias que têm garantido, Deputado Sérgio Godinho, o acesso a uma renda mínima, através do Programa Bolsa Família. Até o final deste ano, 8.700.000 lares serão beneficiados pelo programa. É inegável o sucesso da economia brasileira, alardeado também nos meios de comunicação.
Portanto, o que estamos vivendo é uma crise política. Não queremos aqui, sr. Presidente, srs. Deputados e telespectadores, eximir os responsáveis pelo que estamos diariamente tomando conhecimento na imprensa. Mas não podemos calar diante do grande jogo da hipocrisia que se estabeleceu com essa companha contra o Partido dos Trabalhadores e contra nossa liderança maior, Deputado Afrânio Boppré, que é o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
É lamentável a forma como a grande imprensa divulga os fatos, fazendo a opinião pública crer que o epicentro desta crise é obra do Partido dos Trabalhadores. Estamos vivendo, sim, Deputados, a ditadura, não uma ditadura militar, mas a ditadura da mídia. Nunca foi feita tanta pesquisa, Deputado Pedro Baldissera, para ver se o Presidente Lula caía nas pesquisas, para ver como é que era a averiguação do governo dele. E, por incrível que pareça, o povo brasileiro ainda acredita no governo do Presidente Lula.
Mas, infelizmente, srs. Deputados, o negativo é sempre notícia, e o positivo, como eu dizia antes, quase nunca. Estamos vendo diariamente o PFL, através do neto do Senador Antônio Carlos Magalhães, apontar o dedo em riste contra os petistas, a quem atribui a invenção da corrupção.
Sras. Deputadas e srs. Deputados, a corrupção, sim, é um mal endêmico que devemos todos extirpar do nosso meio. Agora, não podemos admitir que o homem que é neto do coronelismo nordestino, daquele que violou o sigilo do placar eletrônico do Senado e que renunciou para fugir da cassação, venha falar em ética na política. E também que esses que fazem parte da direita inconformada com a ascensão dos trabalhadores ao poder, queiram atribuir crimes que o PT não cometeu.
Estamos, sim, diante de um escândalo que envolve caixa dois em campanhas eleitorais. Mas é bom lembrar que esse mesmo crime o PSDB já admitiu, o PTB cometeu através do Deputado Roberto Jefferson, que agora de bandido virou herói (só no Brasil) e outros tantos Parlamentares já cometeram. É bom lembrar que o PP está sendo responsabilizado, assim como o PL, o PFL, o PMDB e todos os demais partidos.
Essa prática, sras. Deputadas e srs. Deputados, demonstra que precisamos urgentemente fazer a reforma política. E eu também quero defender alguns posicionamentos, Deputado Francisco Küster, já para as próximas eleições. O PT não vai naufragar, pois continua sendo o partido que canaliza a esperança dos pobres. Somos um partido que em 30 meses de governo - apenas 30 meses, sras. Deputadas e srs. Deputados - criou 12 vezes mais empregos do que a média dos anos 90 do governo Fernando Henrique. O nosso governo orquestrou a retomada dos investimentos na indústria nacional, que tem projetos de 20 bilhões de dólares prontos ou já entrando em operação neste ano. Portanto mesmo abalados, não estamos cegos.
A campanha de reeleição de Fernando Henrique Cardoso até hoje é considerada a mais cara da história brasileira. E mais: toda a imprensa nacional, sras. Deputadas e srs. Deputados, denunciou a compra de votos para a reeleição de FHC. Inclusive, o próprio Fernando Henrique, em entrevista concedida ontem, a uma emissora de televisão, admitiu ter ouvido falar. Foram ‘ruídos’, segundo definição do próprio Fernando Henrique Cardoso. Mas ruídos que fazem dele um omisso por não ter mandado investigar se houve compra ou não de deputados para aprovar a sua reeleição.
É importante também indagar ao atual Senador, então Deputado federal, Leonel Pavan, na ocasião filiado ao PDT, como foi o episódio, pois, segundo consta, rendeu R$ 200 mil cada voto para aprovar a reeleição. Isso é muito grave!
Também, senhoras e senhores, precisamos buscar no passado explicação para o inexplicável posicionamento do PFL, do Senador Jorge Bornhausen, que ficou conhecido no estado de Santa Catarina e também no Brasil. Na história das campanhas eleitorais, quem não lembra como o homem da mala - assim o Senador Jorge Bornhausen era conhecido - apoiou o governo Collor, depois de ter sido a sustentação do regime militar, através da Arena, da ditadura que nos anos obscuros perseguiu e matou aqueles que, como nós, Deputados Pedro Baldissera e Afrânio Boppré, do PT, defendiam a democracia e a liberdade.
Estão também nos devendo explicação sobre o famoso caso, Deputado Antônio Carlos Vieira, da agência de publicidade Artplan Prime, que se os senhores não sabem, pertence à sra. Fernanda Bornhausen e ao sr. Ricardo D. Bornhausen, filha e sobrinho, respectivamente, do Senador Bornhausen. Numa verdadeira farra com o dinheiro público, a Artplan Prime foi escolhida, sem licitação, para a montagem do pavilhão brasileiro na Feira Mundial de Hannover, em 2000, ao custo de R$ 17 milhões. Uma realização que teve Paulo Henrique, filho de FHC, como supervisor da ‘obra’.
Sobre a Artplan Prime, da filha e do sobrinho Bornhausen, devemos lembrar ainda que, além de ganharem a polpuda conta da Embratur no pavilhão de Hannover, também foi a agência do INSS, conquistada em 1996, quando o Ministro da Previdência era Reinhold Stephanes, também pefelista e amigo do Senador Bornhausen.
Por isso, sr. Presidente, quero deixar bem claro aqui que o PT pode ter cometido erros, mas não queiram manchar o nosso partido com atos individuais e irresponsáveis.
O PT vai, sim, retomar a sua luta.
A tentativa golpista das elites - e são as elites, sim - começa a ser abortada com a manifestação da sociedade, que está saindo da letargia.
Ontem, em Brasília, houve a manifestação dos estudantes caras-pintadas, que no passado pediam a saída de Collor. Ontem, foram às ruas, sr. Presidente, apoiar o governo do Presidente Lula e criticar a política neoliberal de FHC. Lula desperta esse sentimento porque é povo, é gente e tem uma trajetória que ninguém vai apagar da memória do povo brasileiro.
A história do PT faz a diferença.
Somos diferentes, ao contrário de líderes do PSDB e do PFL, que, numa aliança nociva, tentam preparar caminho para a sucessão no próximo ano e, pateticamente, buscam na figura ressuscitada de FHC a personificação da seriedade, como se pudesse FHC ser o salvador da pátria. Convenhamos, o povo não é bobo e essas manobras estão sendo notadas pela sociedade organizada.
Não queiram aproveitar a comoção nacional com a tentativa de afogar o PT na enxurrada desse esgoto destampado. Ah, isso não vamos aceitar, porque temos trabalho e resultado para mostrar à sociedade. Não somos maus exemplos, como querem fazer parecer.
Como bem diz Frei Betto, até Jesus teve Judas entre os doze Apóstolos"...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Baldissera) (Faz soar a campainha) - V.Exa. tem mais 30 segundos para concluir seu pensamento.
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Peço desculpas aos Deputados Antônio Carlos Vieira e Sérgio Godinho por não conceder aparte, mas fiquei muito tempo esperando por este pronunciamento.
(Continua lendo)
"O PT é fruto de 26 anos de luta. E querer dizer que somos farinha do mesmo saco, denota uma sanha repulsiva.
Como bem compara Frei Betto, nem mesmo os recentes casos de pedofilia obscurecem a história da Igreja Católica, não vão apagar a imagem dos grandes mártires da nossa igreja, assim como não vão manchar a honra de companheiros e do partido.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)