Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

74ª Sessão Ordinária - 10/07/2014

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, público que nos acompanha pela TVAL e aqui presente nesta manhã de quinta-feira, de fato na cidade de Imbuia há bastante descendentes de alemães. Aliás, os primeiros colonizadores foram alemães que chegaram lá subindo o vale. Mas depois ela foi composta também por italianos; por gente que desceu da serra via Bom Retiro, atravessou Alfredo Wagner e subiu por Chapadão da Imbuia; e por gente que foi daqui, a partir de Palhoça e Angelina, e chegou até Imbuia.

Então, a cidade de Imbuia é composta por um povo universal. Ela é formada por serranos, lageanos, descendentes de alemães e italianos e também açorianos, que, do litoral, subiram para compor Imbuia. Por isso, o povo da nossa cidade é universal.

Mas creio que a origem da minha família tem um pouco de um tudo, como se diria por lá. E se tem um pouco de português, pelo sobrenome, já fomos embora na primeira fase; se tem um pouco de espanhol, Soares, também já fomos embora na primeira fase; se tem um pouco de Italiano, idem, fomos embora na primeira fase - e dizem que tem um pouco de italiano também.

Mas, no nosso "caboclês", sofremos mesmo, de verdade, no último jogo, numa derrota que, para ser franco, ainda dói. Quando se pensa bem, ainda dói!

No domingo, creio que vou torcer por um bom jogo de futebol, para a bola, para que não haja nenhuma tragédia a mais e para que saia tudo bem. E vou parabenizar, evidentemente, o vencedor.

Mas quero falar, hoje, de outra taça. E recorro à revista Carta Capital, edição n. 805, que fala da taça de assassinatos. O título de uma extensa matéria é: "A taça de assassinatos é nossa", que traz os números das estatísticas de 2012, portanto de há um ano e meio atrás. E o Brasil, em termos absolutos, é o país do mundo onde, em 2012, mais pessoas foram assassinadas. Repito, em termos absolutos.

Eu até leio os números de assassinatos em 2012 em alguns países: no Brasil, 56.337 pessoas; na Índia, 43.355 pessoas; na Nigéria, 33.817 pessoas; no México, 26.037; no Congo, 18.586 pessoas; na África do Sul, 16.259 pessoas; na Venezuela, 16.072 pessoas; nos Estados Unidos, 14.827 pessoas; na Colômbia, 14.070 pessoas; e no Paquistão, 13.846 pessoas. Isso em termos absolutos.

Quero repetir, no ano de 2012, em termos absolutos, o país do mundo onde houve mais assassinatos foi no Brasil. Com seus 200 milhões de habitantes, o Brasil teve 56.337 assassinatos.

Em números relativos, ou seja, em termos proporcionais ao tamanho da população, ficamos em 12º em todo o mundo, com 29 mortes por grupos de 100 mil habitantes, esse é o número. Essa é a baliza que os estatísticos do setor, que os estudiosos do setor da criminalidade usam para medir a violência no mundo todo, que é quantos assassinatos com grupos de 100 mil habitantes. No Brasil, em 2012, foram 29 mil assassinatos.

Então, quem mora numa cidade com 100 mil habitantes ou mais, já pode calcular quantas pessoas foram mortas na sua cidade, ou teriam sido mortas se o número da sua cidade fosse igual à média brasileira.

A própria revista traz a evolução desse processo, do crescimento do número de assassinatos na década de 1990 e na primeira década desse século, ou seja, de 2001 a 2010.

Afirma também que nos últimos dez anos estão estabilizados os números. Isso é fato, mas está estabilizada lá em cima, como a própria revista lamenta. Estão estabilizados nas alturas.

Em alguns anos, da década de 80 até a década de 90 houve um crescimento espantoso em termos percentuais e depois está crescendo numa velocidade menor, mas continua crescendo. Embora parasse de crescer naqueles índices absurdos, continua crescendo, o que faz do Brasil o país com os maiores números absolutos de homicídios.

Morre mais gente por ano no Brasil do que morreu nas guerras do Iraque e do Afeganistão. Morre de violência, de assassinato, de homicídio. Apenas falando de homicídio, não estamos falando de mortes por doenças ou acidentes no trânsito, mas de homicídios, dos assassinatos. Foram aquelas guerras da década passada que tive a infelicidade de ver e de acompanhar quase que ao vivo, por um canal a cabo, no dia em que os Estados Unidos, atacaram Bagdá, capital do Iraque, com toneladas de bombas jogadas no centro de uma cidade e ainda diziam, queriam convencer, e até parece que convenceram a maioria da humanidade de que aquelas bombas eram cirúrgicas, elas acertavam alvos específicos, militares. Foram toneladas de bombas jogadas no centro de uma cidade, mas mesmo nessa condição, com aquele bombardeio inteiro sobre Bagdá e sobre as outras cidades, o Brasil ainda tem o número de homicídios maior do que o número de pessoas que morreram naquela guerra.

A revista traz também um pouco dessa reflexão, do discurso do que a revista denomina como de direita, e está correto denominar assim. O discurso da direita, a tese da direita é de que bandido bom é bandido morto. E aí, justifica a autofagia entre os pobres e, justifica, inclusive, que o próprio estado participe disso, de uma forma ou de outra, puxando gatilho ou fazendo o que um comandante da década passada dizia, um comandante aqui da capital: "Cercamos o morro e vai diminuir a demanda para o uso das drogas. Eles vão brigar lá em cima até se matar". Palavras durante uma entrevista numa rádio de grande circulação num momento em que o governo do estado, à época, estava fazendo o maior esforço para tentar camuflar o número de homicídios na capital e na Grande Florianópolis, em 2002. O Esperidião Amin, governador e candidato a reeleição, fazia um esforço enorme para aparecer muito o crescimento e o salto que a violência estava dando em Santa Catarina e na Grande Florianópolis naquele tempo, e um comandante, à época, que depois foi comandante-geral no outro governo, fazia o oposto. Para agradar o governo, e para agradar a sociedade ele dizia: "Estamos cercando a entrada dos morros e a classe média não vai poder ir lá em cima comprar drogas. Com isso, vai diminuir a demanda lá e os bandidos vão se matar entre eles." Olha só a lucidez e genialidade no combate à violência por parte de uma autoridade no setor.

Estou falando de coisas de 14 anos, 12 anos atrás.

Hoje em dia já não existe mais isso no nosso estado, pelo menos é o que a gente defende e trabalha. Dito de forma escrachada, como foi dito na época, a gente não vê.

Mas também tem o discurso, que poderíamos chamar de esquerda, que essas pessoas são vítimas da sociedade e que, portanto, precisamos discutir alternativas de assistência social.

Eu acho que as duas teses estão erradas, com todo respeito, evidentemente, a assistência social que precisa ser fortalecida no nosso país e na nossa sociedade, porque não tem também.

Com todo respeito, acho até que se resolve o problema da violência e prevenção contra a violência investindo em educação em tempo integral, em assistência social, em emprego, trabalho, dignidade humana, cultura, esporte e lazer. Não está enfocada a tese de que por serem uma vítima da sociedade essas pessoas precisem de mais uma chance, porque eles matam e a próxima chance pode ser mais um homicídio, como, aliás, muitas vezes o é.

Então, precisamos continuar debatendo esse assunto, inclusive sobre os homicídios na sociedade brasileira e catarinense.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)