Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Ronaldo Benedet

38ª Sessão Ordinária - 04/05/1999

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, farei hoje um pronunciamento para os meus filhos, meus netos e para nós, e quero que fique registrado nos Anais desta Casa a minha preocupação com a paz no planeta Terra.

(Passa a ler)

"O assunto que me traz à tribuna pode parecer distante dos catarinenses, mas só é distante geograficamente, pois trata-se de um problema da humanidade e, portanto, de todos nós.

Venho a esta tribuna expressar a minha consternação, espanto e indignação com o que está ocorrendo na Iugoslávia.

Assistimos, nesse último ano do milênio, as nações mais ricas do chamado Primeiro Mundo rasgarem os compromissos de paz com a Organização das Nações Unidas e lançarem seu sofisticado braço armado contra um país, bombardeando cidades, matando civis, sob a alegação de que evitam uma limpeza étnica.

Pelos tratados internacionais civilizados, a única entidade com poderes de mediar o conflito entre as nações da Iugoslávia seria a ONU.

Os ataques desastrados da Otan, justificados pelo argumento de que estariam impedindo um genocídio, apressaram o êxodo de albaneses e o recrudescimento dos combates.

Erraram os estrategistas da Otan. Se havia oposição interna à política de Milosevic, as bombas uniram os iugoslavos em torno do seu governante e do seu país, agredido pela prepotência das mais poderosas nações do mundo.

Sr. Presidente e Srs. Deputados, não nos cabe a análise dos detalhes, mas, como seres humanos, como políticos representantes dos nossos concidadãos, também não nos serve o papel de meros espectadores do show tecnológico de bombas caindo sobre a cabeça de um povo, como se fosse mais um espetáculo produzido nos estúdios de cinema.

Aqueles bombardeios, aquelas explosões que vemos nos telejornais estão matando pessoas, destruindo cidades em nome de quê?

A humanidade tem que manifestar seu repúdio àqueles que, em nome da paz, lançam bombas e se autoproclamam polícias do mundo, bombardeando, bloqueando, sufocando nações que são indefesas contra o poderoso poderio bélico.

Assistimos ao descumprimento de cartas e acordos que, aparentemente, nos haviam colocado num patamar civilizatório mais elevado após os grandes conflitos mundiais deste século, um século com a lamentável estatística de ser o período em que mais vidas humanas foram sacrificadas em guerra.

Jean Paul Sartre não perdoou a incoerência do poeta Baudelaire, que escreveu obras-primas da poesia simbolista enquanto a França vivia os conflitos da Comuna de Paris, e a eles não fez a menor referência.

Sr. Presidente e Srs. Deputados, o que o historiador, no futuro, dirá da indiferença dos representantes dos catarinenses, quando na Europa milhões de civis têm seus direitos fundamentais desrespeitados?

Pelo sentimento humanitário, por solidariedade aos seres humanos vitimados pela violência e a intolerância, proponho que a Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina envie expediente ao Itamaraty pedindo que a representação diplomática brasileira atue com firmeza para que a mediação dos conflitos internacionais seja feita através da ONU, e não por alianças militares que sustentam a indústria bélica de nações industrializadas.

Entendo que apenas esta manifestação não trará grandes resultados, mas tenho certeza de que se em todo o País, em todo o mundo cada um levantar a voz e os meios de que dispõe para que prevaleça a paz e a justiça, um dia, que não deve estar longe, conquistaremos paz e justiça para toda a humanidade."

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)