Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Valmir Comin

43ª Sessão Ordinária - 25/05/2000

O SR. DEPUTADO VALMIR COMIN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo à tribuna neste momento, como sempre eu fiz em várias oportunidades, para defender o contexto do cenário catarinense no que se refere ao potencial energético do nosso Estado. E hoje falo sobre energia solar.

(Passa a ler)

"No dia 14 de fevereiro deste ano, acompanhando o Sr. Governador, a Diretoria da Celesc e o Comando da Polícia Militar, no ato solene de inauguração de um sistema fotovoltaico autônomo de energia elétrica na Ilha do Guará, onde se localiza o Centro de Treinamento do Grupo de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar.

Tive, então, Sr. Presidente, a oportunidade de conversar com os diretores e os técnicos sobre energia solar e eólica e de conhecer a nova realidade em geração de energia em nosso Estado e no Brasil.

Graças à competência empresarial da Celesc do nosso Estado, poucos são os catarinenses que não dispõem de energia elétrica, mas com o Programa de Governo Luz no Campo e o programa de instalação de sistemas fotovoltaicos, onde não se pode levar energia de modo convencional, teremos até o final do Governo Esperidião Amin 100% da população catarinense servida com energia elétrica.

Srs. Deputados, a geração de energia utilizando os ventos ou o sol não é mais filosofia. Deixou de ser uma fonte alternativa de energia para ser uma opção energética já viável comercialmente e é isto que a Celesc está tentando demonstrar.

Lembro, Srs. Deputados, que a energia solar deixou de ser laboratório e encontrou utilidade prática na corrida espacial, pois foram as placas fotovoltaicas que permitiram fornecer energia para o funcionamento dos satélites. Os painéis fotovoltaicos custavam aproximadamente US$80.000,00 por quilowatt na década de 60, quando teve início a corrida espacial. E hoje o custo de um quilowatt está em torno de US$5.000,00.

Esta redução substancial dos custos, de US$80.000,00 para US$5.000,00, nos permite criar uma expectativa favorável para diminuí-los, com a ampliação do mercado para próximo dos US$1.000,00 o quilowatt, ainda nesta década.

Dependendo da situação, a tecnologia fotovoltaica já favorece a aplicação dos painéis fotovoltaicos, ou seja, se para levar energia de modo convencional a um consumidor custar mais caro que instalar um sistema fotovoltaico ou quando a produção de energia fica dificultada por falta de potencial normalmente utilizado.

No Brasil, a energia solar é usada basicamente de duas formas, qual seja, para aquecimento de água, que usa painéis fototérmicos, que são aqueles que normalmente vemos em cima dos telhados das residências, e a outra usa painéis fotovoltaicos para gerar energia elétrica.

Em termos de Santa Catarina, já existem iniciativas bem sucedidas lideradas pela Celesc. Este sucesso tive a oportunidade de conhecer quando da inauguração, pelo Sr. Governador do Estado, de um sistema fotovoltaico autônomo na Ilha do Guará. Esse sistema fotovoltaico autônomo montado na Ilha do Guará converte diretamente luz do sol em energia elétrica e possui uma potência de 2 kw(quilowatt), o suficiente para fornecer energia a uma residência de porte médio.

Mesmo sendo um sistema autônomo simples, já possibilita fornecer energia a 21 lâmpadas, rádio, bomba de água, iluminação do atual trapiche e do futuro, heliporto, alojamento, cozinha, televisão 14" e uma pequena geladeira, permitindo ainda uma reserva de energia para abastecer a ilha por um período de 7 dias sem sol. Este sistema converte a corrente contínua armazenada nas baterias em corrente alternada quando passa a ser usada de modo convencional em 110/220 volts.

Faço, neste momento, um parênteses para comentar que a energia solar tem um potencial bem superior ao potencial hídrico, mas no momento ainda não é competitivo comercialmente, em termos de custo da energia gerada, com as energias de modo convencional, mas por ser o sol uma fonte praticamente inesgotável de energia primária, tem merecido a atenção e o interesse de vários Governos, dentre os quais sito o da Alemanha e dos Estados Unidos.

Estes Governos lançaram programas com metas de instalar um (1) milhão de telhados fotovoltaicos com o objetivo de alavancar a indústria fotovoltaica, criando economia de escala, e baratear o custo da geração fotovoltaica. Segundo as previsões, ter-se-á, entre os anos de 2003 e 2005, um custo de U$1.000,00 por quilowatt instalado, custo este competitivo até mesmo com os custos das usinas de hidreletricidade.

Como os recursos energéticos do Estado estarão esgotados a médio prazo (em até 10 anos), a Celesc sabiamente passou a estudar o potencial eólico e solar do Estado de Santa Catarina. E já me expressei sobre a energia eólica no mês de abril do corrente ano, contemplando aqui o estudo viabilizado por uma parceria da Celesc com a empresa alemã Wobben Wind Power - já existem sete pontos potencialmente constituídos no Estado de Santa Catarina para a implementação e a instalação de aerogeradores aeólicos no nosso Estado.

Como pesquisa aplicada montou um sistema fotovoltaico de 3Kw (quilowatt) interligada a rede, ou seja, a energia gerada é injetada diretamente em sua rede de distribuição.

A Celesc, se comparada a outras concessionárias do Brasil, está na vanguarda na aplicação da tecnologia fotovoltaica, pois enquanto outros Estados aplicam esta tecnologia em tensão contínua diretamente da bateria, a Celesc está utilizando inversores para transformar corrente contínua em corrente alternada em tensão de 110/220 volts, freqüência de 60 ciclos, para usuários utilizarem equipamentos normalmente adquiridos no comércio.

No momento, a Celesc está montando um sistema fotovoltaico pioneiro, onde uma central fotovoltaica de mais ou menos cinco (5) quilowatt funcionará em paralelo com o sistema de geração diesel na Ilha de Ratones, onde se localiza a Fortaleza de Santo Antônio de Ratones, recuperada e administrada pela UFSC.

É com satisfação, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que parabenizo o corpo técnico, os diretores, o Presidente da Celesc por este espírito arrojado, inovador de estar sempre à frente, procurando fomentar cada vez mais as pesquisas de fontes alternativas de nosso Estado."

E como já tive a oportunidade de aqui me expressar sobre a produção de energia térmica gerada a carvão, um potencial inconteste no subsolo do Sul do Estado, as reservas hídricas estão praticamente exauridas. Por isso temos que buscar alternativas para buscar a parceria com as universidades.

A Empresa Wobben Wind Power, empresa alemã, parceira nesse processo, juntamente com a Celesc, vem desenvolvendo trabalhos de pesquisas. E teremos de concreto, de fato, dentro dos próximos meses, a instalação de aerogeradores, gerando energia eólica na nossa região.

Sr. Presidente, é uma satisfação muito grande poder aqui fazer uso desta tribuna e dizer que nas próximas duas décadas, com certeza, Santa Catarina poderá produzir 50% da energia consumida neste País.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)