83ª Sessão Ordinária - 23/09/2009
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputados, srs. deputados, público que nos acompanha aqui nesta sessão, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, nós falamos ontem sobre a morte de um policial militar em serviço, na última sexta-feira, o cabo Paulo Roberto Coelho, cabo Coelho, morador de Palhoça, que trabalhou em São José, durante 29 anos, no 7º Batalhão da Polícia Militar, e ali foi morto quando faltavam apenas 11 meses para ir para reserva remunerada.
Hoje pela manhã, recebi a visita no meu gabinete de dois bombeiros, um deles já cumpriu os 30 anos de serviço, já trabalhou mais do que seria necessário para a sua aposentadoria, mas continua trabalhando. E por quê? Pode-se dizer que é por causa da remuneração, da hora extra etc., mas se ele for para reserva ele não perderá mais de R$ 200,00. Ele continua trabalhando porque gosta de ser bombeiro e porque não há outro bombeiro para trabalhar no lugar dele. Vieram do sul do estado, lá da região de Criciúma, que é a região de várias pessoas influentes na Segurança Pública do estado e do governo também, dizer que ele não pode aposentar-se porque senão o companheiro dele ficará sozinho nos momentos de socorro, de atendimento de urgência, com a ambulância dos primeiros socorros. Se um ficar doente tem que encostar a ambulância porque não há condições de trabalhar. Então, ele continua para garantir a segurança da população, e até se emociona ao falar do serviço que faz. Mas veio dizer que está penando, que está sofrendo para tentar realizar bem o serviço de segurança pública para a nossa população sem as condições mínimas necessárias.
Srs. deputados, para trabalhar numa ambulância de socorro de urgência - e quem é da área da saúde sabe disso - é preciso três pessoas, pelo menos: uma para dirigir a viatura e as outras duas para manter os sinais vitais de uma pessoa acidentada, de alguém que teve um infarto no trajeto entre o local da ocorrência e o hospital.
Entretanto, em muitos lugares do estado as ambulâncias do Corpo de Bombeiros estão trabalhando com dois. E aí fica a opção, permanece no local do trauma ou se desloca e deixa a pessoa correr o risco de morrer até o hospital.
Eles vieram falar-me disso, mas não para falar mal da instituição deles, do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, pelo contrário, até porque hoje à tarde haverá uma solenidade alusiva aos 83 anos do Bombeiro Militar de Santa Catarina, criado no dia 26 de setembro de 1926, uma instituição que merece o aplauso da população!
Contudo, é preciso dizer - já que muitos preferem não dizer, até porque não gostam de se indispor com aqueles que têm a caneta nas mãos - que é necessário, para valorizar efetivamente o Corpo de Bombeiros Militar, contratar mais efetivo.
Os dois bombeiros que estiveram no nosso gabinete, deputado Círio Vandresen, não vieram pedir uma subvenção, uma rede para o campo de futebol ou um jogo de camisa, não! Eles vieram para dizer que está difícil trabalhar apenas com dois bombeiros numa ambulância de socorro porque eles querem atender bem a população.
Então, não adianta valorizar o bombeiro apenas na hora em que o policial morre; não adianta dar discurso minutos depois de ter chamado o outro soldado de babaca, de ter dito "olha aqui seu babaca". Isso não é valorizar! Isso é sair do campo do respeito humano para o campo da demagogia! É preciso valorizar o policial e o bombeiro todos os dias porque depois de morrer não dá mais para fazer isso. É preciso valorizar antes.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)