10ª Sessão Ordinária - 03/03/2009
O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, senhores que nos assistem pela TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, o assunto que me traz à tribuna, hoje, é de suma importância, em virtude da vocação que Santa Catarina tem para o turismo. Mas isso todos os brasileiros e o mundo inteiro sabem.
Hoje, quero aprofundar um pouco mais esse tema, ainda em virtude dos dois momentos que participei na última semana, uma semana importante para Santa Catarina.
Essa crise que se avizinha poderá ter no turismo em Santa Catarina o antídoto necessário para que ela não seja tão profunda, para que ela não bata às portas dos catarinenses, para que ela não gere desemprego, como tem feito nas economias desenvolvidas, nos Estados Unidos, na Europa, no México. E agora os grandes economistas do mundo e do Brasil já começam a prever que a crise poderá chegar mais forte do que imaginávamos aqui no Brasil.
Então, o turismo em Santa Catarina, essa fonte de renda, a maior indústria e a indústria limpa, podem ser nesse sentido. E mais do que isso, é preciso, deputados Valmir Comin e Serafim Venzon, pensar no turismo de 365 dias, no turismo do ano inteiro e não apenas no turismo de verão, não apenas no turismo de temporada, mas no turismo que possa estar presente no dia-a-dia, gerando renda e emprego nos 12 meses do ano.
Esse é o motivo que me traz à tribuna na tarde de hoje. Mas para isso acontecer é preciso um pouco mais de profissionalismo, é preciso fazer com que os operadores do setor de turismo, todos aqueles que integram essa grande cadeia turística, profissionalizem-se, busquem conhecimento tecnológico, informações.
Deputado Professor Grando, por exemplo, recebemos aqui em Santa Catarina, no ano passado, o ex-presidente da Universidade de Disney, que nos trouxe alguns conceitos. E quero reverberar aqui, dentro do Parlamento, no sentido de que chegasse até os empreendedores de turismo, o seguinte: Preste atenção nos detalhes, pay attention to the details, diz em inglês. Se você quer fazer do seu negócio de turismo um negócio vencedor, que agrada o turista, que explora o turismo e não explora o turista, preste atenção nos detalhes.
O segundo conceito que ele trouxe a Santa Catarina, e que espero que se espraie por todos aqueles operadores, é o seguinte: "Os fatos podem ser negociados". As percepções não podem, deputado Moacir Sopelsa. Os fatos que acontecem podem ser negociados, mas as percepções não. E a percepção é aquilo que o turista tem de Santa Catarina quando vai embora, não quando ele está aqui. A percepção, o carinho, o sentimento e o amor que ele tem ao fazer turismo é quando ele está aqui. E quando ele vai embora, o que ele pensa do nosso estado? Como ele foi aqui recepcionado? O que ele leva de mensagem no seu coração?
E certamente os operadores do turismo, os hoteleiros, os donos de restaurantes, as empresas de entretenimento, empresas de serviço, empresas que fazem o turismo de Santa Catarina e fazem o nosso estado vencedor, precisam prestar atenção nos detalhes e saber que serão as percepções que farão com que o nosso turista retorne à nossa casa.
Estive presente, por exemplo, na inauguração do Centro de Convenções do Hotel Recanto das Águas, liderado pelo empresário Vilmar Schürmann. Um Centro de Convenções de alto nível, que presta atenção nos detalhes e faz com que tenhamos uma percepção de que lá podemos fazer bons eventos, gerar bons negócios.
Venho a esta tribuna para parabenizar o empresário Vilmar de Oliveira Schürmann e, mais do que isso, eu, que já o conheço há muito tempo, deputado Reno Caramori, posso dizer a v.exa. que existem três formas de fazer uma coisa: fazer, fazer bem feito ou fazer muito bem feito. E o empresário Vilmar de Oliveira Schürmann, com o Hotel Recanto das Águas, com todos os hotéis que tem na região de Santa Catarina, sempre optou por fazer muito bem feito.
Quero dizer também que para fazer turismo é preciso talvez entender o conceito do governo Luiz Henrique da Silveira e Leonel Pavan, que é o governo do turismo, que valoriza o turista, que valoriza os operadores de turismo. E das letras "c" que congregam o turismo, primeiro é o "c" de carinho.
Deputado Serafim Venzon, não se faz turismo se não se faz com carinho, com amor, motivação, energia. Não se faz turismo sem o "c" de comida, sem bons restaurantes, para que o nosso turista, quando estiver aqui ou até o turista interno, o catarinense, saiba, ao tomar um vinho, que tipo de vinho está tomando, que tipo de uva; que ao tomar uma cerveja lá de Blumenau, talvez conheça o tipo de cevada utilizada, o modo de fabricação. Então, é importante o "c" de comida.
O "c" de casa é outra coisa importante. O turista precisa se sentir em casa. E aí os equipamentos turísticos, como hotéis, precisam cada vez mais buscar tecnologia no atendimento, como me dizia hoje o empresário Bismarque de Paula Filho, um dos criadores da TV por assinatura no Brasil, que tanto nos possibilita estar falando sobre isso para todos os catarinenses. Ele dizia que é preciso tecnologia e informação nos hotéis para melhor abrigar os turistas.
Não se faz turismo, deputado Serafim Venzon, sem o "c" de caminho, sem estradas, para que a nossa gente possa caminhar e chegar até o destino, e não ficar presa em longas filas que às vezes fazem com que o stress aumente e que aí a qualidade turística caia.
Não se faz turismo sem o "c" de cultura. A cultura da nossa gente, os usos e costumes dos catarinenses precisam ser mostrados, valorizados, precisam fazer com que os que nos visitam sintam que somos um povo cada vez mais aculturado, que conhece as suas raízes, que conhece as suas origens.
Mais do que isso, quero pedir e conclamar Santa Catarina, o Brasil e os nossos municípios para o último conceito que Jim Cuninghmann trouxe a Santa Catarina, que é muito simples, ex-deputado Ivan Ranzolin, que nos prestigia, chama-se "tire cinco minutos por dia" para falar bem do seu país, para falar bem do seu município.
Nesta semana, estive na comemoração dos 180 anos da imigração alemã, no município de São Pedro de Alcântara, e vi na sua gente, na cultura germânica, irmã de Blumenau, o tirar cinco minutos para falar bem daquela cidade. A minha noiva foi lá e encantou-se com a questão turística do município de São Pedro de Alcântara.
Por isso, quero pedir que cada catarinense tire cinco minutos para falar do seu município, da sua cultura, da sua comida, da sua gastronomia, do seu caminho, daquilo que pode fazer com que o turista venha e, principalmente, Olimpo, você que nos visita, que volte, porque é no retorno do turista que pode residir o grande aprendizado do catarinense para poder debelar essa crise que se avizinha e que pode bater à nossa porta.
Por isso, tire cinco minutos, catarinense, para falar bem do seu município, do nosso estado e honrar a pátria.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)