43ª Sessão Ordinária - 28/05/2008
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, também quero dirigir as minhas saudações a todos que acompanham os nossos trabalhos daqui da galeria desta Casa, bem como aos ouvintes da Rádio Alesc Digital e aos telespectadores da TVAL.
A revista Veja desta semana traz um trabalho que me chamou a atenção, o Brasil que passa, assim como Santa Catarina, por uma fase de desenvolvimento; o Brasil que tem alguns aspectos que podem ser comparados, e muito bem comparados, com qualquer nação desenvolvida deste planeta, e que, por outro lado, também tem setores que merecem uma atenção especial.
A Veja apresenta como o Brasil do primeiro e do terceiro mundo. Por exemplo: se ao mesmo tempo em que temos muitas exportações e elas aumentaram muito, ainda assim passamos por uma fobia, especialmente com relação às importações e temos medo da concorrência, e isso vem dificultar o desenvolvimento do nosso parque fabril.
A produtividade da terra em Santa Catarina, por exemplo: existem regiões que são campeãs mundiais em produção de arroz. Por outro lado nós ainda temos aqui no estado e em outras regiões no país, áreas de invasão. Se nós temos aqui um sistema altamente profissionalizado, muito ágil no fisco, na cobrança de impostos - somos um dos países que mais arrecadam, hoje, impostos -, por outro lado temos a grande burocracia que, de certa maneira, desanima o nosso contribuinte e os investidores. E daí vem aquela pergunta: mas por que pagamos tantos impostos e parece que não vemos resultados?
O Brasil produz um dos melhores, se não o melhor no seu setor, aviões comerciais, o da Embraer, que compete na sua categoria com qualquer fabricante mundial. No entanto, apenas um percentual muito pequeno de brasileiros consegue usar ou tem acesso a um transporte coletivo rápido como é o avião.
Se temos as primeiras urnas eletrônicas, ao mesmo tempo temos aqui um grande clientelismo eleitoral, e muitas vezes até se questiona a veracidade dessas urnas, em alguns lugares pelo menos. Se ao mesmo tempo temos um povo empreendedor, com vontade de colocar o seu negócio, a sua fábrica, temos, simultaneamente, uma burocracia que dificulta, que retarda a vontade daqueles que querem investir. E sei também que existe, por parte dos governos, a vontade de superar essa dificuldade.
O Brasil é o que tem o maior potencial de produção de energia com metanol, e a cana-de-açúcar já é a maior fonte nacional de energia, superando, em muito, o petróleo, o carvão ou mesmo a energia elétrica.
Oportunidades são dadas a tanta gente, mas, ao mesmo tempo, existe uma concorrência desleal, e muitos sequer conseguem ter acesso ao mercado de trabalho.
A imprensa independente, que todos nós defendemos, tem agora no Congresso Nacional um projeto de lei que garante a total independência dela. Mas ao mesmo tempo temos a imprensa chapa branca que acontece em tantos locais deste país.
Há a eficiência dos bancos, mas, ao mesmo tempo, temos um dos sistemas bancários mais modernos. Em qualquer lugar do mundo que vamos, nós nos orgulhamos ainda mais do Brasil que temos. Mas, infelizmente, um grande número de brasileiros não tem acesso à modernidade. Ou ainda o país muitas vezes explora, através da modernidade, a grande ignorância que temos em todos os sentidos. Por exemplo, temos um dos sistemas bancários mais eficientes do mundo, mas, no entanto, pagamos no ano passado mais de US$ 40 bilhões, ou seja, um valor muito maior do que os investimentos feitos em forma de emendas, digamos, que a Câmara dos Deputados e o Senado fizeram em todo o Brasil.
Temos uma medicina muito desenvolvida, mas, no entanto, ainda se morre de doenças fúteis, como a dengue, a malária e tantas outras.
Eu queria destacar aqui esse belo trabalho que a Veja traz, mostrando que o Brasil passou por esse desenvolvimento, que teve seu início a partir de 1985 e passou por vários presidentes, todos fazendo inúmeras mudanças que vieram a fazer com que as reservas cambiais, que eram de US$ 50 bilhões em 1997, agora sejam de US$ 200 bilhões. As exportações, que em 1995 e 1996 eram negativas, agora são mais de US$ 40 bilhões positivas. A participação do capital externo cresceu muito, graças à confiabilidade que os investidores estrangeiros tiveram no Brasil. E o ritmo de crescimento, que era fracamente positivo, hoje passa de 4,5%, chegando quase a 5%.
E certamente o país, facilitando as exportações, acreditando mais nos nossos investidores, poderá melhorar...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)