107ª Sessão Ordinária - 23/11/2011
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. presidente, deputado Moacir Sopelsa, sras. deputadas, srs. deputados, ex-deputado Gelson Sorgato, que se encontra nesta Casa, o qual me comentou do quanto ficou emocionado, ontem, com o depoimento dos vereadores e vereadoras mirins que estavam participando do II Encontro Estadual de Câmaras Mirins. Mas a Nicole Eduarda Wanka, de Blumenau, deputado, é uma liderança nata e tenho certeza de que será a próxima deputada estadual representando a nossa cidade na Assembleia Legislativa, porque despertou nela e em todos os vereadores mirins da cidade de Blumenau o bom debate sobre política, do quão é importante discutir política, pois é através da política que vamos nortear nossas vidas.
Eu fiquei muito emocionada com o depoimento deles, de ver essa juventude preparada, preocupada, fazendo análises e dando soluções para os problemas da cidade, do estado e do nosso Brasil.
Ontem, tivemos também o privilégio de permanecer, nesta Casa, até um pouco mais tarde, deputada Odete de Jesus, para o lançamento de um livro que conta a história da enfermagem em Santa Catarina, desde o ano de 1900 até o ano de 2011, dessa categoria de profissionais que tenho a honra de pertencer e de exercer a minha função durante muitos anos, hoje com a missão de representá-los na Assembleia Legislativa. Um livro que faz o registro histórico desses profissionais anônimos que no dia a dia vivenciam a dor, o sofrimento dos pacientes em diversas unidades hospitalares e que faz o registro da saúde pública.
Eu quero dar parabéns novamente a essas duas companheiras pesquisadoras, doutoras, que são a enfermeira Mirian Borenstein e Maria Itayra Padilha, que organizou os 25 autores para a elaboração desse belíssimo exemplar histórico, que com certeza vai servir para muitos acadêmicos, muitos profissionais, para a emancipação da profissão da enfermagem, que é imprescindível à prevenção e cura da doença.
Assomo à tribuna, na manhã de hoje, srs. parlamentes e povo catarinense, também para comunicar que ontem fez três anos da maior tragédia climática vivenciada em Santa Catarina, ocorrida em novembro de 2008, que ficará na memória, por muitos e muitos anos, do povo catarinense, principalmente na memória do povo residente no médio vale do Itajaí.
É importante que não nos esqueçamos de construir um futuro com mais respeito ao meio ambiente, com mais respeito aos cidadãos e cidadãs que vivem em nosso estado.
Não basta apenas atender a emergência se não pensarmos na prevenção, e isso Blumenau tem vivido por muitos e muitos anos. Não somente Blumenau, mas o estado de Santa Catarina, com o descaso que temos ao meio ambiente. Se não cuidarmos da natureza certamente um dia ela se vingará.
Por isso que inicio esse discurso apresentando um vídeo postado pelo Márcio, através da internet, que trazem imagens que nos sensibilizam profundamente, apesar de passados três anos, mas ainda há momentos de grande tristeza na nossa região.
Passo, então, a exibição desse vídeo a partir deste momento.
(Procede-se à exibição de vídeo com imagens da grande tragédia ocorrida em Blumenau e em outros municípios em novembro de 2008.)
Infelizmente, srs. deputados, acredito que até hoje a Defesa Civil ainda não está preparada para desastres dessa natureza, porque isso tem acontecido sistematicamente.
Este ano aconteceu novamente na cidade de Blumenau, no Morro Coripós, e as pessoas não têm certeza onde irão morar, onde irão ficar. Elas estão ainda em aluguéis mantidos, vou fazer Justiça, pela prefeitura, mas por um período curto, e após esse período as pessoas não sabem para onde vão. Pessoas inclusive que têm parentes com necessidades especiais e estão desesperadas, não dormem direito, que estão em busca sempre da tranquilidade da sua família.
É isso que tem acontecido em Blumenau e região.
Então, em novembro de 2008 as chuvas atingiram cerca de 865mm, enquanto o normal para aquela época seria de 120mm. Cento e trinta e cinco homens, mulheres e crianças perderam as suas vidas na região do vale do Itajaí, pessoas que deixaram saudades para muitas famílias, e isso é irrecuperável.
Os deslizamentos somente em Blumenau deixaram desabrigadas cerca de dez mil pessoas, destruindo cinco mil residências. Ao todo foram montados abrigos em nosso estado, para 78 mil desabrigados.
A tragédia do ano de 2008, que completa três anos, chamou a atenção do Brasil, inclusive em nível internacional; inúmeras pessoas fizeram doações para o estado de Santa Catarina, a fim de atender as pessoas que estavam desesperadas naquela época; recebemos a solidariedade de todo o povo brasileiro que doou mais de R$ 36 milhões que foram utilizados para garantir a sobrevivência aos desabrigados e para adquirir terreno para a construção de casas.
Recebemos milhões de recursos do governo federal para a reconstrução do nosso estado; aprendemos que há necessidade de reestruturar os organismos da Defesa Civil municipal e estadual; aprendemos que não é possível continuar com o sistema de ocupação de áreas de risco, como as encostas de rios, e que defender o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável é, acima de tudo, defender a vida. É isso que temos que fazer como parlamentar: defender a vida!
Mas, infelizmente, também vivenciado situações que merecem reflexão e que são, acima de tudo, alvo das nossas indignações que ainda perduram.
Vimos diante da maior tragédia do estado de Santa Catarina muita incompetência e até mesmo a má fé no uso e no destino dos recursos públicos destinados à reconstrução, a exemplo do que tem acontecido ainda no município de Ilhota. Enquanto o nosso povo sofria com a perda de familiares, com a destruição de casas, das rodovias, os recursos públicos eram aplicados em obras mal feitas que acabaram caindo, num total descaso com a nossa população.
É por esse motivo, sr. presidente, que nunca irei deixar de utilizar esta tribuna para enaltecer, infelizmente, essa vergonha que ainda vem perdurando tanto no município de Blumenau...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DA ORADORA)