Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Dirceu Dresch

47ª Sessão Ordinária - 18/06/2013

O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, srs. deputados, demais colegas, todos que nos acompanham neste momento, em especial os prefeitos de vários municípios que estão aqui. Os prefeitos do Partido dos Trabalhadores que ontem estiveram no Fórum, um belo encontro, discutindo vários temas que dizem respeito à política do estado, a relação da bancada com os prefeitos, enfim, foi um grande evento articulado pelo Fórum, coordenado pelo prefeito de Pinhalzinho, Fabiano da Luz, nosso jovem prefeito do oeste catarinense que coordena o Fórum dos Prefeitos. E o Jean, que é o nosso vice-prefeito de Rio do Sul, coordena os vice-prefeitos do Partido dos Trabalhadores.

Quero dizer da satisfação em recebê-los nesta Casa.

Esse Fórum definiu uma reunião com o governo do estado, com o secretário Serpa, onde estivemos representando a bancada nessa reunião dos prefeitos sobre os recursos de R$ 500 milhões para os municípios de Santa Catarina.

Aqui acompanhei várias falas e pronunciamentos sobre esse momento que o Brasil passa, a sociedade brasileira mobilizada vai para as ruas debater diversos temas. E quero falar sobre esse momento, mas antes disso quero recuperar um pouco a história de nosso país, principalmente a juventude brasileira que está indo para as ruas um pouco mais recente do que nós, que somos vários, alguns de cabelinhos brancos, e pegamos momentos turbulentos no país, o momento do fim da ditadura militar, deputada Angela Albino.

Eu peguei uma parte do final anos 70 e início dos anos 80, quando começamos a atuar nos grandes movimentos sociais em nosso país, mas acompanhamos bastante os reflexos desse período ditatorial que o Brasil viveu e grande parte dessa juventude não viveu mais. Hoje vivemos um momento extraordinário, quando engatinhamos na perspectiva de construir um país democrático. Em outros momentos não seria possível a sociedade ir às ruas mobilizar-se, manifestar-se e protestar como está acontecendo no momento.

Outra situação que nós, brasileiros, vivemos recentemente, foram as grandes crises dos anos 90, principalmente de recessão e desemprego. Passamos por vários momentos como o desemprego de mais de 20% da população brasileira, quando também vivemos grandes movimentos sociais e, principalmente a partir de 86, 87 e 88, que foi o grito da construção da Constituição democrática.

Vivemos um momento atual importante para nosso país. Tiramos 40 milhões de brasileiros da miséria. Investimos pesadíssimo. Estamos fazendo uma revolução na educação brasileira. Estamos investindo em infraestrutura para discutir investimentos em ferrovias, rodovias, portos, aeroportos numa nova perspectiva de desenvolvimento do nosso país. O povo brasileiro vive um momento diferenciado de acesso a um conjunto de bens que antes uma grande parte da sociedade brasileira não tinha, pois estávamos construindo um Brasil para 20% dos brasileiros.

Então, esse novo momento que o Brasil vive remete a uma nova perspectiva. E a presidente Dilma Rousseff fez um pronunciamento, ontem, sobre isso, reconhecendo esse momento que a a juventude brasileira vive hoje, diferente do momento que ela viveu na sua juventude em plena ditadura militar; assim, essa nova democracia brasileira permite esses momentos.

Dizia há pouco o deputado Moacir Sopelsa que colocamos a barba de molho. De fato, essa expressão do referido deputado nos lembra que estamos num espaço transitório, nós somos transitórios, mas é um espaço importante do Legislativo brasileiro, e no caso de Santa Catarina, também passa por um profundo questionamento.

Agora, também precisamos dialogar com a sociedade brasileira, e este é um dos diálogos no qual todas as instituições estão sendo questionadas. Seja a imprensa, seja o Judiciário, seja o Legislativo, seja o Executivo, a exemplo da Câmara federal no dia de ontem.

Está sendo questionada esta lógica da estrutura brasileira da população mais pobre não ter acesso à Justiça, a demora de milhares e milhares de processos parados no Judiciário brasileiro as pessoas esperando e as leis que não avançam. As grandes mudanças que país precisa não avançam. E aqui quero citar algumas delas.

Um dos grandes limites que temos é a reforma política, que é um dos grandes motivos do financiamento privado de campanha, da corrupção no processo de obras públicas e em outros setores de nosso país.

A reforma tributária, a reforma agrária e tantas outras mudanças que o povo espera e que, infelizmente, não andam.

As Instituições estão paradas ou muito devagar, porque a burocracia impede as políticas públicas de chegarem até a população.

Este é momento que o nosso país vive, de questionamento acerca das obras públicas, da corrupção, ou seja, um conjunto de práticas que ainda estão presentes no país, muitas ainda resultado de um período de ditadura que este país viveu no qual as políticas públicas eram dirigidas a 20, 30% da população. O restante da sociedade ficava à margem do acesso à educação, à saúde, ao crédito do setor das microempresas e da agricultura familiar e assim por diante.

Quero reconhecer essa mobilização, até porque temos o mesmo pensamento, deputado Sargento Amauri Soares, de que a sociedade brasileira precisa se organizar, precisa atuar, a sociedade brasileira, através da democracia, tem que exigir participação, tem que ir para a rua, sim, se sente que as coisas não estão andando.

Então, é nesta perspectiva que reconhecemos esta luta, reconhecemos esse momento importante que o nosso país vive.

Com certeza nós, políticos, precisamos fazer de tudo para que este mundo que se vive nas instituições, especialmente públicas, não seja um mundo irreal, um mundo diferente que o povo vive lá fora. Lá fora a sociedade vive num outro mundo de falta de acesso, falta de comunicação, falta de condições de dignidade e de respeito.

É isso que sempre questionamos nesta tribuna como, por exemplo, a questão das aposentadorias irreais, os penduricalhos em salários e assim por diante, e nas mais diversas áreas do serviço público pelo nosso país afora.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)