73ª Sessão Ordinária - 09/07/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, público que nos acompanha nesta tarde. Quer dizer, o homem que não é bom na gestão, não gestiona, congestiona, inclusive a fila do Fundam, porque manda um monte de papel para ganhar mais prazo.
V.Exa. até nos dá a ideia de verificar o que ocorreu naquelas cidades em que buscamos fazer uma contribuição. Na minha cidade natal fui acusado de não ter levado nenhuma lajota, como se a tarefa do deputado fosse levar lajota. Mas vou olhar como está o andamento desses projetos. V.Exa. dá uma excelente ideia.
Queria, no entanto, falar da derrota da Seleção Brasileira na tarde de ontem. Acho talvez emocionalmente necessário que falemos. Acho que o assunto Copa do Mundo não deveria ter nada a ver com eleição e partido político. E não tem mesmo, porque a Seleção Brasileira já tem 100 anos de história, já passamos por governos dos mais diversos tipos. Já passamos por governos horríveis. Se tivermos que analisar a Seleção, as derrotas e as vitórias, à luz dos partidos que governaram, a rigor do ponto de vista moral, teríamos que devolver a taça da Copa de 70, porque foi um período horroroso do ponto de vista da história do país.
Não creio que alguém esteja defendendo que devolvamos a taça Jules Rimet, que, aliás, alguém roubou de dentro da CBF, por ser de ouro. E, aliás, os brasileiros que não tinham nada a ver com a ditadura, com as torturas, com a perseguição, os brasileiros patriotas, que gostam de futebol em sua maioria, evidentemente, torceram pela Seleção em 1970.
Eu não tive essa oportunidade, porque tinha apenas quatro anos, vivia no interior cidade de Imbuia e não acompanhei essa Copa do Mundo. Acompanhei a minha primeira Copa pela TV gerada por bateria, preto e branco, porque onde morava não tinha energia elétrica, em 78. E o Brasil disputou o terceiro lugar, a regra era diferente, teve muito empate e coube ao Brasil disputar o terceiro lugar com a Itália, na Copa da Argentina, em 1978. A Argentina foi campeã em cima da Holanda no dia seguinte, pela regra que também levou àquela situação. O Brasil não foi campeão, ficou em terceiro lugar sem ter nenhuma derrota. Em 82, eu já tinha 15 anos, era adolescente, vascaíno convicto, consciente, padeci muito com a derrota. Não assisti na minha casa, porque ainda não tinha energia elétrica, mas fui ao centro da cidade de Imbuia acompanhar pela TV, já gerada por energia elétrica. Naquela noite eu não dormi. Tinha 15 anos, agricultor, porque o Brasil foi derrotado por 3x2 para a Seleção da Itália, na Copa do Mundo de 1982. Eu falo que não tem nada a ver com a política e não deve ter nada a ver, porque acho que o sentimento do povo brasileiro, - e não quero parecer piegas, talvez os setores mais intelectualizados digam que o deputado vai falar tal coisa - e o envolvimento com o futebol e com a seleção de forma especial está além disso, muito alem da política, dos partidos, especialmente, dos governos. É uma coisa que deve estar separada na minha avaliação. Acho legítimas as críticas que foram feitas com relação aos gastos da Copa, com relação de a Fifa vir mandar aqui, e manda mesmo. Aqui virou a república soberana da Fifa, na hora de definir algumas leis, acho legítimas essas críticas. Mas o futebol e a seleção estão acima disso. Eu, como garoto pobre da cidade de Imbuia, consegui sentir naquela oportunidade o que uma multidão, milhões de jovens e adolescentes brasileiros sentiram no dia de ontem. E, com quase 50 anos, fiquei estarrecido no sofá, travado, até depois de terminar o jogo, no dia de ontem. Então, imagino o menino que começa a torcer nessa fase, que vê a sua primeira Copa com a compreensão do que é o futebol, dos oito anos aos 12 anos, define o clube que vai torcer, gosta de futebol, mas existe aquela rivalidade, não pode considerar seu clube absoluto porque existem os outros times, e quando chega a Copa do Mundo é tudo por um time só. Então, cria aquela sensação de invencibilidade, aquela sensação de um time que está acima de todos os outros clubes, de todas as outras paixões por agremiações, por times. Cria aquela sensação de invencibilidade. Agora estamos todos juntos! Agora, vamos vencer e não tem nenhuma seleção do mundo que possa derrotar a nossa. Mesmo jogando mal, tínhamos esperança, porque o Brasil jogou pior do que o Chile nas oitavas de final e merecia ter perdido o jogo, mas venceu nos pênaltis, depois da prorrogação, com bola na trave e tudo, contra nós, quando faltava dois minutos para terminar o jogo, então, se tivesse lógica, regra e justiça, o futebol teria terminado ali, contra o Chile.
O resultado de ontem, com certeza, foi catastrófico, foi sentido com dor pelo povo humilde brasileiro, mas é preciso dizer que o mundo não acaba aqui e nem o futebol. Nós que temos um pouco mais de experiência, que já viemos calejados de outras lutas, de outras batalhas, inclusive da política, e também do futebol, sabemos que essa geração de garotos, de jovens que chorava ontem, vai ter a oportunidade de ver o Brasil e a sua Seleção dar muita felicidade ainda.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)