99ª Sessão Ordinária - 04/11/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, voltando a esse debate que o deputado Jailson Lima trouxe a esta tribuna, até para enriquecer a discussão que se faz, sim, necessária. Não podemos trabalhar na perspectiva de que alguns setores não podem perder a eleição ou que certos partidos ou certas concepções de mundo só podem ficar no governo no máximo por 12 anos, porque, dessa forma, em São Paulo já teria que ter havido um golpe há muito tempo, já que é o mesmo partido que governa lá há pelo menos duas décadas. Então, são questões que precisam ser refletidas, precisam ser colocadas em discussão. Precisa ser visto que não tem ninguém dessa parte aqui defendendo qualquer prática de corrupção, pelo contrário, temo-nos mostrado militante na causa de garantir que as instituições afins sejam fortalecidas para que possam fiscalizar, investigar e analisar todas as denúncias de corrupção existentes na nossa sociedade. Não é essa a questão. A questão moral está vindo para essa discussão apenas para justificar um estranho inconformismo de quem não sabe perder. Porque nós, situados à esquerda do aspecto político-ideológico, tivemos uma derrota em 64, com o golpe, para fazer uma eleição no ano seguinte, em 65, e demorou 25 anos.
E não vou gastar tempo discorrendo sobre a qualidade daqueles 25 anos da política brasileira.
Em 1984 tivemos outra derrota, porque as "Diretas Já" foram traídas pelo Tancredo Neves, sim senhor, o avô desse outro moço que está aí agora. Ele traiu as "Diretas Já" com as promessas dos próprios ditadores de que ele seria eleito presidente pelo colégio eleitoral com Sarney de vice, caso esvaziasse ou contribuísse para o esvaziamento do movimento pelas "Diretas Já" em 1984. Portanto, fomos derrotados de novo.
Em 1989, para mim, que era um jovem militante, essa foi a derrota mais dolorosa porque também foi por muito pouco. E os mecanismos que foram usados, assim como os meios de comunicação, as insídias para derrotar o Lula naquele segundo turno - para não deixar o Brizola ir para aquele segundo turno -, e eu votei no Brizola no primeiro turno, em 1989. E o Brizola teria derrotado o Collor no segundo turno, mas as insídias para que o Brizola não fosse para o segundo turno, em 1989, já foi a primeira derrota, e depois, a outra, no dia 17 de dezembro.
Com certeza, foi doloroso nas eleições posteriores também. Agora, então, algum setor não quer que um projeto, acanhadamente reformista, repito, fique mais de 12 anos no governo. Qual é o medo dessa turma? O medo dessa turma é que daqui a quatro anos o Lula concorra de novo e, não sei se é verdade, mas é isso que já se desenha, ganhe oito anos de novo. Então, a conjuntura muda toda hora e ninguém sabe o que vai acontecer daqui a quatro anos.
Agora, de uma coisa eu tenho certeza: a Dilma não é bolchevista, especialmente pelo conjunto de aliados que tem, sequer a reforma política que poderia dar uma situação de maior igualdade nas disputas eleitorais vai ser aprovada com a profundidade que precisava, até porque os aliados da Dilma já disseram que não.
Nós mantemos a posição aqui de que qualquer mudança precisa ser realizada pela organização popular, de baixo para cima, nos setores de base da sociedade, a base sã da sociedade precisa se organizar para dar uma saída civilizatória de um programa de emancipação social e de emancipação popular para o povo brasileiro.
Nenhum salvador da pátria e nenhuma instituição por si só pode resolver esse problema.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)