46ª Sessão Ordinária - 23/06/2005
O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS VIEIRA - Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, senhoras e senhoras que nos assistem neste momento, quero fazer duas reflexões. Uma é sobre a questão que se fala no Brasil de Norte a Sul, de Leste a Oeste, do Amapá ao Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro ao Acre, que é a questão da corrupção, a questão do desalento que muitos setores da sociedade têm em relação ao setor político.
Em primeiro lugar, cabe dizer que temos um País, hoje, que não é aquele que aparece nas manchetes dos jornais - um País deturpado, com gente que não produz, que se beneficia e que se locupleta. O Brasil, hoje, está-se destacando em nível mundial como um País extremamente produtivo. A nossa sociedade tem produzido, como acontece aqui em Santa Catarina, produtos para o mundo inteiro. Há um crescimento fantástico das universidades no País - em Santa Catarina também se comprova isso. Há muita gente estudando, trabalhando e lutando.
O Brasil cresce e se desenvolve, mesmo que ainda tenhamos mazelas profundas, como é o caso da corrupção. Existe ainda - e é preciso dizer - não só essa mazela, mas uma profunda e terrível injustiça social no distanciamento da renda. A má distribuição de renda ainda é um problema muito grave a se enfrentar, mas é preciso dizer que há, sim, muita gente boa querendo construir este País.
Agora, a corrupção é uma questão que temos que atacar todos os dias, no dia-a-dia. E chamou-me muito a atenção uma reunião que tivemos em Joinville, com o Prefeito Marco Tebaldi e o Procurador da Infância e da Juventude. E na oportunidade discutimos sobre a questão da educação.
Chega-se à conclusão impressionante de que o caráter se forma nos primeiros anos da infância. Dizem os especialistas que a pessoa será boa ou má, dependendo daquilo que ela tem dentro do seio da sua família, desde a tenra idade até os seis anos de idade.
Vejam, então, o que acontece nos dias de hoje. O Governo se dedica, principalmente, à educação de uma pessoa a partir dos sete anos de idade. Cabe agora a seguinte reflexão: se é que de fato o caráter de uma pessoa é moldado de zero a seis anos, é preciso que o Estado dê atenção para o cuidado das crianças. Mas o que acontece na sociedade de hoje é que, com a dedicação da mãe ao trabalho, a família fica dividida - o pai de um lado trabalhando, a mãe de outro também trabalhando, e as crianças, via de regra, ficam à mercê da televisão.
E a questão é a seguinte: a televisão educa, hoje, no nosso País? É preciso refletir sobre este assunto. Dizem os especialistas que, de fato, a televisão, em muitos casos, tem deseducado ao invés de educar. E o tempo médio em que as crianças ficam submetidas à televisão é de cerca de três horas. Portanto, é preciso realmente que o Estado comece a investir na área da infância, em termos de educação.
Quando o então Prefeito Luiz Henrique da Silveira dirigiu a cidade de Joinville, ele construiu Centros de Educação Infantil. Temos 24 em Joinville que atendem a cerca de 3 mil crianças. E agora o Prefeito Marco Tebaldi decidiu construir mais 15 Centros de Educação Infantil, de maneira que teremos aí um crescimento de, aproximadamente, 50%, atingindo cerca de 1.500 crianças para que possam ter o cuidado adequado.
Isso é necessário porque antigamente tínhamos o tio, a tia, o avô ou a avó que cuidavam das crianças quando os pais iam trabalhar. Hoje, com a vida nas cidades, tornou-se difícil essa proximidade familiar, e as crianças, de fato, ficam à mercê da televisão ou de pessoas que não têm a devida capacitação para fazer a educação infantil.
Portanto, é de suma importância, para prevenir, para moldarmos o caráter das pessoas, que a criança, desde a sua mais tenra idade, tenha a devida assistência.
Há poucos dias, tive a oportunidade de ler o brilhante livro do Dalai Lama "Ética para o terceiro Milênio". Este grande homem público e religioso percorreu o mundo inteiro, e percorre ainda, e diz que em todos os povos as pessoas são semelhantes. O que a pessoa humana precisa, desde o primeiro momento de sua vida, é de carinho, de atenção e de amor. A maior necessidade dos seres humanos está na parte afetiva, e é ali então, na primeira infância, concorda ele, que se molda também o caráter das pessoas.
É preciso, portanto, que o Estado se volte para esta questão tão importante para que possamos prevenir estas questões éticas que têm sido tão decepcionantes para todos nós, como estamos vendo o que acontece em nível político no nosso País.
Por outro lado, há que se pensar no seguinte: as nossas instituições precisam se fortalecer, principalmente no campo jurídico, para que possamos punir devidamente os culpados nos casos que se avolumam nos nossos tribunais. Hoje os artigos dos jornais são sempre em torno dessa questão.
É preciso, sim, neste momento, que o Congresso Nacional se porte adequadamente no sentido de investigar, de ir a fundo nessa questão, mas que também o Executivo, que num primeiro momento tentou criar embaraços para investigação, tentou desviar as atenções, também promova uma limpeza profunda, dando o exemplo principalmente para os jovens desta Nação, que estão no desalento de ver acontecer e de se repetirem fatos negativos como esses no nosso País.
Mas a mensagem que eu quero transmitir neste momento, especialmente a esses jovens aqui desta augusta Assembléia Legislativa, é que o Brasil não é este. O Brasil é um País muito rico, produtivo e que tem oportunidades para muitos e para tantos. Não é fácil, mas é preciso seguir o caminho do estudo, do preparo, do saber, porque o nosso País tem muitas oportunidades. É possível crescer dentro da lei, dentro da ordem, sem sucumbir a esta tentação que aparece agora, da forma de escândalo nos jornais.
Aliás, é preciso dizer que o ser humano tem que ouvir aquilo que já dizia o nosso Grande Mestre, Jesus, ou seja, que é preciso vigiar porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca. E dizia também o grande mestre Tancredo Neves que as instituições do Estado foram feitas para construir dia-a-dia a nossa história, porque é muito difícil manter a paz e a ordem. E é preciso que tenhamos instituições fortes.
Esta é a minha mensagem para este dia de hoje, Sr. Presidente.
Agradeço a todos os Pares pela atenção!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)