Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

42ª Sessão Ordinária - 30/05/2006

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente e srs. deputados, nesta tarde gostaria de fazer referência a dois assuntos. O primeiro deles é sobre a boa notícia de que o meu partido, o P-SOL, fez sua conferência eleitoral nacional neste final de semana em Brasília e definiu, ainda em caráter de pré-candidatura, a candidatura da companheira senadora Heloísa Helena à Presidência da República. E também definiu para compor a chapa nacional o economista, militante de longa data, o companheiro César Benjamin como pré-candidato a presidente da República.

Aproveito a oportunidade, deputado Vieirão, v.exa. que também é economista, para convidar todos os deputados e a sociedade em geral para participar de uma atividade que será realizada aqui em Florianópolis, no dia 23 de junho, com o nosso pré-candidato à vice-presidente, o economista César Benjamin que virá para, além de dar uma coletiva à imprensa, fazer na Universidade Federal de Santa Catarina uma palestra a respeito da conjuntura político-econômica do país. Aproveito a ocasião para divulgar essa atividade que faz parte de um calendário partidário.

Srs. deputados, gostaria de fazer alusão e partilhar a alegria dos resultados dos números mais recentes das pesquisas do Instituto Datafolha, que a companheira Heloísa Helena, ainda num caráter de pré-candidatura alcança nas regiões. A meu modo de ver, um índice bastante positivo. Na região sudeste ela tem a preferência de 8% dos entrevistados; na região nordeste 6%; na região norte e centro-oeste 10% e na região sul desponta com até 13% da preferência dos eleitores. Isso para nós é bastante gratificante e representa também uma leitura do momento político que o país vive. E é uma demonstração, sem sombra de dúvida, de que a população está disposta a se reencontrar com o caminho da esperança e com o caminho da mudança.

Por isso esses números são muito bem-vindos, onde sequer as campanhas foram formalizadas, não temos as convenções, os candidatos ainda não foram para as campanhas, mas é muito agradável receber essa notícia de que a senadora Heloísa Helena na região sul desponta com 13% da preferência dos eleitores.

Dito isso, eu gostaria, sr. presidente, de voltar a um tema que tenho me dedicado nos últimos dias de maneira bastante presente. Quero me referir à situação da greve do Magistério, dos trabalhadores da área da educação. A Assembléia Legislativa se predispôs a intermediar, a participar como um agente político de mediação, de buscar reatar o elo da negociação que foi rompido. No entanto, não bastasse o interesse da Assembléia Legislativa que foi provocado por uma das partes, foi o comando de greve, a direção do Sinte que veio ao encontro da Assembléia Legislativa e pediu para que esta Casa servisse de instrumento de mediação.

O presidente, deputado Julio Garcia, imediatamente atendeu o comando de greve do Sinte, se comprometeu a convocar uma reunião de líderes, deputado Manoel Mota, para discutir a matéria. Houve unanimidade entre os líderes de que a Assembléia Legislativa deveria conversar com o Executivo para abrir o canal, o diálogo de conversação. E a Assembléia Legislativa está há uma semana tratando de convencer o governo de que ele deve voltar para a mesa de negociação, deputado Sérgio Godinho, e o governo não se predispõe.

Há uma barreira intransponível de intransigência da administração tucano-peemedebista, que não quer conversar, deputado Wilson Vieira - v.exa. que foi dirigente sindical. O governador Eduardo Pinho Moreira, no dia de ontem, ao invés de chamar o sindicato para uma conversa, para um processo de negociação, porque as diferenças não são tão díspares... Neste momento é preciso discutir uma fórmula para aplicação de um mesmo quantum financeiro, mas o governo quer adotar um achatamento na tabela salarial e os professores querem discutir um outro critério de aplicação do recurso. E o que fez o governador Pinho Moreira no dia de ontem? Fechou as portas dos gabinetes, chave na fechadura, cadeado, não quer conversar.

Deputado Dentinho, eu nunca ouvi falar de algo assim, o governador Eduardo Pinho Moreira, representando o governador Luiz Henrique da Silveira, mandou um motoboy, um motoqueiro, levar um envelope para o Sinte. Ele não quer conversar! Ao invés da Assembléia Legislativa ser o agente de mediação, deputado Julio Garcia - como v.exa. se predispôs e acertou na iniciativa política -, o governador Eduardo Pinho Moreira pagou um motoboy para levar o envolope ontem à noite para o Sinte.

É uma total desqualificação de critério, de método de trabalho, é uma demonstração de intransigência, de radicalidade, substituir o espaço negocial da mesa por um preposto que vai levar uma correspondência com uma proposta. E quem abre não sabe se é uma proposta final, se é terminal, se é um espaço de conversa, não tem diálogo.

Essa é a atitude no meio de uma crise que se arrasta há mais de 30 dias na educação de Santa Catarina, de um governador que quer ainda ir à reeleição, que se diz hábil, político, que sabe conversar, respeitar todo mundo! Não sabe respeitar os professores dos nossos filhos, não está disposto a abrir o espaço de conversação.

Por isso, nós vamos ter hoje em todas as regionais do Sinte assembléias e amanhã uma assembléia estadual. E eu espero que o governo do estado, pelo menos, com a pressão dos professores que aumenta a cada dia vai, mais cedo ou mais tarde, ter que curvar a espinha ereta da arrogância, da empáfia, e se sujeitar ao espaço de conversação.

Infelizmente, devo aqui condenar e criticar a postura intransigente do governo do estado, que não quer mais conversar com os professores e acha que é na truculência, na arrogância, que vai encontrar uma solução. Está errado! Eu vou dizer, vou insistir: governador Eduardo Pinho Moreira, em exercício, governador Luiz Henrique da Silveira, licenciado, a solução é o diálogo, a solução é o encaminhamento, é a conversa e não o autoritarismo.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)