86ª Sessão Ordinária - 16/11/2004
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, senhores que nos assistem, em primeiro lugar quero reiterar alguns registros de presenças, muito importantes, de conterrâneos nossos, que nos honram nesta tarde, aqui nesta Casa. Começando pelo Prefeito de Correa Pinto, Prefeito repetente, Sr. Cláudio Ziliotto, nosso amigo, que se faz acompanhar de colaboradores da sua equipe e do Vereador Antônio Edson, o Negão, que V.Exa. bem conhece, Sr. Presidente. Quero registrar também a presença do Dr. Acácio Pereira, que já foi feita e que eu reitero, porque é um prezado amigo, já foi Deputado Estadual, Deputado Federal, é uma figura muito importante, um militante político, inclusive.
Quero, Sr. Presidente, dizer que espero para o dia de amanhã colher alguns dados, alguns subsídios a respeito da ambulancioterapia, aqui tão debatida, tão questionada. Até porque essa questão da saúde pública neste País há muito vem aos trancos e barrancos. Com isso não se pode levantar o dedo, sob pena de incorrer em equívocos, para uma única pessoa ou para um único governo, porque é toda uma situação.
Não vamos defender o sofrimento das pessoas que viajam quilômetros e quilômetros dentro de uma ambulância, por falta de recurso lá na sua base, no seu Município, principalmente, recursos especializados, que necessitam do atendimento especializado.
Esperamos fornecer alguns dados aos Colegas, até para esclarecer que lamentavelmente isso não deveria acontecer, mas aconteceu e continua acontecendo. Então, não é uma exclusividade do momento atual e não é também um descaso, um desleixo do Governo atual, muito menos do Secretário da Saúde, que é um colega nosso, um correligionário meu e um colega nosso de Assembléia Legislativa, uma figura extraordinária.
Nós esperamos promover, aqui, um bom debate. O bom debate, porque nós também temos argumentos, não para defender o aumento do sofrimento de quem sofre, muito pelo contrário, mas para discutir e quiçá encontrar meios e condições para amenizar o sofrimento de quem está sofrendo nas estradas.
Agora a responsabilizar única e exclusivamente a atual gestão, parece-me um excesso de zelo com relação ao recurso de oratória de quem nos antecedeu tratando do assunto.
Ato contínuo, Sr. Presidente, quero discorrer sobre um grande evento que aconteceu em Florianópolis, no dia 29 de outubro. Foi apresentado aos catarinenses um veículo denominado Carro de Santa Catarina, pronto para o mercado, capitaneado pela Fiesc, Siesc, Sesi, Senai e um grupo de empresários. É um protótipo interessante.
Foi um evento marcante, porque no Brasil tem muitas montadoras, como é o caso dos nossos vizinhos no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Bahia, por aí afora, Minas Gerais. Nós aqui não temos uma montadora.
Hoje, para montar uma montadora em Santa Catarina seria necessário mais ou menos meio bilhão de reais, por baixo. E os empresários catarinenses estão dando o pontapé inicial para produzir um veículo que eles chamam de...
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"Unir o útil ao agradável. Com este objetivo a Federação das Indústrias de Santa Catarina, Fiesc, lançou há dois anos o desafio de agregar o parque industrial automotivo do Estado, criar uma montadora em Santa Catarina e atrair novos investimentos no setor.
O resultado foi lançado no final de outubro - o protótipo do carro catarinense off road, quatro por quatro - inovador, com investimento de quinze milhões."
Uma montadora com tecnologia estrangeira precisa de investimentos, imaginamos, por volta de meio bilhão, uma montadora catarinense, investimentos de quinze milhões.
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"Conforme o coordenador do projeto, engenheiro Adolfo Cesar dos Santos, Santa Catarina é pródiga em indústria de autopeças, que hoje garante mais de vinte mil postos de trabalho no Estado, mas não tem uma montadora. E só com o interesse regional se poderia criar uma.
Hoje existem 26 montadoras no País, que juntas têm uma capacidade de produzir 3,2 milhões de veículos por ano. O setor de off road é o que mais cresce, segundo depoimento dos empresários.
A escolha de um veículo ‘fora de estrada’ foi calculada. Santos conta que o mercado consumidor teve um crescimento de 35% em 2004, com relação ao ano passado. No entanto, dos um 1,5 milhão de carros produzidos no Brasil, apenas 40 mil são os chamados tração nas quatro rodas.
Teremos, portanto, Sr. Presidente e Srs. Deputados, veículos catarinenses, tecnologia catarinense, montadora catarinense, e vai ser aproveitado o potencial da nossa indústria de autopeças. E segundo os idealizadores do projeto, o mercado para este tipo de veículo é muito promissor não só no Brasil como também no exterior.
E o que é mais importante: estamos criando uma tecnologia, gerando empregos, buscando alternativas para a expansão do parque industrial do nosso Estado.
Por isso, entendemos oportuno esse registro, Sr. Presidente. Já era de conhecimento de todos, neste final de semana a imprensa deu destaque em duas páginas ao projeto.
Mas até onde tenho conhecimento, não tinha ocorrido um registro aqui na Casa dos representantes do povo. O que faço nesta oportunidade, com muita satisfação.
Quero, sou curioso, quero conhecer, quero ver de perto esta boa nova para o setor produtivo de Santa Catarina.
Sr. Presidente, eu iniciei aqui nesta tribuna tratando de um caso que foi alvo do pronunciamento de dois ilustres colegas, Deputados Afrânio Boppré e Antônio Ceron, aqui versando sobre a questão da saúde pública ou, mais especificamente, do transporte dos doentes do Estado para a Capital.
É um problema realmente muito sério, lá se vão muitos anos que isto vem acontecendo, e é preciso buscar uma alternativa, encontrarmos uma alternativa. Mas ela não acontece da noite para o dia.
Senão, vejamos, a tão questionada, o tão questionado projeto, debatido e condenado pelas Oposições, das Secretarias Regionais, um desejo de descentralizar, para encontrar in locco solução para os problemas que afligem a nossa população, não teria sido criado, não teria sido idealizado esse projeto.
É claro que talvez sejam necessários alguns ajustes nesse modelo, mas o caminho, sem sombra de dúvida, é a descentralização não só da administração, como também da saúde pública, acima de tudo da saúde pública, como também a descentralização dos recursos públicos.
Aí a necessidade de um novo pacto federativo, para que possa ficar mais dinheiro nos Municípios e nos Estados, onde a riqueza é gerada, de onde o tributo parte para o Governo central. O Governo central, que fica no ápice, encastelado em Brasília, no seu poder absoluto, é ciceroneado por uma burocracia peçonhenta, que emperra a máquina pública deste País, que emperra, sim, que dificulta a vida do Brasil e dos brasileiros e, quero crer, dificulta até os bem-intencionados projetos do Presidente Lula.
Eu creio, acredito nas boas intenções do Presidente Lula. Eu não acredito no centralismo dos recursos públicos. A República brasileira é um modelo falido, é um modelo perverso e injusto, que infelicita a vida do nosso povo. Por isso, a descentralização é a saída dos recursos, inclusive, para ver se a gente encontra soluções para amenizar o sofrimento da nossa gente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)