53ª Sessão Ordinária - 08/07/2008
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, srs. deputados, catarinenses que nos acompanham através da TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, conforme prometi, vou continuar hoje a leitura do famoso livro A Descentralização no Banco dos Réus, mas farei no segundo momento com o título "Diálogo Retomado". Este vai ser o capítulo de hoje. E farei no segundo momento porque agora eu preciso registrar também, nos anais desta Casa, a entrevista concedida pela jornalista Márgara Hadlich ao colunista César Valente, publicada neste final de semana, que se constitui em mais um testemunho desse verdadeiro escândalo que o governo catarinense está mais uma vez envolvido.
Diz o texto, diz a entrevista que, repito, não é de nenhum linguarudo da Oposição. É do respeitável jornalista César Valente, que conversou com a repórter Márgara Hadlich.
(Passa a ler.)
"Ela está no centro de uma das mais graves crises do governo LHS. Márgara Hadlich era funcionária da extinta revista Metrópole e foi designada, por Danilo Gomes e Nei Silva, para 'tocar' o projeto 'Descentralização'.
Todos os contatos com o governo, com o governador e com empresários, depois do início do projeto, foram feitos por ela (que aparece com LHS, nas fotos que ilustram este post, retiradas do livro). 'Não sou jornalista, era da área comercial, mas tinha que fazer de tudo, pegar as autorizações, gravar as entrevistas, produzir os textos e levar os bonecos para o governador aprovar', diz Márgara.
Conversei com ela ontem à tarde, por telefone. Ela me ligou para contar que decide, neste final de semana, como irá se posicionar publicamente. O que falamos está resumido nesta coluna."
Eu vou suprimir o primeiro parágrafo porque ele trata de um assunto pessoal, que não cabe a esta Casa discutir. Por ser matéria de cunho estritamente pessoal, eu vou suprimir o primeiro parágrafo da sua entrevista.
(Continua lendo.)
"Na quinta-feira (anteontem) Nei Silva a procurou para conversar pela primeira vez, depois da prisão. Márgara aproveitou para colocar, sobre a mesa, as principais pendências: além da questão das insinuações, no livro, Nei e Danilo devem, para ela, pelo menos R$ 37.600,00 só em comissões, relativas aos anúncios vendidos para a revista. E isto desde que a revista fechou.
Do dinheiro que Nei diz, no livro, que recebeu de Armando Hess ou do PMDB (e que mostra fotos) depois do fechamento da revista (cerca de R$ 120 mil), nem um centavo foi usado para pagar as dívidas com a Márgara. Ela só ficou sabendo que ele tinha recebido alguma coisa quando estourou a história do livro.
E ela acredita que Nei a procurou porque precisa de provas que ela afirma ter. 'São e-mails e outros documentos dirigidos a mim, que ele acha que podem ajudar na defesa dele', diz.
OS CONTATOS COM LHS
Nei e Danilo foram os autores da idéia do projeto, mas toda a execução ficou por conta dela. O começo, segundo ela se lembra, foi graças a uma amizade antiga que Danilo Gomes e Armando Hess tinham. O projeto, rejeitado na Secretaria de Comunicação, encantou o então Secretário de Planejamento (a pasta que estava encarregada de levar à prática a descentralização do governo).
'Logo depois do Armando ter se encarregado de conseguir autorização para o projeto, me mandaram ir à reunião do colegiado em Itá. E lá, no hotel Termas de Itá o governador já estava sabendo da idéia', lembra Márgara. Foi nessa ocasião, diante de todos os secretários presentes à reunião, que LHS teria se referido, em público, pela primeira vez, à revista e ao projeto. Ela diz que também teve uma reunião com LHS no apartamento dele, no hotel: 'Ele sempre me recebia muito bem'.
Márgara conta que conhece Luiz Henrique da Siveira desde o tempo em que ele era prefeito de Joinville. E que teria ajudado a filha dele, Márcia, em algumas ocasiões.
Enquanto ela estava na revista Metrópole, 'falava freqüentemente com o governador, ele me ligava e eu ligava para ele, pra falar como o projeto estava indo. É só pegar minha conta telefônica pra ver a quantidade de contatos. Falava direto. Ele me ligava para convidar para participar das reuniões do Colegiado e para conversar sobre a revista', diz.
Ela afirma que os outdoors da 'Descentralização' começaram a ser expostos no dia em que o colegiado do governo se reuniria em Timbó. Tinha um bem na entrada da cidade. 'Quando cheguei pra falar com o governador ele disse, sobre o outdoor, 'que lindo, gostei'. E aí entreguei pra ele vários presentes que os secretários e empresários com que tinha conversado nas semanas anteriores mandaram para ele. Tinha até uma caixa de Steinhaeger W, conta.
Márgara afirma que os secretários regionais a conhecem muito bem: 'participei de cinco reuniões do colegiado, dentro da sala, com eles'. E que muitos políticos que hoje dizem desconhecer o projeto, tiveram participação ativa.
'O deputado Manoel Mota, por exemplo, quando fui ao Sul fazer contatos com empresários, colocou carro à minha disposição, ajudou nos contatos, foi muito gentil e agora diz que não houve nada', diz ela, lamentando a mudança de atitude daqueles que, antes, a tratava bem.
O ESTRAGO DI PP
O ponto de ruptura, o momento em que 'a casa caiu' foi quando a coligação Salve Santa Catarina (de Amin) entrou com os processos pedindo a cassação do governador. De uma hora para a outra tudo mudou. Os empresários que ainda não tinham pago, deixaram de pagar. E as portas do governo se fecharam. 'O que era um negócio feito abertamente, com todos colaborando e ajudando, de repente virou uma coisa suja que agora chamam de 'caso de polícia' e até mandaram prender o Nei', afirma Márgara.
Das três edições da revista Metrópole 'Descentralização', apenas a primeira teve faturamento regular. As outras duas ficaram no prejuízo. A revista fechou, Márgara foi despedida e tratou de tocar a vida. Chegou a pensar em entrar com uma reclamação trabalhista, para cobrar o que lhe deviam, mas teve pena: 'eu não sabia que ele tinha recebido algum dinheiro depois que a revista fechou'.
Naquele fim de semana em que eu divulguei trechos do livro aqui, ela ainda não sabia de nada. 'O Nei me ligou por aqueles dias, dizendo que queria me mostrar algumas coisas (acho que era o livro) e disse que iria segunda-feira a Florianópolis para receber algum dinheiro e perguntou se eu não queria ir junto. Fiquei meio desconfiada e resolvi não ir. Escapei por pouco de estar com ele no momento da prisão', conta Márgara.
CONTAR OU NÃO?
A partir daquela sexta-feira (30 de maio) a vida de Márgara foi sacudida por um terremoto de surpresa e medo. Surpresa porque seu nome estava no livro sobre o qual todos comentavam. Eram inúmeros pedidos de entrevistas, repórteres de vários veículos procurando-a. A família estava em choque com as insinuações. E no trabalho o clima não estava lá essas coisas.
E medo porque 'o Nei mexeu com gente muito poderosa, eu não sabia o que poderia acontecer, com ele e comigo, que afinal estive envolvida com o projeto e tenho muitas provas'. Ontem ela me contou que as coisas estão um pouco melhor. O medo é menor, mas nada está resolvido.
Amanhã, domingo, Márgara vai se reunir com a família para tomar uma decisão importante: como irá se posicionar diante da situação. E principalmente diante do pedido, do ex-chefe, para que apresente as comprovações que ela tem, do trabalho que fez.
Na semana que vem é possível que ela dê uma entrevista 'contando tudo'. Mas essa exposição traz vários riscos, porque embora esteja, queira ou não, no centro da crise, começar a falar E colocará no centro de um furacão que não é possível prever que intensidade terá. 'É por isso que eu quero pensar bem, com calma, junto à minha família, pra ver o que farei', diz."[sic]
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)