108ª Sessão Ordinária - 24/11/2009
O SR. DEPUTADO JOSÉ NATAL - Sr. presidente, srs. deputados, catarinenses que nos prestigiam através da TVAL e da Rádio Alesc Digital, público presente nesta Casa, fiquei estarrecido com o discurso feito desta tribuna pela deputada Ana Paula Lima, querendo, no meu entendimento, desvirtuar o que, há uns 15, 20 dias, declinei nesta Casa, no sentido de que o presidente iria receber em nosso país um homem que, na minha visão, é extremamente sanguinário. O mundo todo pregava e prega a paz e o presidente Lula convida para vir ao Brasil um homem sanguinário.
Eu falei sobre isso há uns 20 dias desta tribuna e não retiro uma só palavra! Ele esteve aqui e o povo está indignado! E a deputada Ana Paula Lima vem para cá falar de enchente em Blumenau? Toda Santa Catarina reconhece a solidariedade do povo brasileiro, sim, e se não fosse essa solidariedade, talvez aquelas pessoas estivessem em situação bem mais complicada. Mas a maior responsabilidade no aporte de recursos é, sim, do governo federal para recuperar a vida e a dignidade daquelas pessoas. Nota zero para a deputada, que fez um discurso meramente politiqueiro! Meramente politiqueiro!
Vou ficar por aqui com este assunto, porque o meu foco hoje, srs. deputados, é falar sobre a máquina de fraudar a juventude que virou o estado de Santa Catarina, seja para quem se prepara para um concurso público, seja para o pai que paga o colégio para o filho. O jovem se arrebenta de estudar, prepara-se para um concurso público e de repente, todos eles são anulados, são fraudados e assim por diante.
E podemos citar como exemplo o que ocorreu, no último domingo, no concurso da Udesc. Uma empresa de Santa Catarina que realiza concursos por este país afora e também dentro do estado, contratava empresas que não têm capacidade, buscando o menor preço. Ora, minha gente, se a empresa tem o menor preço, então que use a sua equipe, que é competente para fazer concursos por este Brasil todo.
O TRE fez um concurso há 20 dias que foi anulado por problemas. E onde estão os homens da Justiça, que não sabem elaborar um concurso, que não contratam uma empresa decente?
A minha filha fez um concurso para o cargo de técnico judiciário, no ano passado, e foi a primeira colocada para a região de Lages e Videira. Mas o que aconteceu? O concurso foi anulado exatamente naquela região porque os coordenadores do Ministério Público, srs. deputados e srs. catarinenses, erraram ao colocar as provas dentro do envelope, pois havia 40 alunos na sala de aula e mandaram o envelope com 38 provas apenas.
Quero falar em nome da minha filha e dos demais catarinenses que se prepararam, estudaram demasiadamente, deixando de curtir sua juventude para serem burlados num concurso para o qual até hoje não houve solução.
Estou falando sobre esse assunto agora em função do que aconteceu no último domingo com a Udesc. Isso é vergonhoso! Milhões e milhões são arrecadados e simplesmente o concurso de técnico judiciário realizado no final do ano passado está na gaveta. Não houve problemas com as provas, foi pura incompetência de quem fez. E quem não tem culpa, quem estudou, que se preparou e investiu está de fora.
Então, nós temos que ver isso porque esses homens colocam gente para fiscalizar prefeituras, para fiscalizar esta Casa Legislativa, mas chega na hora de fazer um concurso transparente para a sociedade, isso não acontece.
Por isso, srs. deputados, solicito a v.exas. que me ajudem a formar uma comissão nesta Casa para averiguar o que está acontecendo nos concursos, que se transformaram numa máquina de fazer dinheiro, de tirar dinheiro de quem já não tem. Fica aqui, tenho certeza absoluta, em nome de toda essa juventude que se prepara, a minha indignação!
Eu, como funcionário público, se quiser uma melhoria salarial, se quiser mudar de carreira, também terei que enfrentar um concurso público. E eu se fizer um concurso, se me preparar, provavelmente cairei nessa... Vou ficar quieto para não dizer um palavrão porque estou alterado com essa pouca vergonha.
Deixo o meu repúdio em nome de todos os catarinenses que passam por esse constrangimento.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)