Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

7ª Sessão Extraordinária - 10/04/2007

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sra. presidente, companheiros deputados, a nossa luta tem-nos caracterizado na sua forma política de nunca fazer críticas ou ataques, desde quando fui vereador, deputado estadual, prefeito, presidente de fundação, sempre procurando progredir nas discussões políticas.

Mas tenho acompanhado, na última semana, alguns equívocos para que possamos esclarecer no sentido histórico, porque se não conhecermos a nossa história, vamos repetir os erros. E é com esse objetivo que gostaria de lembrar um passado, que não é tão distante, mas um passado recente de muita resistência, de muita humildade, sabendo como levar o barco, muitas vezes, naquele nevoeiro, e que tínhamos que dar dois passos atrás para poder avançar um. E esses momentos históricos não podem se desfazer agora em simples pleitos eleitorais, mas temos que lutar pela conquista de uma democracia em todo o nosso estado e em todo o nosso país.

Eu não trouxe aqui nenhum filme, porque eu vim de um tempo em que a nossa luta era outra, e como presidente da maior entidade do estado e a única que fez uma greve estadual, pois naquela época em que fui presidente da Alisc - Associação dos Professores Licenciados de Santa Catarina - nem sequer podíamos ter sindicato e muito menos pessoas à disposição desse sindicato para realizar trabalhos.

Só para os srs. deputados terem uma idéia a nossa luta naquela época era para que nenhum aluno ficasse fora da sala de aula, porque havia, sim, uma irresponsabilidade do governo, porque muitos filhos de pobres ficavam fora da sala de aula. Isso no início dos anos 70, quando começamos a dar aula e constatamos esses problemas nas escolas, há 35 anos. Hoje, ninguém fala mais que um estudante está fora da sala de aula. Estão reivindicando, sim, e aí é correto, acho justo, melhores condições para os nossos estudantes estudarem, que possam ter um bom prédio, um bom laboratório, um bom professor, uma boa merenda escolar, um bom uniforme e que possam desenvolver os seus conhecimentos.

Naquela época não tínhamos sequer concurso público! O professor era designado. Não era nem ACT. Naquela época não tínhamos hora-atividade; naquela época não tínhamos quadro de carreira. Nós conquistamos tudo isso, mais um plano estadual de educação e mais a eleição direta para diretores de escola, sempre objetivando uma conquista política e que a redemocratização do país viesse trazer as grandes soluções.

E hoje temos a transparência! Eu não vou trazer o filme, gostaria de trazer uma fotografia para mostrar, porque aqui foram faladas algumas coisas muito interessantes.

(Procede-se à exibição de uma foto.)

Quando existiu o regime de exceção, tínhamos um prefeito nomeado pelo regime militar, que foi candidato, inclusive, apoiado por um partido com uma longa história junto aos trabalhadores e de democratização deste país. Eu não sei se ele aceitaria, por unanimidade, qualquer crítica que fosse de uma Câmara municipal. Essa mesma pessoa pôde estar junto com outra que disse uma frase muito dolorosa na época da transição democrática: "Prefiro o cheiro de cavalo ao do povo". Essa outra pessoa, deputado Pedro Baldissera, que tem um grande pecado original, foi nomeada prefeito da capital nos seus tenros anos de vida para que pudesse exercer, e em nenhum momento se arrependeu do seu pecado original, ou seja, de ter sido nomeado prefeito: ganho isso como uma benesse, por ser merecedor.

Os outros filhos, os outros lutadores da democracia não tiveram essa benesse. São tantas as coisas que poderíamos falar aqui, mas uma foto fala mais do que mil palavras; uma foto diz o compromisso das pessoas que têm história de transformação, ou não têm história, e hoje se esquece esse passado.

Nós viemos de longos e longos anos, como eu já disse, de uma época em que a reivindicação principal era educação para todos os filhos catarinenses. E temos isso hoje? Temos. Mais do que isso, procurar dar o exemplo na política. Eu fui vereador, fui deputado, fui prefeito, fui presidente da fundação e nunca nomeei um parente ou pratiquei nepotismo. E exigi que os presidentes de sindicatos ou de associações que nós estávamos formando nos bairros, quando da discussão do orçamento participativo, todas aquelas pessoas envolvidas, não fossem atrelados ao poder municipal, tendo a total liberdade, porque é algo que eu quero ver hoje combater o nepotismo e o não-atrelamento das entidades sindicais, porque isso gera o corporativismo.

O maior crime da humanidade não foi a luta dos muçulmanos contra cristãos, nem a Inquisição. O maior crime da humanidade foi quando tentaram juntar o empresário e o industrial com o corporativismo do trabalhador e surgiu o nazismo, onde obrigaram a unir aquele que trabalha e que produz com o seu suor, com o empresário, e foram declarar guerra para buscar questões naturais para as suas fábricas poderem produzir mais canhões.

Foi isso que a Alemanha fez e morreram mais de 50 milhões de pessoas. E nós temos que lutar, sim, para que os sindicatos, as associações e qualquer organização tenha independência, seja de qualquer setor, e não o atrelamento. E mais do que isso, o governador Luiz Henrique, por dez mandatos, prefeito duas vezes e governador, nunca empregou um parente também. Esse é o exemplo que se dá. E fez um decreto acabando com o nepotismo no nosso governo. Então, eu o vejo, muitas vezes, citado, falado, fulanizado, em termos pessoais, em todos os discursos, pela Oposição. Eu não faço crítica a ninguém, eu proponho as idéias para se discutir. E isso não contribui para o estado, que merece o desenvolvimento. E está aí o tipo de atuação que identificamos como único exemplo das forças progressistas do país em que nós temos a descentralização, pois nenhum outro estado está fazendo isso. A exemplo do que eu fiz, com o Orçamento Participativo na capital, descentralizando, democratizando, tornando-o transparente, que venha bem a crítica, sim.

E se as escolas estão em más condições, temos que arrumá-las, isso faz parte do governo. Nós ainda não tivemos um parlamentarismo, que seria uma forma de governo melhor. Ainda estamos dependendo das pessoas, mas que não se fulanize, que não se coloque a culpa de tudo que aí está no governo que está presente.

Então, nós temos que começar a pensar que somos responsáveis, sim! Nós estamos falando do salário de outras pessoas, que podemos achar injusto, mas em nenhum momento tivemos o poder da autocrítica, se o nosso salário é justo ou não. Se for para transformar, como sempre me propus na vida, é isso que nós temos que trabalhar e de forma conjunta.

O Sr. Deputado João Henrique Blasi - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Deputado Professor Grando, a medida que o tempo passa parece que se torna mais aguda a dor daqueles que perderam o último pleito eleitoral em Santa Catarina.

O imbatível de ontem foi batido. Aquele que no pleito anterior era havido como franco-favorito, perdeu. E parece que os seus seguidores, aqueles que lhe são caudatários, a cada dia que passa sentem mais a dor e a cicatriz permanece latente.

Por isso a reiteração cotidiana das críticas, por isso a crítica pela crítica, por isso os olhos vendados às conquistas do governo, porque só interessa ver o que há de errado. Há algo de errado - e v.exa. ponderou bem - há. Claro que há! Vamos buscar, construir. Mas o que se vê é essa prática no dia-a-dia. O discurso de ontem é repetido hoje e o será amanhã. É sempre a mesma cantilena.

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Por isso, deputado João Henrique Blasi, nós sabemos que as piores doenças são aquelas que não tem febre. A crítica e a democracia, principalmente sendo participativa, se caracteriza por sugestões para que possa melhorar e levar aos microfones e à imprensa, as reivindicações.

Houve uma época em que tudo era silenciado, essa época eu vivi e sei o quanto sofremos. O que eu não posso permitir é que partidos continuem cometendo equívocos, por falta de visão histórica, do quanto temos que nos aperfeiçoar e evitar o retrocesso. Como dizia o próprio Leonel Brizola, eu não vou servir de escada para a direita subir, as minhas águas não vão mover moinhos da volta da ditadura e do regime de exceção. Nós não podemos mais fortalecer esse tipo de política.

É dessa maneira que eu me coloco. E se for para ser deputado tenho que contribuir numa visão mais ampla onde haja, sim, a manifestação dos partidos, sem fazer nenhuma crítica pessoal, mas chamando a atenção para um momento de reflexão da história que vamos viver, que vivemos no passado e que queremos para o futuro.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)