92ª Sessão Ordinária - 31/10/2007
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, eu aprendi, na minha convivência com o governador Luiz Henrique da Silveira, que é longa, desde as minhas primeiras tratativas quando, à época, ele era deputado federal, que palavra dada é palavra cumprida. Sempre foi assim. Palavra dada é palavra cumprida. E na vida pública, principalmente, é fundamental para o cidadão que transita no meio político ter essa credibilidade, o que não é muito comum, é quase que useiro e vezeiro no meio político dar a palavra, prometer alguma coisa e esquecê-la rapidamente, deixando de cumpri-la.
Estou falando isso, sr. presidente, porque há alguns dias estive na Celesc para resolver um problema de Joinville, da Cipla, uma indústria de plásticos que temos em Joinville, que está sob intervenção e que ficou durante mais ou menos quatro anos sem pagar energia elétrica, comandada por um grupo que não considero do PT, porque o PT que eu conheço é o PT do meu amigo Carlito Merss, de Joinville; o PT da deputada Ana Paula Lima; o PT de uma série de outras pessoas que conheço, que são bem intencionadas, que brigam, que são voluntariosos, mas que querem o melhor para este país.
Aquele grupo que se intitula do PT e que para mim não é do PT, na verdade, são revolucionários representantes da Via Campesina, representantes do MST e de tantos outros grupos radicais, mas durante a gestão dessas pessoas na Cipla, em Joinville, fabricaram porretes e orientaram funcionários, operários que estão lá para trabalhar e sustentar suas famílias, através de cartilhas, para a guerrilha! E essas pessoas não estão mais lá graças a uma decisão e a uma intervenção que foi feita nessa fábrica, para salvaguardar cerca de 700 empregos e a sobrevivência de pelo menos duas mil pessoas que dependem daqueles empregos para sobreviver.
Muito bem! O interventor entrou lá e está passando dificuldades porque foi ameaçado até de morte, mas está tentando organizar tudo aquilo, renegociando com fornecedores, reordenando os trabalhos no interior da fábrica. Ele me procurou, como também já havia procurado tantos outros deputados, para tentar achar uma solução para essa questão dos pagamentos de luz na Celesc.
Conversei com aquele interventor, o sr. Reinoldo, e ele me disse que eles estão ameaçando de cortar a luz de uma hora para outra. Mas se faz quatro anos que não cortam a luz porque não foi paga, por que agora querem cortar? Mas eu lhe perguntei se tinha alguma proposta e ele disse que tinha, que estava disposto a pagar daqui para diante, só que o atrasado pediu que fosse negociado depois.
Então, pedi uma audiência com o sr. Carlão, Carlos Alberto Martins, diretor comercial da Celesc, e lá compareci. Fui muito bem tratado pelo seu Carlão, não só eu como o interventor, com cafezinho e tudo mais, e conversamos animadamente. E a proposta que o interventor levou foi prontamente aceita. O Carlão nos disse que se nós estávamos dispostos a pagar daqui para frente, não haveria nenhum problema. E ficou acertado, ficou definido que a Cipla de Joinville iria pagar, então, os débitos, de luz a partir daquele mês, a partir do mês que vem. A despesa do mês de outubro seria paga em dezembro e assim consecutivamente. Estava tudo acertado. Palavra dada, palavra cumprida, pensei eu, porque estou acostumado com o meu governador, estou acostumado com algumas pessoas do meio político que cumprem a palavra.
Então, saímos de lá, deputado, e dissemos graças a Deus iríamos respirar aliviados. Qual não foi minha surpresa, e muito mais ainda do interventor, na sexta-feira sai uma informação na direção da fábrica de que se não pagassem a luz ela seria cortada. O interventor estava em Florianópolis, mas não deu tempo de pensar, e às 10h a Celesc mandou cortar a luz. E é bom que se frise que isso não foi determinado pelo gerente regional, que é uma pessoa fantástica, é uma das pessoas que mais estimo, mas que estava de férias, mas sim pela diretoria daqui, que disse que era para cortar a luz.
Eu fiquei me perguntando: e os quatro anos que esses revolucionários ficaram lá na fábrica sem pagar um tostão de luz ninguém cortou a luz, ninguém fez nada?! Agora, que está sob intervenção, por determinação judicial, que eles têm a intenção de pagar, pois foi conversado e negociado junto com este deputado de que agora iriam pagar a luz do mês, pelo menos, demonstrando a intenção de resolver o problema, aí vão lá e cortam a luz!
Eu fiquei possesso, sr. presidente! Liguei para tanta gente, inclusive para o governador em exercício Leonel Pavan, que demonstrou uma grande preocupação. Resultado, esteve lá um interventor que saiu correndo feito louco para arranjar dinheiro para pagar a luz de setembro, cerca de R$ 150 mil, quase R$ 160 mil, levando-o para eles, e aí a luz foi restabelecida na parte da tarde da sexta-feira.
Isso eu chamo de falta de palavra! E na vida pública homem que não respeita a palavra dada não merece nem usar a calça que veste! Essa é a grande verdade.
Quero deixar registrada aqui a minha revolta por essa falta de palavra do diretor comercial da Celesc.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)