Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

24ª Sessão Extraordinária - 04/09/2013

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, concordo com as pautas defendidas pelo representante da CUT, Mário Antônio da Silva, e afirmo que também são minhas as bandeiras da redução da jornada de trabalho e contra as terceirizações, mesmo porque não entendo por que é preciso um projeto para aumentar a quantidade de terceirizações no Brasil, uma vez que isso já se alastrou de forma bastante extraordinária, apesar de a lei impedi-las no caso de atividade afim.

É preciso registrar que o Congresso Nacional tem uma maioria governista, porque se a presidente da República não quiser essa lei não será aprovada. Ou não é assim? Que representantes, partidos e deputados mesmo da base aliada votam contra os interesses da Presidência da República?!

Sr. presidente, desejo registrar os 40 anos de cassação por esta Assembleia Legislativa do mandato do então deputado estadual Paulo Stuart Wrigth, fato pelo qual esta Casa deve desculpas à sociedade catarinense. Já lá se vão 40 anos e até hoje não se tem muita informação a respeito, mesmo porque se busca não debater muito esse assunto ou o assunto das cassações ocorridas neste Poder durante o período da ditadura militar.

Estaremos na sessão especial de hoje à noite, evidentemente, e gostaríamos de participar de todas as atividades alusivas a Paulo Stuart Wrigth, deputado cassado por ato de covardia de desta Casa há exatos 40 anos, pois o mínimo que esta Assembleia pode fazer é homenageá-lo.

Srs. parlamentares, quero registrar e lamentar o acidente ocorrido na cidade de Lages, na noite de ontem, no bairro Coral, envolvendo viaturas da Polícia Militar, ocasião em que foi a óbito o cabo Marco Antônio Cardoso e no qual resultaram feridos os soldados Ademir Cesar de Oliveira, que teve traumatismo craniano, e Rafael Pedro Machininski, que fraturou o fêmur.

Esse companheiro de 47 anos que foi a óbito, de quem faço questão de apresentar uma foto em que aparece num momento de alegria com a família, deixou quatro filhos; inclusive, o mais novo seria batizado no próximo domingo, deputada Ana Paula Lima, e ele estava trabalhando ontem justamente porque trocou a escala com um companheiro para estar de folga no domingo, dia do batizado do caçula.

Então, esse acidente, que ceifou uma vida, além de ter ferido outros dois companheiros, destruiu laços de carinho, de fraternidade, relações de companheirismo e de amor dentro de uma família. O cabo Cardoso foi um companheiro que sempre participou das diversas atividades realizadas pela Aprasc, inclusive das últimas assembleias nesta Capital.

Creio que a população catarinense inteira conhece a ocorrência, o sequestro das famílias de três gerentes de uma agência do Banco do Brasil no bairro Coral, em Lages, há dois três dias, e o processo de cumprimento do mandado de prisão e de busca e apreensão por parte dos policiais da serra catarinense, especialmente na cidade de Lages. E na adrenalina, no afã de cumprir bem a sua função, duas viaturas acabaram chocando-se.

Os companheiros do meu gabinete estão em Lages para o momento de despedida e para expressar a nossa solidariedade e a nossa tristeza por mais um companheiro que perdemos na faina diária da busca da defesa da sociedade catarinense.

Por último, gostaria de fazer referência, no tempo que me resta, à nova guerra que os Estados Unidos querem produzir no mundo. O governo americano está pretendendo bombardear a cidade de Damasco, uma das cidades mais antigas do mundo, a capital da Síria, uma cidade com 1,711 milhão de habitantes. Pois querem os EUA jogar toneladas de bombas contra aquela cidade, com o pretexto de castigar um governante que, supostamente, é o responsável pelo uso de armas químicas contra a própria população. Supostamente, porque não existe nenhuma prova de que isso tenha ocorrido a mando do governo sírio. Não há prova alguma de que o presidente Bashar al-Assad ou algum integrante do seu governo tenha determinado o uso de arma química contra o seu povo. Não há nenhuma prova! O Pentágono e nenhum governo do mundo tem qualquer prova de que tenha sido o governo sírio ou alguém em seu nome o autor daquela chacina.

Vamo-nos reportar a março de 2003 para lembrar que à época o governo dos Estados Unidos disse que havia prova de que o Iraque possuía armas de destruição em massa. Apoiado nessa afirmação, o governo americano resolveu bombardear Bagdá, a capital do Iraque. Bombardear de muito longe, de milhares de quilômetros, deputado Padre Pedro Baldissera! Eu tive a oportunidade de ver e fiquei indignado com as imagens do centro de uma cidade imensa, uma metrópole, cujos prédios viravam uma única bola de fogo em questões de segundos.

E querem dizer que isso é uma medida humanitária, que tem o objetivo específico de destruir alvos militares, bombardeando um centro de uma cidade inteira. É evidente que dezenas, centenas, milhares de pessoas foram assassinadas, muitas pessoas desapareceram, não ficou sequer o pó para alguém reencontrar. É esse o tipo de guerra que fazem.

É evidente que é condenável o uso de armas químicas, e todo aquele que for responsável por isso, na minha avaliação, deve ser condenado à morte. Mas bombardear, a centenas e milhares de quilômetros, uma cidade, uma metrópole, com o pretexto de derrubar um governante, parece-me uma decisão absolutamente estúpida, injustificável. E fizeram isso no Iraque e no Afeganistão, porque além de derrubar Sadam Hussein queriam também caçar Osama Bin Laden. Para caçar um homem destruíram dois países! e Osama Bin Laden nem estava lá!

Dizem que mataram Osama Bin Laden no Paquistão, também não provaram e não mostraram. E a Al-Qaeda, a organização de Bin Laden, que foi caçada no Afeganistão e no Iraque, destruiu tudo, e agora é aliada da Síria! Durma-se com um barulho desses e entenda-se a humanidade!

Fica aqui o nosso protesto a essa outra tentativa de agressão do imperialismo norte-americano.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)