12ª Sessão Ordinária - 02/03/2011
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados. Até pegando um gancho na palavra do deputado Darci de Matos, acho que foi no ano passado, no final do ano passado, que abordamos esse assunto.
Concordo plenamente que vivemos neste país um momento especial. Se formos analisar de maneira geral a economia do mundo, no país estamos vivendo um momento diferenciado. O problema do nosso país é outro, é totalmente diferente do que acontece na União Européia e do que acontece nos Estados Unidos.
Estamos vivendo um problema de mão de obra qualificada. O país está em pleno desenvolvimento, e o problema maior neste momento, por incrível que pareça, é a mão de obra qualificada. Eu atentava para esse detalhe já no final do ano passado, os problemas que nós temos para qualificar a nossa gente.
É muito fácil um cidadão procurar um curso. Em Joinville temos vários cursos, mas são particulares. Aí ele tem que pagar a matrícula e a mensalidade. Se ele está procurando um curso para se qualificar, normalmente ele está desempregado e deve ter problemas financeiros na família. Como é que ele vai fazer frente a mais uma despesa para se qualificar, se nem a comida na mesa ele está conseguindo colocar?
É importante o que o deputado Darci de Matos falou a respeito de um curso para vigilantes. É um bom começo. Hoje para se contratar um vigia ele tem que ter o curso; se não tiver, não é contratado. Então, o que nós queremos, e vamos lutar e batalhar nesta Casa, é que possamos dar as condições para a nossa gente fazer a sua devida qualificação em vários setores.
No meu escritório regional, que é conhecido como Casa Amarela, em Joinville, até o final do ano passado estávamos atendendo a uma média de 80 a 100 pessoas por dia - uma verdadeira loucura. São encaminhamentos para hospital, outros encaminhamentos, pessoas que precisam de muletas, de cadeiras de roda, que precisam ser internadas, enfim, uma loucura!
Este ano sentei com minha equipe de trabalho na Casa Amarela e falei para eles: se continuarmos assim vamos virar uma segunda Casas Bahia. E não pode, porque não é esse o nosso propósito. Nós queremos ajudar, mas não podemos. Todos os meses é uma romaria: a pessoa que está cadastrada vem buscar uma pia num mês, no outro vem buscar um armário, no outro vem pedir um remédio, e assim vai. Mas não pode! Não é essa a nossa função e não é para isso que fomos eleitos. Temos que estender a nossa mão à comunidade, às pessoas que precisam, mas não podemos fazer disso um clientelismo.
Direcionei o trabalho na minha Casa Amarela em Joinville de forma diferente a partir deste ano. Vamos criar, já fazíamos, mas de forma mais esporádica, mas vamos fazer agora de maneira mais frequente as chamadas oficinas. São pequenos cursos que vamos oferecer às pessoas, em Joinville. Curso de manicure, para ensinar a dona de casa a aproveitar um pequeno espaço e fazer um pequeno canteiro para plantar alface, couve. Enfim, serão vários cursos, como culinária, por exemplo. Isso já fizemos outras vezes e vamos voltar a fazer. Vamos tornar isso mais frequente e gradativamente mostrar para as pessoas que a Casa Amarela não é uma segunda Casas Bahia, não é uma casa aonde as pessoas vão num mês buscar um sofá, no outro um guarda-roupa. Não pode ser assim! Não é para isso que fomos eleitos. Até corremos o risco de ser processados.
Quero abordar aqui, sr. presidente e srs. deputados, um fato ocorrido na segunda-feira passada, na presença dos deputados José Milton Scheffer, Dóia Guglielmi, Manoel Mota e da deputada Ada de Luca, em Morro da Fumaça, capitaneada pelo prefeito Baltazar Pellegrin, com a iniciativa do secretário de governo Acélio Casagrande, em que ficou decidido que os referidos prefeitos arcariam com os custos do projeto para a viabilização do desassoreamento do rio Urussanga, que compreende na bacia hidrográfica os municípios de Morro da Fumaça, Urussanga, Jaguaruna, Sangão, Treze de Maio, Içara, Cocal do Sul e Pedras Grandes.
Naquele local pudemos contar com a participação do prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, que fez um diagnóstico da situação implementada com relação ao desassoreamento do rio Sangão, como também do prefeito de Forquilhinha, Vanderlei Alexandre. E na sequência o município de Siderópolis, na pessoa do prefeito Douglas Warmling, que já está em processo de execução o trabalho de desassoreamento do rio Urussanga.
Nós sabemos, deputado José Milton Scheffer, v.exa. que é oriundo da Epagri, que tem um vasto conhecimento nessa área e conhece muito bem aquela região, quanto é complexo esse projeto, mesmo porque todos os afluentes desembocam lá na barra do torneiro, no limite de Jaguaruna com Içara. É um projeto que exige uma monta, depois de ter sido feita uma simulação prévia por alguns técnicos, de aproximadamente R$ 40 milhões para desassorear o rio Urussanga. E se disponibilizou a participar efetivamente desse projeto a Unesc, que já encabeça os seus primeiros trabalhos para proporcionar a condição de viabilidade a esse projeto. E através de uma parceria com o ministério das Cidades, com a colaboração do secretário catarinense Leodegar Tiscoski, ou através do ministério da Integração, principalmente nesse momento em que o estado está criando a secretaria da Defesa Civil, daremos um amparo mais eficaz, mais prático e imediato aos problemas das cheias que têm ocorrido frequentemente no nosso estado.
Então, vejo com muita expectativa, com muito otimismo essa questão.
Eu percebi que a união dos deputados do sul, e aqui falo dentro de uma ação suprapartidária, de um trabalho que já foi desencadeado pela Aciva, do vale do Araranguá, da Acic, da região carbonífera, e da Acit, de Tubarão, onde foi elencada uma pauta de obras prioritárias dentro de uma ordem decrescente, em que os deputados assumiram um compromisso, independentemente de partidos, de abraçar essa causa, que é a nossa bandeira comum.
Por isso tenho certeza e a convicção de que elaborado esse projeto com a participação efetiva do ministro Mário Negromonte, nosso amigo progressista que está à frente do ministério das Cidades, num trabalho paralelo com o secretário nacional, Leodegar Tiscoski, e a nossa bancada federal catarinense, nós iremos conseguir esses recursos ainda este ano, para que possa ser iniciada a execução do desassoreamento do rio Urussanga, no início de 2012.
É preciso destacar aqui que quando ocorreu a última cheia inúmeras, dezenas de olarias, canchas de arroz e indústrias ficaram debaixo de água por mais de 25 dias, 30 dias, causando com isso um transtorno sem precedentes, um custo altíssimo às empresas e, consequentemente, menos arrecadação, menos emprego, menos oportunidade de renda, menos agregação de valores para a economia do estado de Santa Catarina.
Eu tive também a oportunidade de conversar com o ex-senador Geraldo Althoff e com o deputado Joares Ponticelli, os quais me disseram que há manifestação e o desejo de se proceder ao desassoreamento do rio Tubarão. Eu lembro, ainda, que no ano de 1974, quando era pequeno, muitas vítimas foram ceifadas na enchente ocorrida no município de Tubarão.
Então, esperamos que fatos como esses não ocorram mais, mas é preciso, com certeza, atuar na prevenção, e a prevenção se faz através de um projeto bem tabulado, bem especificado, bem embasado, e com a união suprapartidária do sul, junto com a nossa bancada catarinense, iremos viabilizar os recursos para desassorear o rio Tubarão.
Era isso que eu gostaria de dizer, sr. presidente e srs. deputados.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)