Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

56ª Sessão Ordinária - 22/06/2011

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, trago dois assunto bem pontuais para tratar nesse espaço reservado ao PSDB.

Uma palavra bastante ouvida no meio político e em todos os segmentos onde se quer alguma resolutividade, alguma objetividade, principalmente no serviço público, é a chamada gestão pública. Fala-se muito em gestão, e todos querem que o próximo prefeito da cidade tenha um sentimento de gestão pública, que saiba tratar o bem público, que saiba tratar a cidade como uma grande empresa, procurando enxugar a máquina, objetivar o trabalho da máquina administrativa pública, sem trazer prejuízo àqueles que já estão lá. Fala-se muito disso.

O deputado Kennedy Nunes, que, parece-me, é um dos candidatos à prefeitura de Joinville na próxima eleição, trabalhou bastante para que tivéssemos a região metropolitana naquela cidade. Isso ainda não está configurado, não é, deputado? A coisa está-se arrastando. E v.exas. podem até ter visto o seguinte no jornal A Notícia de ontem, página 8: "Araquari pediu para Joinville ampliar trajeto. Mas não houve acerto."

O que eles querem? Araquari quer que Joinville aumente em 3,5km a sua linha de ônibus urbano, que vá até o trevo com a BR-280, porque Araquari e Joinville já são praticamente irmãs, já eram ligadas uma à outra e agora estão misturadas. Quem entra em Joinville pelo bairro Itinga não sabe se está em Araquari ou em Joinville.

Entretanto, não temos a região metropolitana instalada e não temos ainda o sentimento de gestão por parte de muitos dos nossos governantes. O que acontece é que o problema acaba estourando na população, que tem que andar alguns quilômetros depois que desembarca do ônibus para chegar à sua casa, porque o ônibus não pode passar do limite urbano.

O município de Araquari pediu que o ônibus fosse 3,5km para frente a fim de que pelo menos dois mil moradores tivessem o benefício do transporte coletivo até próximo às suas casas. Ao invés disso, se não estou enganado, não quero cometer uma injustiça, precisam recuar mais porque a empresa de ônibus já passou do ponto estabelecido para o limite urbano, o que significa dizer que cerca de duas mil pessoas vão ter que andar mais.

Tudo isso por conta desta palavrinha mágica: gestão pública! Se houvesse vontade, se houvesse espírito público de gestão por parte de todos da região, a população não estaria pagando um preço caro. Podem dizer que existe a empresa Verdes Mares, que faz o transporte interurbano! Mas a pessoa precisa desembarcar do coletivo urbano de Joinville, da Gidion, depois embarcar na Verdes Mares para andar mais 4km. E assim vai pagar outra passagem. Então, essa região metropolitana pela qual o deputado Kennedy Nunes tanto brigou, que foi aprovada com alegria, na prática não aconteceu!

Esse é o sentimento que quero passar a todos os deputados de Joinville, especialmente ao deputado Darci de Matos e ao deputado Kennedy Nunes, para que possamos unir forças para resolver esse problema e não deixar duas mil pessoas a pé. Aí dizem: "Mas, deputado, v.exa. tem que se preocupar com o estado, duas mil pessoas não significa muito!" Mas temos essa obrigação e significa muito sejam dez pessoas ou apenas uma.

Faço esse apelo ao deputado Kennedy Nunes, que tem sensibilidade e já briga pela região metropolitana de Joinville, e ao deputado Darci de Matos, para que possamos achar uma solução, uma alternativa para isso.

Trago outro assunto, sr. presidente, ainda no tempo que me resta. Estive na Espanha, no mês de abril, e escutei de uma especialista em política ambiental, da cidade de Santander, um relato que me preocupou, porque nosso estado tem uma borda litorânea bastante grande e, segundo ela, o mar está subindo em média 3% ao ano e invadindo as praias. Nem precisaria que ela falasse porque estamos vendo o mar invadir as praias no nosso litoral. Vemos bem isso em Barra Velha e em Piçarras.

Mas, voltando à Espanha, por conta da subida do mar na cidade de Santander, que é banhada pelo oceano Atlântico, existe um projeto nesse sentido e já há, inclusive, uma lei estabelecida que não permite construções em determinados pontos da cidade para evitar que futuramente essas construções sejam invadidas pelo mar. Quer dizer, é um trabalho projetado para o futuro da cidade.

Em Santa Catarina não vejo ninguém preocupado, por exemplo, em construir à beira-mar. Constrói-se muito à beira-mar porque existe a preocupação com o aumento do volume do mar. Mas são 3% ao ano! Se calcularmos, em alguns anos veremos que muitas praias que existem hoje não existirão amanhã, e as casas, os prédios vão estar lá, quer dizer, vão estar na água. Essa é a grande verdade.

Então, é um assunto muito importante para discutirmos na comissão pertinente desta Casa, para que se trate de maneira mais concreta e objetiva esse assunto, que é preocupante para todos nós.

Obrigado, sr. presidente

(SEM REVISÃO DO ORADOR)