76ª Sessão Ordinária - 03/08/2000
O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, me ocupo agora em falar novamente de Segurança Pública.
Temos acompanhado e tecido manifestações a respeito do assunto, que no nosso entendimento é o cimento de todas as atividades humanas realizadas em qualquer País do mundo. Sem segurança pública nenhuma instituição, nenhum cidadão poderia ir e vir, desempenhar sua atividade, viver com sua família com um mínimo de tranqüilidade.
Entendemos que todas as atividades são importantes. A educação é fundamental, à saúde é imprescindível para a qualidade de vida, mas de nada teria significado ou sentido se não houvesse preocupação com a segurança pública.
Dentro desse entendimento, com os 25 anos de experiência que tenho acumulado acompanhando manifestações de dirigentes de categorias de policiais que manifestam toda sua preocupação, sua revolta em relação à questão salarial, e hoje a insatisfação vai desde o mais alto posto até o funcionário mais jovem da instituição, porque todos os quadros estão defasados, pois os policiais, militares ou civis, têm que correr o risco de levar tiro de um marginal profissional ou ter que enfrentar quadrilhas com salários de aproximadamente R$ 500,00 por mês.
Essa é uma exigência que ninguém pode, em sã consciência, atribuir a ser humano nenhum. É de extrema importância que os governantes e este Parlamento se conscientizem dessa realidade, para que possamos oferecer a esses policiais um mínimo de disposição que vá, entre o custo e o benefício, expor sua vida e produzir um resultado mais eficiente.
Hoje posso dizer com toda certeza que a segurança pública produzida no Estado é muito mais pela dedicação dos seus policiais, do que necessariamente por qualquer política adotada em nível governamental. E falo das duas instituições, tanto da estrutura militar como da civil.
Não adianta andar pelo Estado desenvolvendo comentários na imprensa, em audiências públicas, informando que a segurança pública em Santa Catarina está muito bem, está acima da média dos Estados brasileiros, etc. Esse é um discurso que está acabando. E podemos observar pelo recrudescimento dos crimes que estão ocorrendo no Estado. O agravamento do tráfico de drogas, os crimes mais perversos. A estatística ninguém pode negar.
Temos que levar em conta que as operações desenvolvidas hoje, e até faço manifestação neste momento em razão de que um colunista, num jornal de circulação estadual, fez referência que determinados Deputados estão criticando as ações governamentais, no sentido de unificar no mesmo endereço as Polícias Militar e civis, dizendo que estariam contrários porque estariam perdendo ou dividindo currais eleitorais.
Para começar, quero dizer que transito na Segurança Pública com muita felicidade e que dediquei a melhor parte da minha vida no exercício da segurança pública! Aliás, foi em função do desempenho das minhas atividades profissionais como Policial Militar que tive o prazer de conhecer, ainda no gozo da transposição da fase de criança para a adolescência, o hoje brilhante Deputado Joares Ponticelli, quando tive a oportunidade de trabalhar na cidade que lhe acolheu quando veio a este mundo. Depois, com o passar do tempo, a alegria de vê-lo neste Parlamento, acompanhando-nos em um mandato Parlamentar. Então, motivos que a Segurança Pública me ofereceu para ser uma pessoa extremamente realizada.
Dentro das Corporações, seja da Polícia Militar ou da Polícia Civil, tenho grandes amigos, e não sou, como os Parlamentares e a própria sociedade catarinense conhecem, populista, a ponto de achar que aos policiais tem que ter tudo e às demais categorias nada. Muito pelo contrário, as nossas manifestações deixam até um pouco a desejar, em certos pontos, porque não temos a prática do populismo, a prática do classismo exacerbado.
Temos procurado, com muito bom senso, desenvolver a nossa atividade parlamentar defendendo sim, a Segurança Pública, mas dentro de critérios que estão colocados num contexto que leva em conta a qualidade de vida de toda a sociedade.
Digo isso também para informar a quem interessar possa, que até 1992, meados de 92, exerci a função de Delegado de Polícia e Comandante do Destacamento da Polícia Militar em Pouso Redondo, terra natal, repito, do eminente Deputado Joares Ponticelli.
Até aquele momento resisti bravamente a separação das duas Polícias. Usamos de todas as engenharias possíveis para manter as duas instituições, militar e civil, num mesmo endereço.
Na época, o Prefeito era o nosso ex-Deputado João Fritz (?), e nós conseguimos acertar com ele a ampliação do prédio da Delegacia de Polícia, para que construíssemos, no aumento desse prédio, uma parte reservada especialmente para a Polícia Militar.
Então, estaríamos fazendo a separação de meios, a separação da administração, mas não estaríamos separando as duas instituições. Porque o efetivo das duas era insignificante diante da demanda da Segurança Pública e, separadas tornaria muito pior pois a sociedade ficaria vulnerável.
Então, digo isso com toda a tranqüilidade. E digo isso por que? Que resistimos à separação das duas corporações?
Naquele momento, no entendimento dos inteligentes que governavam a Segurança Pública, a única possibilidade existente para resolver os problemas de animosidade entre as duas instituições, as diferenças entre as duas instituições, era separá-las. Porque os objetivos eram outros, a finalidade completamente diferente e não havia razão alguma para manter as duas Polícias juntas, porque elas não se pareciam e não tinham nenhuma similaridade.
Contrapus todos esses argumentos e mantive enquanto pude, onde me era atribuída essa possibilidade, as duas Polícias trabalhando num mesmo endereço.
Falo isso para dizer, agora, com a moral de quem viveu essa experiência, que essa proposta de fazer voltar as duas Polícias num mesmo endereço, nada mais é do que um arremedo triste, de uma volta ao passado sem o enfrentamento das razões que separaram as duas Polícias naquela época.
É essa a preocupação que manifesto! Com essa responsabilidade é que falo sobre a Segurança Pública! É com essa experiência, que o cidadão catarinense não pode esquecer, e foi amplamente divulgada na época. Mas o atual Deputado Heitor Sché, quando foi Secretário de Segurança Pública, chegou a propor que a Polícia Civil também exercesse a finalidade de policiamento ostensivo e preventivo porque havia discussão até nesse particular, que é a questão do policiamento ostensivo e preventivo não ser atribuição exclusiva da Polícia Militar. E a Polícia Civil também tinha esta atribuição.
Nós vivemos este triste fato na Capital do Estado e esta situação nunca fora desfeita. As diferenças continuam vivas, como sempre estiveram, e a aproximação das duas polícias representa alguma solução para a segurança pública.
Nós queremos dizer aqui, relembrando o passado, que este é nada mais nada menos do que um processo que significa um triste arremedo dos erros do passado.
O que nós queremos efetivamente é discutir a nova forma de fazer segurança pública. Nós estamos desafiando os governantes, e aí não estou falando especificamente do Governador Esperidião Amin, estou falando de toda a equipe governamental que integra este Governo e que tenha um mínimo de compromisso com a segurança pública, para que abram a discussão.
Não estou aqui enfrentando a possibilidade da aproximação das polícias, porque sou defensor da polícia única e só acredito na grande possibilidade de melhor qualidade na segurança pública através da polícia única, mas polícia única é muito diferente e está muito longe do que simplesmente levar duas polícias distintas, confrontantes em muitos pontos, para trabalhar dentro de uma mesma sala, que em muitos Municípios não atende sequer uma das polícias, quanto mais juntando as duas por falta de recursos.
Quero dizer também que o Secretário da Segurança Pública deve estar extremamente mal informado quando contesta as declarações do Presidente da Federação Catarinense de Policiais Civis quando este diz que em alguns Municípios falta tudo e o Secretário da Segurança diz que não falta nada. Infelizmente, o Presidente da Federação Catarinense de Policiais Civis está certo e, infelizmente, também, o Secretário está totalmente desatualizado em relação a muitos Municípios do Estado.
É lamentável dizer isso, porque depois de ter dedicado a melhor parte da minha vida à segurança pública, estar aí ainda se debatendo com questões primárias, que é o que podemos dizer aqui, que é o termo adequado para este momento, o feijãozinho com arroz, que não era mais assunto para ser debatido agora, a segurança pública tinha que ter, no mínimo, autonomia para administrar neste particular.
O outro assunto que eu acho de grande importância para ser tratado nesta tribuna é com referência aos trabalhos da CPI do Narcotráfico e da Macrocriminalidade. Nós temos sido cobrados por vários segmentos da imprensa, da própria sociedade e por algumas autoridades também de que a CPI não repassava nenhuma informação à imprensa e que ela teria sido cobrada de maneira vaiada, com muita intensidade, sobre a sua verdadeira intenção.
Desde o começo nós tivemos discussões extremamente importantes e profundas em nível de CPI, onde tantos Deputados, como membros da força-tarefa - e aqui nós fazemos questão de relacionar como membro da força-tarefa o Ministério Público Estadual, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Federal, a Polícia Militar e a Polícia Civil, além da participação da Ordem dos Advogados do Brasil...
Nós sempre tivemos pontos conflitantes e em alguns momentos alguns integrantes da CPI ou da força-tarefa defendiam a divulgação da imprensa, outros discordavam, mas o processo democrático da CPI acabou sempre prevalecendo de maneira harmoniosa e tranqüila.
E as decisões sempre foram adotadas em função da responsabilidade que estava atribuída ao Poder Legislativo, na medida em que cria um órgão - Comissão Parlamentar de Inquérito - para investigar a macrocriminalidade e o tráfico de drogas. E não podia o Poder Legislativo, através de um dos seus membros, simplesmente começar a citar nomes de acusados sem nenhum fundamento, só porque foi assunto de um telefonema dado através do disque-denúncia.
Custou-nos, em momentos de grande dificuldade, administrar esse conflito: há necessidade da imprensa, pela informação; há necessidade da própria CPI em passar essas informações para a sociedade, e sempre tivemos a consciência de que é através dessas informações, da produção de resultado que a sociedade aumentaria a sua credibilidade, que com a CPI poderíamos ter uma participação maior da sociedade, mas tínhamos o zelo, a responsabilidade em não expor nomes de pessoas que poderiam ser desgastados sem nenhum envolvimento. E agora, chegando na reta final, onde algumas vertentes de investigação da CPI começam a produzir resultados, podemos começar a falar. Não é verdade, Deputado Pedro Uczai?
E gostaria de levantar um episódio para justificar tudo isso que estamos dizendo: quando a CPI esteve em Tijucas, naquela audiência que foi realizada no Fórum, o policial civil Josué Schlemper fez uma denúncia, entre os vários pontos, dizendo que o Pavan, que tem o mesmo sobrenome, conforme o policial Josué Schlemper citou, do Prefeito de Balneário Camboriú, que era parente do Prefeito, mas não sabia em que grau, era traficante de drogas.
Procuramos investigar ao máximo este assunto, porque em nada interessa aos membros da CPI, até da força-tarefa, chamar para si a responsabilidade que é de outras pessoas. Tivemos, então, a difícil missão de investigar esse episódio. E por morar em Balneário Camboriú e ser uma área que tenho um conhecimento mais profundo, foi-me atribuída a missão de levantar essa vertente de investigação.
E nós, neste trabalho, fomos buscar a profundidade e detectamos, num determinado momento, que havia uma confusão de nomes, que o nome não se tratava da família Pavan, mas de outra família de nome muito parecido, que é Pavão, o mesmo nome daquela ave que todos conhecemos. E em função dessa semelhança, acabou-se, então, envolvendo o nome Pavan, que é um nome muito mais conhecido no Estado de Santa Catarina.
Diante desta situação, procuramos fazer o trabalho investigativo e estivemos sempre em contato com a Polícia Federal. Fizemos um contato para buscar informações com pessoas da cidade de Balneário Camboriú, de Itajaí, de Camboriú, enfim, de uma região de Brusque, uma região bem ampliada, onde pareciam existir as vertentes, e acabamos culminando, no dia 1º, com um grande feito policial em Santa Catarina, porque, numa das pouquíssimas vezes, conseguiu-se prender traficante, prender a droga, com nove traficantes, e o desmonte de todo o esquema de atuação da quadrilha presa. É um dado extremamente importante.
Se 24 quilos e 700 gramas de cocaína podem não ser muito representativos com relação à apreensão de 1 tonelada e meia de maconha aqui na Palhoça, há pouco tempo, contudo, apreendeu-se uma grande quantidade de droga e o transportador, nesse episódio de Itajaí, culminou com o trabalho das Polícias Federal e Civil, com a participação da Polícia Militar na prisão de nove integrantes; de uma pistola Glock, vejam o requinte, invisível ao sistema de Raios-x dos aeroportos (pode ser transportada e não é percebida); foram apreendidos 9.000 dólares americanos; R$30.000,00 em dinheiro e uma farta documentação que mostra claramente o envolvimento de empresas de revenda do setor de automóveis, que é a fachada dessa quadrilha de tráfico que envolve essa empresa de revenda de automóveis que nós vamos omitir o nome neste momento, que tem ramificações na região de Balneário Camboriú, de Brusque e de Ponta Porã, no Mato Grosso, que seria todo o elo de ligação entre o tráfico e transferência de dinheiro, etc., e também o desmonte da conexão completa dessa quadrilha até Ponta Porã.
Então, uma tarefa que nasceu através do trabalho da CPI, com a devida responsabilidade de investigar, que agora culmina com resultados estupendos. E nós temos na relação de atividades da CPI inúmeras diligências sendo realizadas, inúmeras vertentes de investigações que culminarão em resultados eficientes e que vão, sobretudo, honrar a sociedade catarinense pela responsabilidade com que a CPI está levando adiante os seus trabalhos diferentemente. E agora quero fazer uma menção à CPI Nacional, onde um dos seus membros, o Deputado Pompeu de Matos - e é por isso que faço referência - teve a ousadia de criticar a reserva com que a CPI estadual realizava suas audiências, sempre por solicitação das testemunhas, em caráter reservado, e ele, questionava.
Eu quero dizer agora que a crítica feita por aquele eminente Deputado - aliás, é o único deslize que conheço de toda a sua vida política - foi absolutamente infundada, porque enquanto a CPI Nacional faz alguns teatros em algumas cidades brasileiras, onde o resultado mostrou-se pífio, nós, pelo contrário, trabalhamos no caminho inverso sem sensacionalismo e acabamos culminando com os resultados que agora começam a aparecer de maneira extremamente forte e definitiva.
O Sr. Deputado Pedro Uczai - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - Pois não, V.Exa. é um dos membros mais atuantes desta CPI.
O Sr. Deputado Pedro Uczai - Deputado Jaime Mantelli, em primeiro lugar, gostaria de dar parabéns a V.Exa. por trazer ao Plenário uma das experiências da CPI, mostrando, com mais visibilidade para a sociedade catarinense, um resultado concreto.
Nós esperamos que, mesmo terminando a CPI, os resultados concretos vão se dar a médio e a longo prazo pelos indícios, pelos depoimentos, pelas denúncias que vão se juntando e se articulando no crime organizado e também no narcotráfico aqui em Santa Catarina e a relação com os outros Estados.
Em segundo lugar, efetivamente esta CPI traz isso à tona, e não é por acaso também que vários pronunciamentos dão-se aqui por membros da CPI falando acerca da nova segurança pública. Inclusive este Deputado, que não é da área, tem ousado às vezes alguns comentários e algumas posições da necessidade efetiva de discutir uma nova segurança pública no Estado de Santa Catarina e no País, que passa pela unificação das polícias, que passa por uma nova política de cargos e salários e de carreira desse setor, que passa por perspectiva estratégica de valorização da segurança pública, garantindo a segurança dos cidadãos como também uma articulação dessas várias forças policiais em nível nacional e estadual.
Em terceiro lugar, quero dizer aqui que nós gostaríamos de ter ido mais à frente na CPI, mas não faltaram esforços de V.Exa. e deste Deputado em priorizá-la. Não podemos dizer a mesma coisa de outros Parlamentares que não participaram da CPI.
Se todas as Bancadas desta Casa tivessem priorizado a CPI e a investigação, com certeza nós teríamos muito mais resultados antes de concluir o próprio trabalho e o relatório final.
Por isso a Bancada do PPB tem que explicar para a sociedade catarinense por que o PPB não participou da CPI. Esta Bancada precisa explicar! O PPB não tem interesse em investigar o narcotráfico e o crime organizado. Qual é o interesse em não participar da CPI? Estou dando um exemplo. Depois, nos outros pronunciamentos, eu vou dar, porque agora estou aparteando aqui.
Em quarto lugar, quanto a essa experiência que está sendo construída e ainda na próxima semana estará no Oeste de Santa Catarina se instalando, o que começou a me chamar a atenção é que agora, Deputado Jaime Mantelli, tem um resultado efetivo, além de outras prisões que ocorreram no Sul do Estado, na região Norte e aqui na região de Tijucas.
A essa experiência que desbaratou uma quadrilha em Itajaí a imprensa deu pouca divulgação, muito pouca divulgação, quase que nota de rodapé. Num outro momento a imprensa cobrava de nós resultado. Agora vem o resultado, e a imprensa não socializa para a sociedade esse resultado da CPI junto com os Parlamentares e com a força-tarefa, para o qual V.Exa. teve um papel fundamental, nesse caso específico.
Então, são preocupações que fazem este Parlamento ampliar o debate democrático, discutir uma nova segurança pública, discutir por que alguns setores e algumas forças políticas frearam, atravancaram e não participaram do debate de investigação da CPI, como também buscar, com a finalização desta CPI, discutir seminário de segurança pública, discutir outras alternativas para que efetivamente o crime organizado e o narcotráfico não se proliferem e não se ampliem, mas efetivamente diminuam, no Estado de Santa Catarina.
Em relação à CPI nacional, tenho dois tipos de posição: um elogiável, pois são mais de 300 presos, inclusive Deputado Federal, Deputados Estaduais, lideranças, Juiz, que teoricamente não seria possível chegar até lá; e, por outro lado, tenho também a posição de crítica, por expor determinadas testemunhas. Estão lá mais de 20 mortos que iriam depor, que foram mortos a partir da CPI nacional.
A minha crítica é essa, e também comungo com V.Exa., mas por outro lado tenho um elogio à CPI nacional, pela ousadia que teve em colocar 300 pelo menos na cadeia, principalmente Deputado Federal e Deputado Estadual.
O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - Faço minhas as suas palavras, Deputado Pedro Uczai, especialmente no que se refere às posições com relação à CPI nacional, porque eu tenho exatamente a mesma visão. Por isso particularizei a minha crítica ao Deputado Federal Pompeu de Matos, que é do meu Partido, porque foi ele individualmente que teceu o comentário. Sobre os resultados gerais, eu também comungo com a sua opinião de que foi altamente positivo.
A Sra. Deputada Odete de Jesus - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - Ouço com muito prazer sempre a abalizada manifestação da Deputada Odete de Jesus.
A Sra. Deputada Odete de Jesus - Deputado Jaime Mantelli, nós em viagem que fizemos a Porto Rico conversamos muito. Participamos, foi um encontro muito produtivo, e discutimos sobre a CPI do Narcotráfico. Inclusive, V.Exa. comentou sobre a importância da CPI, e eu falei do meu interesse em participar. Faço parte da Bancada do PPB e tenho interesse em participar.
Não sei dos demais Deputados, não sei a opinião deles, mas se o Deputado da minha Bancada não participou, eu não respondo por ele; de repente ele estava ocupado com outros trabalhos, porque o trabalho de um Deputado não é fácil.
Esse é o meu primeiro mandato, temos trabalhado muito, dormimos pouco, não temos horário nem para se alimentar. Então, se o meu colega de Bancada, que faz parte, não participou, não posso responder por ele. Eu gostaria de participar, já manifestei a minha vontade para V.Exa. e quero que fique registrado.
O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - E nós deveremos fazer acontecer nos próximos dias a sua participação nos trabalhos da CPI, que com certeza serão de grande importância.
A Sra. Deputada Odete de Jesus - Fico agradecida, Deputado.
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - Pois não!
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Eu também quero cumprimentá-lo, Deputado Jaime Mantelli, pela forma responsável com que V.Exa., o que lhe é peculiar, sempre usa essa tribuna.
Agora, eu não posso calar também. Assim como a minha companheira, a eminente Deputada Odete de Jesus, já se manifestou, eu também, como integrante da Bancada do PPB, não posso calar diante da forma irresponsável com que o Deputado Pedro Uczai usa essa tribuna.
O Deputado Pedro Uczai não pode generalizar! Não pode. Aqui estamos eu, a Deputada Odete de Jesus, que já se manifestou, o nosso Deputado-Presidente, Gilmar Knaesel, que não temos absolutamente nada a ver com a CPI, não somos integrantes da CPI, portanto, que não podemos ser, de forma leviana, acusados por omissão.
O nosso Partido tem um representante na CPI. Se não participou, essa é uma questão que deve ser discutida com a Liderança e com o próprio Deputado. Agora, não tem o direito, o Deputado Pedro Uczai, de vir aqui e generalizar, envolver o nome do Partido. Não tem direito S.Exa.
Por isso, também quero, a exemplo da Deputada Odete de Jesus, manifestar a minha indignação com essa manifestação do Deputado Pedro Uczai, no meu ponto de vista, leviana.
Muito obrigado, Deputado Jaime Mantelli.
O Sr. Deputado Pedro Uczai - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - Pois não!
O Sr. Deputado Pedro Uczai - Nós, aqui, fizemo-nos como forças políticas, e nas forças políticas que deram a composição da CPI foram 38 votos a favor. A composição foi por Partidos Políticos que indicaram seus membros. Logo, para mim tem, por um lado, a responsabilidade individual, e não é... E também a responsabilidade política da Bancada...
Se percebe-se a não-participação do Parlamentar individualmente numa tarefa que o Partido lhe determinou, o Partido poderia fazer uma avaliação e poderia tê-lo substituído.
Então, é essa a crítica que eu faço, eis que muitas vezes o próprio Partido que indicou um Parlamentar poderia ter revisto a situação para que outro pudesse estar contribuindo com a CPI. E a minha crítica não foi nem irresponsável nem leviana, porque não tenho em nenhum momento esta intenção de desqualificar um Partido Político.
Eu estou fazendo a crítica ao Partido Político que não teve a condição de fazer a avaliação da atuação do seu Parlamentar na CPI, que não avançou, a CPI, em muitos pontos, porque nós tivemos poucos Parlamentares atuando. E dizer isso é dizer com muita tranqüilidade que se tivesse, a Bancada, através do seu Parlamentar, atuado com mais força, com mais responsabilidade, tenho certeza de que a sociedade catarinense poderia ter mais resultados positivos, além daqueles que estão ocorrendo.
Então, não fiz nenhuma crítica leviana ao PPB, não fiz nenhuma crítica irresponsável ao PPB; eu fiz, sim, no seguinte sentido: se um Parlamentar que participa da Bancada do PPB não deu conta, é responsabilidade do Parlamentar e da Bancada - como eu vejo a mesma coisa para o PT. Sou da Bancada do PT lá na CPI. Se eu não dou conta do recado, terei responsabilidade de responder à minha Bancada e ao Parlamento pela minha não-atuação naquela Comissão, que é de fundamental importância e que foi suprapartidária. Foi suprapartidária, de 38 Parlamentares que utilizaram dessa prerrogativa para compor a CPI.
Então, não tenho essa intenção. Eu acho que esse tipo de colocação, de leviandade e de irresponsabilidade não cabe nem a este Parlamentar nem a um Parlamentar que participa da CPI. E não disse que o Deputado Nelson Goetten teve alguma atuação leviana ou irresponsável. E não disse nem que o PPB teve. Eu disse que houve omissão da participação desse Parlamentar, mas não só desse, como de outros Parlamentares, na CPI, também. E eu vou ter oportunidade de me pronunciar.
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - Pois não!
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Eu só queria... Talvez eu não tenha ouvido... Eu até vou consultar em seguida a Taquigrafia, porque talvez eu não tenha ouvido direito, ou o Deputado Pedro Uczai tenha tentado me confundir.
Mas eu tenho a impressão de ter ouvido que ele estranha a não-participação do PPB. Que estranha a não-participação! Para isso existem expedientes administrativos, e eu não sei se foram tomadas as providências. Vou questionar. Inclusive, haverá uma reunião da nossa Bancada depois da sessão, vou levar essa questão, porque, volto a insistir, são comportamentos que o Deputado Pedro Uczai usa com muita freqüência.
Volto a insistir, quanto à acusação irresponsável ao meu Partido, vou levar este assunto para a reunião da Bancada, Deputada Odete de Jesus. Nós teremos uma reunião em seguida, vamos discutir esta questão, porque eu não concordo, assim como V.Exa. já se manifestou, não concordo com essa acusação irresponsável, que fez agora há pouco o Deputado Pedro Uczai.
Muito obrigado!
O Sr. Deputado Pedro Uczai (intervindo) - Desculpe-me, quem sabe V.Exas. deveriam, então, a Bancada, se está assumindo a responsabilidade dois meses atrás, quando não tinha presença. Olhem nas nossas atas, das quarenta reuniões, quando foi que um Parlamentar da sua Bancada participou lá! Como não participou, agora que está terminando a CPI, não tem muito para decidir. Então, teria que ter decidido, sim, com responsabilidade, enquanto Bancada, a participação ativa na CPI.
Se o Parlamentar do PPB não participou da CPI, logo a Bancada do PPB não participou da CPI, e por isso tem que ter responsabilidade, sim. E espero que a Bancada tenha uma decisão responsável sobre o final dessa CPI e que dê resposta, também, enquanto Governo e enquanto membro da CPI do PPB na CPI, para a sociedade catarinense, porque nós vamos cobrar.
O SR. DEPUTADO JAIME MANTELLI - Para finalizar o meu pronunciamento, até porque em parte entendemos realmente importante, precisamos informar que entre os presos estão as seguintes pessoas: Maria Lúcia Vaz, Osório de Souza Reis, Cristiano Vaz da Rosa, Mário Luiz Schmidt da Silva, Sandra Dias Pavão, Flávio Júnior Nascimento de Azevedo, Laureci Pereira, Rosana da Silva e Sueli Nascimento de Azevedo.
Está pedida a prisão preventiva de Jarvis Ximenes Pavão, da sua mulher, Adriana Nascimento de Azevedo, e da sua filha, Sueli de Azevedo Nascimento, por serem já devidamente identificados, sendo que o Jarvis Ximenes Pavão, a sua esposa e a sua filha não foram presos em flagrante, mas está muito bem caracterizado que são os líderes da quadrilha.
Então, queremos registrar nos Anais da Assembléia Legislativa este trabalho importante e que muitas vezes ainda haveremos de retornar para trazer a prestação de contas de trabalhos que foram começados na CPI e que serão terminados após a sua existência, mas que tiveram origem nos trabalhos desta Comissão Parlamentar de Inquérito.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)