Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

19ª Sessão Extraordinária - 17/05/2006

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. presidente e srs. deputados, eu quero voltar ao tema da greve do Magistério e vou ler a nota que foi estampada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação, que diz que a greve foi composta por vários passos. No começo, o governo dizia que não tinha dinheiro. Foi quando, então, os professores, com a sua persistência, determinados, resolveram parar numa assembléia em Curitibanos, no dia 30 de março. Em seguida, veio a primeira audiência com o governador, o qual aceitou a primeira reivindicação dos professores, que era a incorporação dos abonos, mas dizia que só ocorreria em 2007, só no ano que vem. Depois, os trabalhadores da Educação fizeram um grande movimento em Florianópolis, que culminou com o fechamento parcial das pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos. Logo em seguida, houve uma audiência com o governador, quando ele já aceitava a proposta de um aumento de R$ 1,50 no vale-alimentação, mas que iria incorporar a metade do abono em até sete vezes. Os professores, então, se sentiram mais uma vez ofendidos pela contraproposta do governo. E tudo isso dizendo que não havia recursos no Tesouro.

Mas eu estava aqui falando com o deputado Vieirão, que trouxe os valores das diárias. Então, se fizermos, deputado Gelson Sorgato, nos quatro anos, uma projeção como essa que foi feita no primeiro trimestre de 2006 pelo referido deputado, veremos que o governo do estado gastou somente com diárias de assessores o valor de R$ 240 milhões ou, em dólares, US$ 120 milhões. E o governo vai para a categoria do Magistério propor um aumento de R$ 1,50. Não paga nem uma coxinha para o nosso professor, aquela coxinha que se compra no barzinho.

Então, o Magistério se sentiu agredido e disse "não" ao governador! O Magistério disse que não aceitava a proposta e que iria à luta!

Eis que, no dia de ontem, ocorreu mais uma rodada de negociação e o governo disse que estava escondendo o jogo, que não era bem assim, que dava para melhorar um pouco a proposta e que aceitava a incorporação da metade do abono, R$ 100,00, em três vezes. E o Magistério novamente disse "não".

Isso está acontecendo semana após semana. O governo vem aumentando um pouquinho a proposta, o que é um desrespeito com o Magistério, deputado Duduco, o que é também um desrespeito com as nossas crianças. O governo está brincando de negociação quando a coisa é séria! O governo tem que fazer a proposta, acelerar as negociações, deputado Gelson Sorgato! Não pode ser assim!

Então, é preciso fazer na prática a opção de priorizar a educação. É por isso que eu faço aqui esta manifestação fazendo um apelo à secretária da Educação, aos secretários da Administração, da Fazenda, da Articulação do governo do estado e, sobretudo, ao governador Pinho Moreira, como também àquele que paira, que ronda, que é o governador licenciado, deputado Gilmar Knaesel, porque para falar no microfone da Assembléia ele está vivo, está ativo, mas para discutir o problema da greve, ele se finge de morto e diz: "Não é comigo, é com o Pinho Moreira".

Espera aí! Os nossos professores estão precisando de uma resposta séria! Não pode ser essa enrolação, essa brincadeira! Mas assim como os professores foram à luta, eu vejo em nosso estado uma movimentação importante de vários setores.

Quem dos deputados aqui presentes tem memória política e lembra, num passado recente, nos últimos dez, 15, 20 anos, de uma greve com a expressão que ocorreu como a greve dos médicos? Porque, deputado Pedro Baldissera, os médicos estão greve; os professores estão em greve; os trabalhadores do transporte coletivo da capital, motoristas e cobradores, estão em greve; os agricultores de Içara estão aqui mobilizados, ontem fizeram um grande tratoraço em Içara e hoje lotaram as galerias da Assembléia dizendo: "Mina não", contra a lavra do carvão!" Os rizicultores do sul do estado fecharam a BR-101, estão comandando o fluxo dos caminhões naquela rodovia. Nós vimos, dias atrás, professores e estudantes da Udesc mobilizando-se.

Então, há uma retomada das lutas, porque, infelizmente, a coisa é cíclica. Primeiro, os candidatos à Presidência da República, ao governo fazem as suas promessas e alimentam a esperança do povo. Depois que assume o governador, o presidente da República, vem a expectativa. Primeiro, vem a esperança, depois, a expectativa. Depois da expectativa, na terceira fase do ciclo, vem a frustração. Depois da frustração, vem a dor, a dor de ter confiado, de ter viabilizado o projeto político, de receber o não, o troco. Depois da dor, cai a ficha e vem a reação.

O povo reage, e nessa reação vem a luta, e a esperança é reacendida. E nesse momento, olhando para o nosso estado, olhando para Santa Catarina, vejo agricultores, estudantes, médicos, professores, operários, motoristas, cobradores, voltando a se mobilizar, dizendo: não podemos esperar por políticos, temos que buscar os nossos direitos e as nossas conquistas. Chega de enganação!

É isso que Santa Catarina está dizendo. Está despertando vagarosamente para essa situação.

O Sr. Deputado José Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Pois não!

O Sr. Deputado José Carlos Vieira - Eu quero concordar com v.exa., deputado Afrânio Boppré, quando fala dessa desesperança que tomou conta de Santa Catarina e do Brasil. Ontem estive na cidade de Blumenau, anteontem lá no planalto norte catarinense, onde dividimos um grave problema na agricultura e no setor madeireiro. Mas quero dizer, deputado Afrânio Boppré, que eu creditaria quase a totalidade do problema à falta de uma política de crescimento nacional. Nós estamos estagnados, nós estamos parados.

Quando um país como o nosso está parado, todos sofrem, todos os setores, desde os médicos, os advogados, os professores, os agricultores, enfim, tudo fica paralisado. Os governos ficam paralisados, os municípios não são culpados, mas estão paralisados. Nós precisamos lutar pelo crescimento do país, é preciso mudar a política econômica nacional.

O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Muito obrigado, deputado.

Eu agradeço a oportunidade, sr. presidente e srs. deputados!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)