42ª Sessão Ordinária - 30/05/2006
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, srs. deputados e sras. deputadas, ao ler a manifestação enfurecida, segundo noticiou a imprensa estadual, de s.exa., o governador candidato licenciado, Luiz Henrique da Silveira, na tal reunião do PMDB, no último sábado, acerca da greve dos professores, fiquei assustado, deputado Paulo Eccel.
Parece-me que o candidato até agora disfarçava um pouco se apresentando como um bom moço, tranqüilo, transferindo para o governador de plantão todas as pendências que ficaram, até a equiparação salarial do professor do estado ao professor de Joinville, como foi prometido, porque na campanha quem fez aquela promessa firme, contundente o tempo todo de que pagaria ao professor do estado o mesmo que se pagava ao professor de Joinville, não foi o sr. Eduardo Pinho Moreira, mas, sim, o governador candidato licenciado, Luiz Henrique da Silveira, que colocava e tirava do bolso aquele tal Plano 15, aquele que só tinha capa, sem conteúdo nenhum e apresentava, todos os dias aquele livrinho, dizendo que continha a fórmula para a solução de todos os problemas e que inclusive iria pagar ao professor do estado o mesmo que se paga ao professor de Joinville.
E o que se vê hoje, deputado Paulo Eccel e deputado Vieirão? A greve está entrando no 34º dia e o governador Luiz Henrique da Silveira - porque é ele que continua mandando - ao invés de tentar restabelecer o diálogo, de acalmar os ânimos, de encontrar uma solução para atender o mínimo que o sindicato está reivindicando, nada faz. E convenhamos, deputado Antônio Carlos Vieira, é a pauta de reivindicações de greve menos exigente que já se apresentou em qualquer momento da história catarinense. Nunca se pediu tão pouco numa pauta reivindicatória de grevistas. Nunca, se pediu tão pouco! O que os professores querem é apenas a incorporação do abono salarial que está sendo pago. Portanto, estão pedindo o mínimo.
Srs. deputados, o incremento na folha com a incorporação desse abono é insignificante para o Orçamento do estado. Mas nem isso, o governador candidato licenciado, permite que seja atendido. Ele deveria determinar o restabelecimento do diálogo para por um fim à greve, para restabelecer a normalidade, para fazer com que os pais fiquem tranqüilos sabendo que seus filhos vão sair de casa, vão passar quatro horas na escola, recebendo a instrução para depois voltar para casa. Ao contrário do que está acontecendo, os alunos saem de casa não sabendo se vai ter aula. Tem uma aula, outra não tem e ficam soltos, sem terem o que fazer nesse período. E o governador candidato ao invés de determinar que seja feita a incorporação, radicaliza.
Fez um discurso enfurecido, agressivo, desrespeitoso aos grevistas. Logo ele que se apresenta como democrata, que sempre apoiou os movimentos grevistas. Recordo-me do comportamento da bancada do PMDB quando, em governos passados, em governos nossos, o sindicato entrava em greve, a bancada do PMDB era tão diligente, era tão ágil na busca da solução do problema. E agora, o tal governador democrata manda radicalizar. Além de ter mandado cortar o salário, deputado Antônio Carlos Vieira, determinou o não-pagamento nem que as aulas sejam repostas, nem que os professores voltem, ele quer que pague mais.
Acho até que ele não quer que os professores voltem. Talvez seja uma forma de fazer economia, ou seja, tirar do professor para pagar as promessas fáceis do tal do Fundo Social, para pagar os convênios sem fundo, por esse estado afora, para pagar as subvenções sociais, para honrar compromissos que eu sei, estão sendo cobrados aqui por pessoas a quem disse: "olha, pode mandar o projeto porque o dinheiro vai sair".
Srs. deputados, agora, parece-me que a alegria dos representantes do governador aqui já não é tão grande, porque já tem muita promessa esquecida, muito convênio assinado, muito compromisso de parlamentar com entidades, com associações, com clubes e já não sabem mais se o dinheiro vai chegar, pois já não têm mais dinheiro para isso. Talvez por isso o governador Luiz Henrique da Silveira, aquele que disfarça que está licenciado, mas que é quem continua mandando de fato, tenha mandado tirar o salário do professor para honrar parte das inúmeras promessas que fez e já não consegue mais cumprir.
Por isso que a coluna do sindicato, publicada no Jornal ANotícia de hoje, traz a seguinte manchete: "Luiz Henrique da Silveira mostra face autoritária". Para este deputado não é novidade nenhuma. Há três anos e meio eu e a minha bancada alertamos: "é lobo em pele de cordeiro". Esse democrata aparente, democrata só por fora é um autoritário e demonstrou isso todo o tempo com essa Casa Legislativa. O tratamento que esse governo, comandado por Luiz Henrique da Silveira, dispensou não foi diferente do tratamento que está dispensando aos professores agora, com um comportamento autoritário, prepotente, de quem se apresenta como democrata, mas que não sabe o que isso representa.
Dá para compreender a razão, afinal de contas já mostrei nessa tribuna a ficha dele: um funcionário exemplar da Dops, no período de 1958 a 1966. Por oito anos, deputado Reno Caramori, a Dops o teve como servidor exemplar. E na ficha funcional - para quem quiser eu tenho cópia - constam diversos elogios ao funcionário exemplar da Dops, Luiz Henrique da Silveira. Quando eu trouxe essa ficha do funcionário exemplar e elogiado pela Dops, alguns colegas até me questionaram se não estava sendo um pouco duro, se não estava sendo rigoroso ao trazer aquela matéria. Mas agora, ao ler essa manchete, essa declaração do nosso Sinte, "Luiz Henrique mostra a face autoritária", consigo compreender que aqueles elogios que constam da ficha do funcionário exemplar da Dops, Luiz Henrique da Silveira, produziram efeitos na sua juventude que estão sendo utilizados até os dias atuais, como autoritário e arrogante. Foi assim que se declarou na reunião do PMDB de sábado numa demonstração de desrespeito aos professores que legitimamente estão reivindicando um pedacinho, um pouquinho de tudo aquilo que foi prometido durante a campanha pelo candidato, por aquele que continua candidato Luiz Henrique da Silveira.
Não acredito, deputado Reno Caramori, que ele possa enganar de novo. Enganou uma vez, enganou os professores, enganou os estudantes universitários, enganou a gente catarinense fazendo promessas sem fim, mas agora, na reta final do governo, fugindo de todas essas promessas que fez, sem dinheiro para honrar a maioria dos convênios que irresponsavelmente assinou e tratando do jeito que está tratando os servidores da educação, certamente haverá de ter uma resposta contundente também nas urnas deste ano.
Eu não tenho dúvida de que a sociedade catarinense não vai esquecer do tratamento que recebeu, em especial os professores, os pais dos alunos, preocupados que estão com esta greve que já dura mais de 30 dias, com o governo radicalizando, fechando cada vez mais o diálogo. Certamente todas estas pessoas vão saber promover as mudanças nas eleições deste ano.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)