Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Rogério Mendonça

38ª Sessão Ordinária - 27/05/2004

O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, na semana que passou usei esta tribuna para fazer referência a uma reportagem tendenciosa, com a intenção de ferir, de macular a imagem do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Tentaram passar uma imagem para o mundo inteiro de um Presidente vacilante sob os efeitos constantes da bebida.

Quem fez essa reportagem foi um jornalista do jornal New York Times. E quem ousaria colocar em dúvida esse jornal, um dos mais conceituados e que tem uma das maiores tiragens do mundo - ainda mais nós, do Terceiro Mundo?

Quando o Ministério da Justiça pediu a expulsão do jornalista responsável pela reportagem, sob a alegação de que havia se baseado em uma fonte não confiável, quase que o mundo veio abaixo, na verdadeira concepção da palavra, quase que o mundo desceu e veio para o Brasil. Mas pela reportagem de ontem do New York Times, Deputado Afrânio Boppré, parece que o mundo todo vai ter que subir.

Esse mesmo jornal, o New York Times, reconheceu, em editorial de primeira página, que utilizou fonte não fidedigna, quando disse que o Iraque tinha armas nucleares, que o Iraque tinha armas químicas. Teve a coragem de reconhecer que errara! Reconheceu que aquela fonte não era fidedigna!

Mas as coisas não são tão simples assim, porque fruto daquelas reportagens, a opinião pública americana facilitou, induziu, permitiu - usem o verbo que acharem melhor - a invasão do Iraque. Fruto daquelas reportagens, milhares e milhares de iraquianos, americanos, ingleses (e até brasileiros, porque o Embaixador brasileiro na ONU morreu em Bagdá) morreram. Fruto daquelas reportagens e de alguns loucos que se utilizaram dessa imprensa, um país foi destruído!

E agora, simplesmente publicam um editorial como se nada tivesse acontecido e dizem que tudo foi um engano! Eles se enganaram, quando afirmaram que o Iraque possuía armas químicas e nucleares! Mas a verdade é que um país foi destruído em função daquelas afirmações!

Sr. Presidente, a fonte mentiu, o jornal mentiu e um país foi destruído! Tanta gente no mundo inteiro foi enganada, tanta gente morreu! Assim, eu pergunto: quem vai pagar essa conta?! Quem vai pagar por isso?! O que vai acontecer com aquele jornal?! Simplesmente eles dizem que se enganaram. Vão continuar enganando, vão continuar mentindo e vai ficar tudo por isso mesmo. Lá na frente vão-se enganar e vão-se enganar.

O episódio com o nosso Presidente da República, sem dúvida alguma é uma gota d’água dentro do oceano, é insignificante diante do que aconteceu com o Iraque. Mas também foi um engano, também se enganaram, também foi uma mentira, uma enganação.

Mas tudo isso, Srs. Deputados, provoca-nos muita indignação, porque simplesmente se enganam e fica por isso. Muitas vezes, com o nosso jornalismo, com a nossa imprensa, devemos ter cuidados, devemos ter ressalvas. Ela tem sido a maior responsável pela democracia em todos os países do mundo! No Brasil, a imprensa foi a responsável pela redemocratização e pela permanência da democracia. Mas, sem dúvida alguma, a imprensa tem que ser usada com cuidado, já que pode ser uma arma perigosa. No caso do Iraque, foi, sim, uma arma que destruiu vidas, que destruiu um país! Ela é uma arma, quando mal utilizada!

É evidente que as proporções do episódio que envolveu o New York Times em relação ao Iraque são inimagináveis! Nenhuma mente conseguiria imaginar que por trás de uma imprensa pudesse acontecer tudo isso! Mas acontece também no nosso dia-a-dia.

Dissemos que quando uma mentira é jogada no ar e divulgada, é como se alguém subisse numa torre da Igreja para jogar um saco de penas ao vento. E depois, aquele que sofreu a mentira, tem que descer daquela torre, Deputado Volnei Morastoni, para tentar recolher uma a uma as penas que foram jogadas e que destruíram a imagem de uma pessoa. E tentaram macular a imagem do nosso Presidente - as penas que destruíram vidas, que destruíram um País.

Esperamos que muitos possam refletir, Deputada Ana Paula Lima, sobre o que está acontecendo no mundo, fruto de uma imprensa, neste caso inconseqüente e mentirosa, que agiu, com certeza, com outras motivações que fogem da nossa vil imaginação e que levam ao poderio econômico, à venda de armas, ao enriquecimento de pessoas, como está acontecendo no País - e pudemos ver isso através de televisões, de jornais e de rádios - a Operação Vampiro, em que tantas pessoas se utilizaram da saúde e da vida humana para enriquecer.

Quando acontecem episódios iguais a esse, muitas vezes, Deputada Ana Paula Lima, não conseguimos entender e perceber o que se passa. Que motivação econômica é essa em que um jornal mentiu, enganou? E agora simplesmente faz um grande editorial e todos reconhecem que erraram.

Quando me referi, na semana passada, ao Presidente Lula, dizia, da mesma forma, que as intenções eram outras. E as intenções são grandes em relação ao nosso País. Que intenções existem para denegrir a imagem do Presidente que se elegeu sob a maior votação popular da história deste País? Que imagens e interesses existem por trás de tudo isso?

É uma indignação para todos nós, que queremos fazer política, saber a insignificância que somos frente a tantos interesses e a tantos que querem destruir para levar as suas vantagens pessoais.

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Pois não!

A Sra. Deputada Ana Paula Lima - Deputado Rogério Mendonça, realmente que interesses econômicos e politiqueiros são esses? Eu, que conheço pessoalmente a família do Presidente da República, fiquei muito horrorizada e sensibilizada com esse fato.

A foto que saiu publicada na imprensa em nível nacional e internacional foi tirada na minha cidade, Blumenau, na segunda maior festa da cerveja do Brasil. E nesse evento brindamos a nossa tradição, a nossa gastronomia e a nossa alegria. E no ano passado o Presidente estava na nossa festa e, com o nosso caneco, sangrando o barril de chope.

Então, creio que foi uma forma de desmoralizar o Presidente da República. Mas eles esqueceram que deveriam colocar na capa do New York Times o Presidente deles, o Presidente assassino, com uma metralhadora na mão, mostrando que quer acabar com vários Países!

Mas no Brasil quem manda são os brasileiros, e o nosso representante é Luiz Inácio Lula da Silva, com muito orgulho, que vai fazer todas as transformações que nós, brasileiros, queremos.

Então, não é essa notícia, não é esse jornalista, não é esse jornal, não é ninguém que vai conseguir derrubar o Presidente da República, porque ele foi o homem - e não só no Brasil, mas internacionalmente - que conseguiu o maior número de votos para se eleger. E tenho certeza de que ele é uma das cem personalidades mais influentes do País. E ele não chegou ao cargo em vão. Vamos acreditar! É o primeiro é o segundo ano de Governo, mas acredito que ficará muito mais tempo no Poder.

Muito obrigada pela oportunidade do aparte!

O SR. DEPUTADO ROGÉRIO MENDONÇA - Deputada, o que V.Exa. falou é verdade, mas quero repetir que os prejuízos, a imagem do País, são incipientes, pequenos se comparados ao prejuízo que esse mesmo jornal - New York Times - provocou no mundo inteiro.

Hoje estão com uma grande reportagem, talvez inédita para um jornal dessa dimensão, e com humildade e reconhecimento vem a público dizer que se enganaram. Todo o jornal reconhece que houve um engano quando disseram que no Iraque havia armas químicas e biológicas. Não existem armas químicas e biológicas, mas muitas vidas se foram; o país foi destruído! E eu pergunto quem vai pagar por isso.

Temos que nos indignar e usar todas as formas que temos - esta tribuna, o Congresso -, e o mundo inteiro tem que se revoltar contra o que aconteceu, provocado pelo New York Times, pelos Estados Unidos, pelo Presidente George Bush.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)