Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Onofre Santo Agostini

71ª Sessão Ordinária - 29/09/2005

O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Sr. presidente, sra. deputada Odete de Jesus, srs. deputados, já apresentei uma moção no sentido de que esta Casa manifeste a nossa revolta pelo que aconteceu no futebol brasileiro e de modo muito especial pela injustiça que praticaram contra o nosso querido Figueirense. E por coincidência um dos jogos foi contra o meu time Vasco da Gama. Mas mesmo contra o Vasco da Gama ou o Flamengo ou o Fluminense, enfim, seja lá contra quem fosse, não foi justo fazer o que fizeram.

Claro que são várias partidas de futebol que foram devidamente encomendadas e os resultados às vezes não refletiam o que realmente aconteceu no campo. Mas a Federação Brasileira de Futebol está tomando as devidas providências.

A Confederação Brasileira de Futebol está tomando as devidas providências, mas esta Casa tem a obrigação de se manifestar para que as autoridades desportivas brasileiras de uma vez por todas tomem providências para que não se repitam mais esses episódios tristes.

Com se não bastasse o desgaste da classe política pelos escândalos de Brasília, agora também a classe desportiva está a nos decepcionar. Se já não bastasse tudo o que a nação brasileira vem passando, agora também no futebol estamos tendo problemas. E o pior é que, diz um ditado popular, meu caro deputado Duduco, a corda sempre arrebenta no lado mais fraco. Nunca arrebenta no lado mais forte.

E mais uma vez o nosso querido Figueirense foi prejudicado. Dizem que na outra partida, segundo a gravação que ouvi, não deu para o juiz roubar porque a diferença era muito grande, o Figueirense ganhou de 4 x 1 do Juventude, de Caxias do Sul. Só se tivesse dois juízes para roubar, porque um só não conseguiu. Naquele dia os jogadores do Figueirense estavam virados, e o time ganhou praticamente a partida sozinho.

Por isso a minha manifestação. Sou vascaíno, deputado Duduco. Sou vascaíno, v.exa. é botafoguense e foi beneficiado. O Botafogo não teve culpa, assim como o Vasco também não teve. Nenhum time de futebol teve culpa, mas alguém foi prejudicado. E um dos prejudicados foi o Figueirense, de uma forma, no nosso entender, covarde, porque quando se perde no campo é normal, é natural, isso é do futebol, mas perder como perdeu é muito triste. O Figueirense perdeu algumas partidas que não poderia ter perdido. Acho que se cuidar daquela partida contra o Atlético paranaense, contra o Flamengo e outros, deve haver também por aí algum dedo que venha trazer dissabores.

Faço essa manifestação em solidariedade ao futebol brasileiro, mas de modo especial ao nosso querido Figueirense, como também ao Avaí. Quem sabe também o Avaí tenha sido prejudicado?! Mas somos figueirense e conformamo-nos em perder no campo; se cairmos para a segunda divisão, também nos conformamos, mas perder no apito, não! Aí não! Aí não concordo! Seria uma injustiça contra o estado de Santa Catarina, que é um estado pequeno em extensão territorial e quem sabe até em número de habitantes, mas de uma grande personalidade não só no futebol como em todos os sentidos.

Ontem assistimos aqui a uma sessão maravilhosa, deputado Duduco. E v.exa. estava muito inspirado. Não digo que o espírito da sua filha baixou em v.exa., mas tenho certeza de que a energia positiva dela, quem sabe, estivesse em outra dimensão, torcendo para o seu pai, para que continue lutando em favor dos oprimidos, dos sofridos, como v.exa. tem feito. V.exa. foi ontem muito brilhante no pronunciamento, assim como a deputada Ana Paula Lima.

Foi uma sessão solene que, sem dúvida nenhuma, enalteceu a Assembléia Legislativa e deixou-nos orgulhosos, de modo especial pelas colocações de v.exa., que, notamos, brotavam do fundo do coração. Era uma manifestação que notávamos que brotava da alma, do sentimento de um homem sério, correto e trabalhador como v.exa. é. Por isso a nossa homenagem ao ilustre parlamentar.

Trago um outro assunto, srs. deputados Francisco Küster, Antônio Ceron e Sérgio Godinho, que nos diz respeito. Olhei o relatório que prevê R$ 1,7 bilhão no orçamento da União para Santa Catarina, pasmem, srs. deputados, mas apenas R$ 8 milhões para a conclusão da BR-282. É um deboche. É uma brincadeira o que estão fazendo com o povo de Santa Catarina.

A BR-282 é uma obra de fundamental importância, pela qual o governo do estado e dos municípios, deputados, comissões, o presidente do fórum, sempre lutaram desesperadamente, no sentido de buscar recursos. Pudemos assistir à luta nas audiências públicas também dos deputados Romildo Titon e Herneus de Nadal. Enfim, lutamos, mas estamos vendo essa afronta à sociedade serrana.

Srs. deputados, dos R$ 1,7 bilhão para Santa Catarina, R$ 412,7 milhões são verbas do governo federal para investimento na construção de rodovias, melhorias de portos. Mais da metade dos recursos (R$ 235,6 milhões) são para a duplicação do trecho sul da BR-101, o que tem o nosso integral apoio. Cada um dos 16 deputados federais e três senadores terá direito a emendas de até R$ 3,5 milhões.

Para a restauração de rodovias federais são R$ 30,7 milhões; para a construção do trecho São José do Cerrito-Campos Novos são R$ 8 milhões; para a construção do contorno ferroviário de São Francisco do Sul são R$ 11,2 milhões; para a recuperação dos molhes do porto de Imbituba são R$ 15 milhões; para a recuperação dos molhes do porto de Laguna são R$ 20 milhões; para a Universidade Federal de Santa Catarina são R$ 419,1 milhões; para o Fundo Nacional de Saúde são R$ 787,2 milhões; para o Tribunal Regional Eleitoral são R$ 4,1 milhões; para a Justiça Federal de Primeiro Grau são R$ 10,3 milhões; para o Tribunal Regional do Trabalho são R$ 34 milhões.

Deputado, acho que não está certo. O relator da matéria é um catarinense e ele deverá pelo menos ter a sensibilidade de ouvir o clamor do povo do oeste de Santa Catarina, da região serrana e destinar recursos maiores para a BR-282.

Vejam que desses R$ 1,7 bilhão são destinados para a região da BR-116 para lá uma quantia mínima. Agora, para o resto... Não sou contra, que bom que o norte, o sul, a região litorânea ganhem bem, sou favorável. Mas a região serrana, o meio oeste e o oeste de Santa Catarina produzem, deputado Francisco Küster. Nós sabemos da luta do nosso homem do campo, da mão calejada, do rosto queimado pelo sol, que vai cedo para a lavoura, que amanhece tirando leite para o sustento da sua família. E é essa a compensação?

O Sr. Deputado Francisco Küster - V.exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Pois não!

O Sr. Deputado Francisco Küster - Deputado, é um achincalhe, que merece de nós toda indignação. É um deboche, é pouco caso para com uma obra de fundamental importância, já denominada como ligação do Mercosul, corredor bioceânico e outras coisas mais, enfim, recursos de R$ 8 milhões é um achincalhe, é um deboche. Isso demonstra bem a personalidade de quem ousou promover a destinação desses R$ 8 milhões para o nosso estado de Santa Catarina. Esses semideuses não têm a menor consideração e merecem de nós repúdio total por esse comportamento. Deputado, se bem conheço este governo, nem esses R$ 8 milhões vão pagar no ano que vem, porque nos enrolaram durante oito meses com a liberação de R$ 7 milhões, que até agora não aconteceu, para o trecho Lages-São José do Cerrito.

Meus cumprimentos, pelo registro que faz.

O Sr. Deputado Sérgio Godinho - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Pois não!

O Sr. Deputado Sérgio Godinho - Nobre deputado, estive em Brasília, no fórum parlamentar catarinense. Enquanto v.exa. fazia seu pronunciamento, liguei para o deputado Coruja e vou apenas passar a informação que obtive através dos deputados Carlito Merss, Paulo Bauer, Leodegar Tiscoski e do próprio deputado Coruja, que é coordenador do fórum: existem R$ 18 milhões para este ano, que já estão no Orçamento. Falta apenas o empenho.

Então, acredito nas colocações de v.exa. e no jornal que as veiculou, mas quero crer que a verdade é esta: haverá R$ 18 milhões!

Fico indignado, da mesma maneira que v.exa. e o deputado Francisco Küster, mas o deputado Coruja falou que há R$ 18 milhões para este ano e que só falta empenho. Portanto, não está difícil! E ele é adversário do governo!

O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - E é um grande deputado! Mas acho que vai ficar na conversa...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)