6ª Sessão Ordinária - 21/02/2007
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. presidente Clésio Salvaro, sras. deputadas e srs. deputados, assomamos à tribuna para expressar a nossa preocupação. Entendemos que Santa Catarina e o Brasil viveram alguns dias de uma festa importante e tradicional, o carnaval, em que as pessoas se dedicaram de corpo e alma e esqueceram dos seus problemas. Estamos dizendo isso porque há 14 anos, quando começamos a fazer movimentos na BR-101, paralisamos a rodovia e isso trouxe, claro, transtornos aos usuários e para algumas pessoas que não tinham nada a ver com tudo aquilo. Mas tínhamos de chamar a atenção das autoridades com relação à necessidade de fazerem a duplicação da BR-101.
Nós trancamos a rodovia aqui, fechamos ali, abrimos lá e recebemos vários processos por isso. Mas assim foi a nossa luta, até que conseguimos fazer com que a duplicação da BR-101 se transformasse em realidade. O primeiro ponto a ser trabalhado, o ponto de início, foi no sentido norte, e a imprensa do sul me questionou por que eu não estava lutando pelo sul, e sim pelo norte, pela duplicação até Florianópolis. Respondi dizendo que foi porque o projeto de engenharia só estava pronto até Florianópolis e não adiantava lutar pelo sul. Então, tinha que começar por algum ponto e começou pelo norte do estado.
A luta valeu a pena, foi uma duplicação rápida, mas a obra de engenharia não foi muito boa, deixou muito a desejar, e por isso a nossa preocupação com o sul. Nós não podemos lutar por uma obra vultosa, como é a duplicação da BR-101, que não seja de qualidade. Por isso temos certeza de que vai ser muito grande a nossa preocupação quanto à qualidade da duplicação no sentido sul, para que não acumule água em cima da pista, fazendo com que os carros batam e atropelem pessoas a cada instante, como acontece no trajeto para Joinville, deputado Kennedy Nunes, na direção norte.
Então, quando o tempo está bom, a rodovia, no sentido norte, é um espetáculo, mas quando há chuva acontece um acidente atrás do outro. Por quê? Porque a obra de engenharia não foi bem elaborada. E o deputado Edson Piriquito sabe que naquela região é onde acontecem mais acidentes. Por quê? Porque quando chove a água fica em cima da pista - a mureta não deixa escoar a água de um lado para o outro-, o carro vem, desliza e aí nem preciso dizer mais nada. Foi nesse trecho, inclusive, um pouquinho para cá de Camboriú, que nós perdemos uma vereadora de Meleiro, uma guerreira, uma lutadora. Por quê? Porque o carro rodopiou por causa da água que estava em cima da pista e aí tombou, bateu e ela morreu.
Nós sabemos perfeitamente que essa obra era necessária, que o valor gasto foi astronômico, mas nós precisamos que ela tenha qualidade para que não ocorram tantos acidentes. E na duplicação da rodovia no sentido sul, deputado Décio Góes, nós vamos lutar muito para que não ocorra isso. A obra está acontecendo, temos que agradecer ao governo federal, que não tem falhado um momento sequer, mas nós temos que trabalhar com a questão da sua qualidade. V.Exa., como engenheiro, sabe que a qualidade é importante. Portanto, nós vamos ficar em cima; a nossa comissão permanente vai continuar trabalhando para buscar a qualidade na obra.
Srs. deputados, muitas pessoas já nos perguntaram por que fizemos aquele movimento todo, que isso não adiantou de nada, que só atrapalhou. Mas aqui é Brasil e nós precisamos mobilizar a população para alcançarmos o nosso objetivo, que é o de construir obras fundamentais, como a BR-101 de qualidade.
Então, é importante nos divertirmos, mas é preciso que tenhamos também muito cuidado, muita responsabilidade, porque muitas pessoas acabam morrendo devido à imprudência de outras.
Na minha região ocorreu um acidente, acho que um dos piores da BR-101, com sete vítimas fatais, todas do nordeste. Essas pessoas eram funcionárias da empresa que está fazendo a duplicação da BR-101. Os corpos estão sendo levados lá para o Ceará. V.Exas. fazem idéia de como é chegarem sete caixões lá?! Onde elas morreram? Em Santa Catarina! Onde? Na BR-101!
Srs. deputados, é muito assustador esse quadro de 41 pessoas terem perdido a vida em Santa Catarina, nas BRs. Mais absurdo ainda foi nós ficarmos sabendo que algumas pessoas estavam abrindo auto-escolas por liminar. Se as auto-escolas, que prestam um trabalho extraordinário, relevante, ainda têm muitos problemas, imaginem se forem dadas carteiras a torto e a direito. Aí não precisaremos mais de guerra para as pessoas morrerem, pois todas elas vão morrer na estrada!
Então, precisamos ter essa preocupação. É importante termos um momento de lazer, é importante participarmos de uma festa tradicional como o carnaval, mas nós precisamos ter muito cuidado para depois não ocorrer novamente esse quadro de agora, ou seja, pessoas chorando, lamentando pelo fato de perderem as suas famílias. Está aqui no jornal que famílias inteiras perderam a vida. Esses sete não eram de uma mesma família, mas eu li aqui que três pessoas de uma família só perderam a vida num acidente na BR-282.
Srs. deputados, é muito importante fazermos esse registro desta tribuna, a fim de trabalharmos em cima disso. Eu gostaria de cumprimentar e de parabenizar a Polícia Rodoviária de Santa Catarina, que está atentamente trabalhando. Muitas pessoas reclamam que a polícia está pegando, está multando, mas esse é o trabalho dela. Se ela não trabalhar, os acidentes duplicarão ou triplicarão cada vez mais. Muitas famílias estão chorando - e é preciso que nós tenhamos cuidado para isso não ocorrer mais - pelos filhos, pelos irmãos e pelos parentes que perderam as vidas numa festa que deveria ser de diversão. As pessoas bebem um pouquinho demais e depois os acidentes acontecem, como temos observado em número assustador.
Nas viagens pela BR-101 ninguém marca a hora da chegada, somente a da saída. Minha chegada estava prevista para as 14h, mas cheguei às 15h30min. Eu queria estar aqui para assistir à posse do deputado Elizeu Mattos. Cheguei aqui, encontrei muita gente e quero aproveitar para cumprimentá-lo. Seja bem-vindo para se somar aos 39 parlamentares na defesa do povo de Santa Catarina, principalmente da região serrana, que o estava prestigiando com muita garra, hoje.
Então, ao cumprimentá-lo e parabenizá-lo, desejo as boas-vindas a s.exa. Para nós é um orgulho muito grande que faça parte de uma bancada como a nossa, que era de 11 deputados e que agora passa a ter 12. É uma das maiores bancadas que já teve a Assembléia Legislativa. Nós sabemos perfeitamente do papel fundamental que v.exa. vai fazer, como já está fazendo o nosso deputado Edson Piriquito vermelho. Eu tenho certeza de que o deputado Elizeu Mattos contribuirá muito nessa caminhada.
O Sr. Deputado Dirceu Dresch - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Pois não!
O Sr. Deputado Dirceu Dresch - Se me permite, deputado Manoel Mota, eu sou médico formado há 23 anos e fico feliz que hoje não se tenha tempo definido para chegar quando se pega a BR-101, mas já sabendo que ela está sendo duplicada. Há 23 anos, quando estudei nesta cidade, ia para o sul visitar os meus pais, em Criciúma, e naquela época já lutavam pela duplicação da BR-101.
Mas cabe ressaltar que grande parte dos acidentes - e é memorável o seu pronunciamento - deve-se também ao excesso de velocidade - foram 1.800 multas em dois dias - e ao excesso de álcool. Os nossos motoristas, que bebem muito, ultrapassam os seus limites mesmo nos momentos de felicidade, e muitas vezes deixam de chegar em casa.
Meus parabéns pelo seu pronunciamento!
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Agradeço o seu aparte e incorporo-o ao meu pronunciamento.
Veja que essa é uma luta constante e não podemos ficar de braços cruzados. Temos que fazer com que no próximo ano não se repitam as 41 mortes ocorridas em Santa Catarina nesse período.
Eu quero deixar registrada essa marca assustadora porque nós precisamos tomar algumas medidas. Mesmo que seja uma medida paliativa, mas que seja de segurança, que contribua nesse processo para que as pessoas possam ir a festas, possam beber, mas não dirijam. Quem bebeu não pode dirigir, senão nós vamos ter acidentes, mortes e...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)