Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

3ª Sessão Ordinária - 13/02/2007

O SR. DEPUTADO SÉRGIO GRANDO - O nosso boa-tarde a todos os srs. deputados e à sra. deputada.

Quero dizer que a educação e a saúde são as maiores heranças que podemos deixar para os nossos filhos. Elas estão interligadas, são universais, não têm fronteiras, mas se uma delas for mal, prejudicará a outra, principalmente a educação. Se o país não estiver bem como um todo, a população e as futuras gerações sofrerão as conseqüências.

Nós temos 35 anos de magistério e fomos dirigentes da sua luta. Na época em que não podíamos ter sindicato dos servidores públicos, tínhamos a Associação dos Licenciados do Estado de Santa Catarina, a famosa Alisc, que depois se transformou no Sinte. Eu lembro da primeira greve estadual na história de Santa Catarina que foi feita pelos professores, em 1980.

De lá para cá tivemos muitas conquistas, mas cada vez mais o cerceamento aumenta. Nós tivemos o quadro de carreira, o estatuto e o concurso público que não existia. Somos do tempo em que o professor era designado para dar aulas, não recebíamos durante as férias, não tínhamos nenhuma assistência médica.

Essa luta vem ao longo de 35 anos. Eu lembro da professora Goulart e a sua luta, do professor Julio Wiggers, do professor Mauro Vieira, do Élvio Prevedelo - eu também fui dirigente -, da Maria Aquini, da própria hoje deputada Ideli Salvatti, que também foi dirigente, já como sindicato, do Sinte.

Essa luta continua! Nós conquistamos, como já falei, o quadro de carreira, o Estatuto do Magistério, o concurso público, a carga horária, as eleições diretas para diretor de escolas, o Plano Estadual de Educação, e hoje temos que continuar lutando.

Eu lembro que, naquela época, como Associação dos Professores Licenciados de Santa Catarina, tínhamos um irmanamento com a Associação dos Professores da Universidade Federal de Santa Catarina. Por isso não podemos, de forma alguma, deixar de prestar a nossa solidariedade ao Magistério, como um todo, no nosso estado. E nós, Parlamentares, devemos estar conscientes sobre o que estão passando os professores da universidade, que por uma decisão judicial tiveram a perda de aproximadamente 26% do seu salário, quer dizer 1/4 dele.

Nesse sentido, mesmo já ganhando pouco e há 12 anos sem ter aumento, os professores da universidade, por uma decisão do juiz da 3ª Vara Judicial de Florianópolis, tiveram uma redução de 26,05% dos seus salários, num total de 1.823 professores. Desses 1.823 professores, mais de 1.100 são efetivos, ativos ainda na universidade, e 700 já estão aposentados, entre eles muitos com mais de 70 anos de idade.

Portanto, isso é uma forma de solidariedade, é uma forma de esta Casa abrir as suas portas para tomar conhecimento e colocar-se à disposição da Apufsc - Associação dos Professores da Universidade Federal de Santa Catarina -, e da Reitoria. Inclusive, já falamos com o reitor, que expressou, através de um artigo ontem, o seu posicionamento. E em nível nacional devemos nos mobilizar para que possamos, a exemplo do quadro de carreira que a Justiça tem e que querem criar no Parlamento, também na parte executiva pensar nos nossos professores, porque realmente estamos fazendo com que a nossa educação sofra prejuízos. E já como conseqüência temos o resultado das provas do Enem mostrando que talvez a geração futura possa saber menos do que esta geração que está desenvolvendo suas atividades e governando.

Eu sempre digo aos meus alunos o que aconteceria se os estudantes soubessem tanto quanto o professor. Seria muito triste. Os alunos saberão mais do que os professores. Eles têm o dever de saber mais. Cada geração sabe mais do que a anterior. Porque se os alunos soubessem tanto quanto os professores, não haveria evolução da humanidade e poderíamos estar vivendo na idade média ainda. Com o avanço tecnológico que hoje está aí disponível - a informática, o conhecimento, através da comunicação -, teremos uma geração que saberá mais do que nós, assim como sabemos, na vivência do dia-a-dia, algumas coisas mais que os nossos pais. Não questiono a questão da moral, da ética, da forma de conduzir seus conhecimentos, que esses realmente eles nos delegaram e ensinaram-nos muito.

Então, os nossos filhos irão saber mais do que nós, e os filhos deles saberão mais do que eles. Essa é a parte da evolução da humanidade, mas em um país que não se preocupar com a educação, poderá ocorrer o inédito: ter futuras gerações sabendo menos que as atuais. Se não tivermos uma política séria, de assistência, que comece na pré-escola e vá até a universidade, a pós-graduação, o doutorado inserido na nossa sociedade com idéias, trabalho e participação, iremos construir um país que, apesar das suas riquezas e desse povo bom, poderá não estar cumprindo com suas metas históricas.

Então, a nossa solidariedade a essa luta. Estamos nos colocando à disposição dos professores da universidade e de todos que trabalham pela educação. Essa é a nossa mensagem, a mensagem do PPS e do professor e deputado Sérgio Grando!

Muito obrigado, sr. presidente!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)