Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Giancarlo Tomelin

22ª Sessão Ordinária - 31/03/2009

O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Sr. presidente e srs. deputados, autoridades presentes em Santa Catarina, num momento nevrálgico, de discussão, quando cada pessoa teve a oportunidade de colocar a sua opinião.

Senhores e senhores que nos assistem, que vêm aqui defender seu ponto de vista, senhoras e senhores que nos assistem pela TVAL e que nos ouvem através da Rádio Alesc Digital, senhoras e senhores que estão do lado de fora do plenário, que, infelizmente, não podem estar aqui dentro, em virtude de a Casa estar hoje muito cheia, mas que estão lá na praça manifestando a sua opinião, mulheres e jovens aqui presentes, minhas senhoras e meus senhores, somente estadistas, somente grandes homens têm a capacidade de discutir grandes debates e de propor grandes debates, para que cada um, olhando no olho e dizendo a verdade, possa dizer o que o seu coração sente, o que a sua consciência manda.

Somente grandes homens como Getúlio Vargas, como Juscelino Kubitschek, tiveram a coragem de trazer à pauta do Brasil grandes manifestações.

Acho que o governador Luiz Henrique da Silveira e Leonel Pavan têm essa virtude, quando propõem a esta Casa debater um tema dessa envergadura, um tema debatido sem paredes, em que cada um pôde, via esta Casa e nos quatro recantos do estado, dizer o que pensa, colocar a sua vontade.

Um dos filósofos mais importantes do mundo, Voltaire, dizia o seguinte, deputado Marcos Vieira: "Discordo de ti até a morte, porém morro pelo direito de dizer isso."

É isso que hoje esta Casa faz, quando cada deputado vem à tribuna para manifestar a sua opinião.

Nós, deputado Joares Ponticelli, fomos eleitos para dizer o que pensamos, o que sonhamos e o que queremos para nosso estado. É por isso que fomos eleitos; é por isso que representamos legitimamente o povo.

Quando nós assistimos ao Jornal Nacional... Aqueles que já tiveram a possibilidade de ir a Brasília, puderam ver a magnitude e a inteligência do arquiteto Niemeyer, que colocou o Senado como sendo a tampa do caldeirão e a Câmara como sendo a efervescência, representando o povo, as aspirações populares.

Por isso, quero dizer a todos que sou de Blumenau. Presenciei as enchentes de 83 e de 84, quando a natureza se voltou contra o ser humano. Presenciei recentemente a tragédia ocorrida no vale do Itajaí. Presenciei tudo que aconteceu na nossa Ilhota e no Baú.

Certamente ninguém quer ver isso acontecer. Queremos, sim, de cara limpa, externar a nossa opinião, mas usar desta tribuna para discurso e, mais, usar a grande imprensa. Inclusive, ontem, li no Estado de São Paulo e quero ler a cada um dos senhores, para que cada um, no juízo da sua consciência, faça uma reflexão sobre esse artigo que me deixa perplexo, porque é um artigo escrito num gabinete, em Brasília, e não ao lado do povo, ao lado da esperança da nossa gente.

E dizia assim o trecho que transcrevo: "Santa Catarina deu a senha para arrombar a porta. Agora é o momento de saber de que substância é feito o brasileiro, é feito o catarinense."

Pois eu respondo à ministra Marina Silva: É feito de trabalho, de democracia, de respeito ao meio ambiente, de ética e de um inenarrável comprometimento com o desenvolvimento.

Por isso, hoje, cabe a cada deputado estadual ir à tribuna e dizer um "sim" ao Código Ambiental, um "sim" com letra maiúscula, um "sim" para regulamentar uma matéria que há anos não tem tido a coragem de vários homens públicos debaterem de cara limpa.

Por isso, tenho certeza, de que cada agricultor que nos escuta, cada agricultor que contribuiu com o debate, cada autoridade, cada um representativo de uma categoria, sabe que esse Código Ambiental que vamos votar hoje, e os senhores verão, será pela esmagadora maioria.

Por isso, olhando no olho e dizendo a verdade, os senhores têm o direito de dizer: "Discordo até a morte"; porém, têm que ouvir e respeitar a decisão popular, que é da nossa gente, dos catarinenses.

Quem de nós veio aqui, se não pela vontade de preservar o meio ambiente? Quem de nós veio aqui, se não pela preocupação com as gerações que hoje precisam se desenvolver? Quem de nós veio aqui, se não para debater o futuro? E o futuro é construído pela democracia, e eu sou absolutamente apaixonado pela democracia, porque ela está absolutamente presente nesse relatório e no Código Ambiental.

Talvez não seja o ideal, mas é o possível e o necessário. Talvez não seja o Código dos sonhos e da unanimidade, e ainda bem que não é, porque a unanimidade é burra; inteligente é quem se posiciona.

Por isso, sr. presidente, quero, em nome também do PSDB, porque daqui a pouco terá a manifestação do nosso líder, deputado Marcos Vieira, dizer que o nosso partido tem posição, tem lado. E quero pedir a todos os deputados que, ao usarem a tribuna, ao usarem do seu poder discricionário, que foi dado pelo povo, optem: "sim" ou "não", porque política é balança, é posicionamento. Ou você está de um lado ou você está de outro lado. E nós estamos de um lado, que é o lado que vai, hoje, aprovar o Código Ambiental, vai pensar em Santa Catarina, vai fazer com que o nosso estado possa cada vez mais ser um estado vencedor, um estado que leve qualidade de vida para o catarinense, um estado onde cada catarinense, quando se lembrar deste Parlamento, quando se lembrar do seu governo, quando se lembrar da sua gente, terá orgulho de dizer que é catarinense.

Eu debati, eu dei a minha opinião, eu amo o meu município, eu amo o meu estado, eu amo o meu país. E por amar é que somos responsáveis. E porque somos responsáveis queremos com hombridade manifestar o voto "sim" ao meio ambiente.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)