55ª Sessão Extraordinária - 04/10/2009
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente e companheiros deputados, utilizarei somente cinco minutos.
O objetivo do nosso pronunciamento, hoje, é lançar uma campanha que está ocorrendo em nível mundial - e nós somos homens públicos e representamos esta Casa. Trata-se da Campanha TicTacTicTac, que já está contando tempo dentro de um movimento global de ação de proteção ao clima. E é uma campanha que objetiva esse grande encontro mundial, o encontro de Copenhague. Talvez seja o maior encontro mundial. Sem sombra de dúvida, já é mais importante que o protocolo estabelecido em relação ao clima, o Protocolo de Kyoto.
Lá estarão os presidentes dos mais variados países, pela sua importância, os cientistas e os delegados desses países que compõem a COP-15, que é a convenção das partes. E nós fomos escolhidos pelo Itamaraty para ser um dos representantes para participar desse encontro, como fomos, em 2005, a Montreal; como fomos a Poznan. Participamos do Fórum da Água no México e de tantos outros debates que ocorreram pelo mundo.
Falo mais como físico do que como deputado. Nós sabemos que esse movimento, pela consciência mundial, já tem, inclusive, uma música que nos mobiliza através de um clipe que começa com o - e todos também conhecem - Kofi Annan, que foi presidente da ONU e hoje é presidente do Fórum Humanitário Global, e encerra-se com Desmond Tutu, que é o Prêmio Nobel da Paz.
Pois bem, nós, na Assembleia, também vamo-nos manifestar favoráveis e começar essa contagem regressiva que é fruto de uma aliança inédita de organizações não governamentais, sindicatos, grupos religiosos, pessoas que têm como objetivo mobilizar a sociedade civil e a opinião pública para que os governos posicionem-se e estabeleçam metas para combater as causas da mudança climática e para amenizar os seus efeitos. E nós sabemos que o governo brasileiro ainda não tem uma meta, e está discutindo. De forma que entendemos ser contraditória.
Esse grande encontro ocorrerá em Copenhague, do dia 7 a 19 de dezembro. E sabemos que o Brasil poderá ser determinante, em nível mundial, junto com a China e a Índia, para que se possa estabelecer um dos melhores itens do Protocolo de Kyoto, que não foi devidamente valorizado. É que todos os mecanismos de desenvolvimento limpo têm que ter queda de patentes. E nós precisamos que haja mundialmente a queda de patentes, seja na medicina, na tecnologia, na nanofísica, para que os países em desenvolvimento, que podem salvar o mundo através da proteção da natureza, como é o caso do Brasil, não sofram o atraso tecnológico devido às condições colocadas pela dominância dos países desenvolvidos.
Mas o Brasil tem que ter, já que ninguém vai-se salvar sozinho - e todos nós nos salvaremos juntos - a queda de patente. E todos os avanços da humanidade, que todos os países possuem, têm que ser de conhecimento de todos e serem usados por todos. Só assim teremos um desenvolvimento sustentável e solidário. Podemos fazer isso. Isso é uma direção, isso é uma visão. O Brasil não pode se colocar simplesmente na direção de não querer estabelecer metas. E se estabelecer metas, tem que também saber fazer a política mais ampla. E a política mais ampla é ter uma unidade desenvolvida, com os seus direitos garantidos, com a ciência e a tecnologia, já que estamos tão atrasados por não ter investido nessa área.
Portanto, sr. presidente, fica, a partir deste momento, toda a nossa mobilização, toda a nossa força para esse movimento da contagem regressiva, a chamada Campanha TicTacTicTac, que é o bater de um relógio para esse grande encontro mundial em Copenhague.
Muito obrigado, sr. presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)