32ª Sessão Extraordinária - 02/12/2008
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, sra. deputada, srs. deputados, prezados catarinenses que nos assistem pela TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, Santa Catarina passa por um grande processo, por uma grande provação, que foi alvo do gesto de solidariedade de inúmeras pessoas. E todos, a começar pelo governo do estado, de pronto, debaixo de chuva, de carro, de avião, de trator, de helicóptero, com os meios que dispunha, estiveram presentes e à frente, juntamente com os prefeitos, com as Câmaras de Vereadores, vestindo o colete da Defesa Civil, mostrando não só solidariedade, como também ação. Se não era possível resolver e se não era possível amenizar naquele instante todos os efeitos da enchente, pelo menos levar o consolo, o conforto de um ombro amigo foi o que conseguimos fazer através das prefeituras e do governo do estado.
Nesse sentido, parabenizamos o governador Luiz Henrique, o vice-governador Leonel Pavan e muitos parlamentares que estiveram à frente para garantir o primeiro atendimento a todas as vítimas dessa grande catástrofe. O primeiro passo era dar abrigo, comida e água, suprir as necessidades de sobrevivência, e isso todos receberam apesar da chuva e apesar da obstrução das estradas.
A segunda fase seria a desobstrução, a retirada das barreiras das estradas e as religações de água e de energia elétrica, para permitir que voltassem as suas casas aqueles que não tiveram as suas residências avariadas, mas que estavam impedidos de ficar no seu conforto por várias razões.
Nessa enchente, deputado Décio Góes, como v.exa. viu na visita que fizemos aos municípios de Itajaí, Ilhota, Gaspar, Blumenau e Luis Alves, a grande característica, além dos alagamentos que tivemos nos municípios que margeiam o rio Itajaí-Açu, foram os desmoronamentos, certamente causados por um prolongado período de chuvas. Foram mais de 60 dias de chuva continuada e ainda mais uns três meses de chuvas interrompidas, o que fez com que o solo nunca chegasse a secar.
Nós podemos dizer que tivemos pelo menos seis meses altamente molhados, e nos últimos 60 dias, aí sim, tivemos chuvas ininterruptas. Ao final, mais algumas precipitações pluviométricas intensificadas evidentemente causaram esses desmoronamentos que pegaram de surpresa um grande número de famílias.
Eu cheguei a ver barreiras, deslizamentos que nunca havia visto antes e nem imaginava, pois normalmente a barreira, deputado Décio Góes, cai da montanha, vem até o ponto mais baixo e ali pára ou entra no rio. Mas nós vimos uma barreira no Morro do Baú que desceu mais de 500m, 600m, pela montanha com uma quantidade enorme, um volume enorme de barro, árvores e pedras. Aquele grande volume atravessou o rio e atingiu uma família que estava no outro lado da margem, no morro, a 50m, 60m acima do nível do rio, tamanho foi o volume da barreira que veio abaixo no complexo do Morro do Baú, onde milhares de barreiras se somaram e transformaram aquele vale num barreiro só.
Então, a grande característica dessa enchente foram exatamente as barreiras que pegaram de surpresa muita gente que estava no vale do rio Itajaí-Açu, onde as pessoas já estavam adaptadas, digamos assim, a se defender da elevação do nível da água. Não estavam preparadas para enfrentar a barreira que não se sabe de onde vem ou onde começa. Na imaginação delas, mesmo que caíssem algumas barreiras das montanhas, elas iriam parar bem antes de suas casas pela distância que havia e pelos morros que não têm tanto aclive, que não são tão em pé. Ou seja, no Morro do Baú, o complexo do Baú, assim como em diversos outros municípios, os deslizamentos foram a grande característica da enchente, fizeram o grande estrago e deixaram um grande número de desabrigados, um grande número de pessoas desalojadas e, pior, mais de 116 mortos e mais de 20 desaparecidos. Certamente esses desaparecidos, como vimos lá no Braço do Baú e conforme a imprensa noticia, devem estar soterrados. O marido de uma senhora desaparecida, o pai e o tio de duas crianças também desaparecidas já estão aguardando com o caixão para sepultá-los quando foram encontrados, porque eles têm certeza de que estão soterrados. Infelizmente, um grande número de desaparecidos é encontrado de uma forma que não gostaríamos. Queríamos encontrá-los com vida!
Então, como dizia, esse grande número de mortes se deu, sem dúvida nenhuma, pela quantidade enorme de desmoronamentos. Assim foi em todas as cidades. Em Brusque, a minha cidade e a do deputado Dagomar Carneiro, tivemos 1.511 barreiras, grandes e pequenas, que obstruíram estradas - somente barreiras que obstruíram estradas. Mas graças ao apoio muito grande da secretaria de Obras, do engenheiro Roberto Bonomini, o Betinho, que comandou uma grande frota de máquinas, retroescavadeiras, tratores, caminhões, coordenado pela Defesa Civil, praticamente já foram retiradas senão todas as barreiras, mas praticamente todos os brusquenses já conseguiram chegar às suas casas; mesmo em meia-pista, já estão em suas casas.
Além dessas mais de 1.500 barreiras, tivemos ainda de 560 a 580 barreiras que caíram atrás de um grande número de casas; dessas, mais de 200 foram danificadas, algumas caíram na hora, outras não estão em condições de ser habitadas, pois houve um grande estrago.
Portanto, a grande característica dessa enchente foram, sem dúvida nenhuma, os deslizamentos que causaram os grandes estragos. De forma que se fizemos bem a primeira e a segunda fases, agora vem a terceira, que é a fase da reconstrução, a fase de encontrar o lugar bom, mais seguro para enfrentar um próximo evento parecido com esse que, se Deus quiser, está distante, mas poderá ocorrer.
Muito obrigado
(SEM REVISÃO DO ORADOR)