86ª Sessão Ordinária - 01/10/2013
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, pedi permissão ao PSDB, meu partido, para fazer algumas colocações, até porque nesses últimos dias estou bombando na internet, como diz o velho ditado.
O advento das redes sociais é uma coisa nova, que tem mudado substancialmente os acontecimentos do mundo, eu diria. E fatos pontuais que são colocados ou acontecimentos pontuais que são objetos de atos de pessoas sem mandato público são corriqueiros. Mas quando acontece com uma pessoa que tem um mandato público, um mandato eletivo, os fatos que vão para as redes sociais se tornam verdadeiros vírus.
Por conta de uma infração de trânsito que cometi no município de Balneário Camboriú, na sexta-feira, e a repercussão que isso teve nas redes sociais e, por consequência, na imprensa escrita e falada - hoje inclusive cada pessoa que eu encontro vem falar sobre esse assunto -, eu me vejo na obrigação, sr. presidente, de trazer também, através desta tribuna, esta nota de esclarecimento, e que já encaminhei às redes sociais e também aos órgãos de comunicação que são de conhecimento da minha assessoria, para que tenham conhecimento daquilo que eu entendo como a verdade.
Quero deixar transcrita nos Anais da Casa esta nota de esclarecimento que tem o seguinte teor:
(Passa a ler.)
"Corre nas redes sociais com a velocidade de um vírus uma infração de trânsito envolvendo a minha pessoa em Balneário Camboriú que merece esclarecimentos de minha parte.
Os fatos que aqui vou relatar têm o testemunho de inúmeras pessoas que acompanharam a ocorrência desde o seu início e que se dispuseram, se fosse o caso, a dar seus depoimentos onde fossem necessários, o que realmente aconteceu.
Cheguei na noite anterior" - ou seja, na quinta-feira à noite - "de uma viagem de moto onde percorri quase 3.800km."
Eu tinha pedido licença na Casa e do meu trabalho para ir até Alto Paraíso de Goiás, de moto, estritamente sozinho, somente eu e Deus, e tinha chegado na quinta-feira à noite de volta.
(Continua lendo.)
"Na manhã seguinte (sexta-feira) lavei o forro do meu capacete", que é um hábito que nós, motociclistas, temos quando fazemos longas viagens: retiramos o forro do capacete e lavamos por causa do suor que se tem durante tanto tempo de viagem.
(Continua lendo.)
"Convidei a minha mulher para caminhar. Porém, antes resolvi mandar lavar a minha moto e o nosso carro na lavação que fica na mesma rua a 200m do meu prédio.
Por ser na mesma rua, achei que poderia colocar um boné e levar a moto. Afinal, eram apenas 200m do meu prédio. E foi o que fiz. Mas ao chegar lá o rapaz da lavação me informou que estava lotado para aquele dia. Resolvi, então, levar a moto de volta par ao meu prédio. Ao chegar à Avenida Brasil (o prédio fica na esquina, com a entrada da garagem na Alvin Bauer), toquei uns 10m e fui abordado aos berros pelo policial que estava com uma arma apontada para mim, mandando descer da moto. Não parei. Andei mais 30m e parei em frente à garagem do meu prédio. Quando descia da moto, a viatura atravessou a rua e desceram dois policiais com as armas em punho apontando para mim de forma truculenta, tratando-me como se tivesse acabado de assaltar um banco, pedindo a minha habilitação e documentos da moto, o que prontamente fiz. E é bom frisar que tudo foi acompanhado por inúmeras testemunhas que ficaram indignadas pela forma como eu fui abordado.
Discuti, sim, porque não sou marginal nem tinha acabado de assaltar ninguém. Mas em momento algum, volto a frisar, tentei dar carteiraço ou me identificar como autoridade. Até porque hoje, por questão de inteligência, não se faz isso, porque ao invés de ajudar, só piora as coisas. Tem pessoas que podem testemunhar, porque assistiram tudo desde o começo e se dispuseram a testemunhar a meu favor, se fosse o caso.
A verdade é que a viatura ficou, pelo menos, 20 minutos atravessada na rua, atravancando o movimento. Antes já tinha vindo mais uma viatura, depois mais uma moto."
O que se formou na verdade foi um grande circo. Era gente assistindo àquilo de todos os lados, das janelas dos prédios, das lojas. Todos assistindo àquele verdadeiro circo que foi criado ali.
Conclusão: a minha CNH foi apreendida e fui multado por não estar usando capacete. Recebi outra multa por não parar quando determinado por autoridade competente.
Enfim, essa é a verdade dos fatos e tem testemunhas que acompanharam. Não me identifiquei nem como repórter de TV ou como apresentador de programas de TV, muito menos como político. Não tentei fugir sob hipótese alguma, como está sendo divulgado. Na verdade, parei em frente ao meu prédio, 30 metros depois que o policial mandou parar.
Se a pílula está sendo dourada e foi dourada na internet, é por conta da imaginação de quem escreveu. E, é claro, pelo fato de ter ocorrido com alguém que está com o mandato público. Caso contrário, isso seria tratado como fato corriqueiro.
Pago o preço e peço desculpas às pessoas pelo ocorrido. Mas não vou admitir, jamais, em tempo algum, o fato de atribuírem a mim a soberba de um carteiraço ou me servir da função que ocupo para tentar me safar de uma situação como essa.
Agradeço a todos que conseguiram entender e que receberam essa minha nota de esclarecimento e passaram adiante.
Muito obrigado, sr. presidente.
(SEM REVISÃO DO ORADOR)