Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

88ª Sessão Ordinária - 08/10/2014

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, gostaria de fazer algumas reflexões sobre o que ouvimos nesta campanha eleitoral.

Sr. presidente, já formei aqui um grupo e v.exa. não fará parte do bloco da volta dos que não foram. Ou melhor, a volta dos que não foram reeleitos. E dá um bloquinho respeitável, um bom bloco. Mas temos conversado bastante e trocado muitas ideias interessantes.

E fazendo uma pequena reflexão sobre essa campanha muito interessante, e o mesmo deve ter acontecido com todos os deputados que andavam pelos interiores e até dentro da nossa própria cidade Joinville, nos bairros, mais nas periferias da cidade. As pessoas, muitas vezes, graças a Deus uma minoria, vinham na janela quando eu passava com o meu caminhão pequeno, com microfone falando para todas as pessoas de vários bairros de Joinville, e apontavam para o chão cobrando de mim a arrumação das ruas cheias de buracos.

E em reuniões nota-se que muitas pessoas não têm muita noção da função de um deputado. O povo de um modo geral imagina que política é tudo uma coisa só, tanto na questão moral, quanto na questão das suas obrigações. Eu digo na moral, porque hoje há quase uma generalização que todo político é ladrão, que todo político não presta, devido às denuncias diárias que se vê na televisão.

Mas sabemos e temos nesta Casa exemplos monumentais de pessoas que trabalham muito para o bem do nosso estado, trabalham com seriedade e com muita transparência, e eu me incluo entre essas pessoas. Mas existe dentro da população uma falta de entendimento sobre o que realmente faz cada segmento político. Também como funciona o Poder Legislativo, o Poder Executivo, porque eu fui cobrado muitas, mas muitas vezes. Por exemplo, com relação à questão de ruas, quando se fazia uma reunião com 50 ou 60 pessoas existiam os seguintes questionamentos: "O que o senhor vai fazer pela nossa rua? Olhe a situação que estamos vivendo em nosso bairro?" E para explicar é difícil com poucas palavras, porque a pessoa pode até se ofender com a resposta certa, que seria: Eu não sou candidato a prefeito nem a vereador.

Então, temos que explicar para as pessoas que o vereador tem que cobrar do prefeito, que o deputado tem que cobrar do governador, que as obrigações executivas do município são tarefas do prefeito e que tem que ser cobradas pelo vereador, e que ao deputado cabe cobrar do governador verbas para a infraestrutura do seu município, fiscalizar o governo e assim por diante, mas isso é muito complicado para se explicar ao povo.

O Sr. Deputado Dirceu Dresch - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não!

O Sr. Deputado Dirceu Dresch - Eu agradeço deputado Nilson Gonçalves o aparte, é uma coisa que me impacta muito a sua fala no dia de hoje, porque no dia a dia, quando se conversa com a população isso acontece.

Infelizmente, no Brasil, colocamos os jovens com 16 anos para votar, mas não se discute com a sociedade essa questão política. Por exemplo, qual é o papel do político? Isto precisaria ser discutido nas escolas, ter um processo de preparação. No passado até tínhamos o tema política na escola, mas isso foi abandonado. Então, as pessoas votam, mas não sabem certo qual é o papel da política, do político. E o nosso papel como liderança política é ajudar nisso, mas existe, por outro lado, uma torcida, uma ação violenta da grande mídia em distorcer os fatos, colocar todos os políticos no mesmo saco, como se diz lá no interior, na mesma vala, dizendo que todos são corruptos, não prestam. E isto de fato nos preocupa. Precisamos buscar encaminhamentos, legislações, políticas para resolver essa questão. É preciso mostrar qual é o papel do governo municipal, do governo estadual e do governo federal. Enfim, destacar qual é o papel do vereador, do deputado estadual, do deputado federal, do senador, etc. E de fato v.exa. está com a razão, deputado Nilson Gonçalves, foi muito boa a sua intervenção nesse sentido.

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Muito obrigado, deputado Dirceu Dresch, e parabéns pela sua reeleição.

Hoje, pela manhã, eu assisti a um programa esportivo e o repórter que dá cobertura para o time do Cruzeiro, que está em disparada na liderança do campeonato, dizia para o pessoal que estava em São Paulo: Está sem graça isto aqui, não tem graça trabalhar, porque não há notícia para fazer manchete, não há notícia para vender jornal. E outro repórter pergunta: Mas por quê? Porque o Cruzeiro está lá em cima no campeonato, só tem notícia boa, só estão acontecendo coisas boas. O que eu faço? O bom é quando tem notícia ruim, porque aí se pode fazer manchete.

E podemos fazer um paralelo desse dialogo com relação à política, porque quando só tem notícia ruim, aí sim, tem muita manchete, muita divulgação e acaba-se generalizando tudo. Essa é a grande verdade.

O Sr. Deputado Kennedy Nunes - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não!

O SR. DEPUTADO KENNEDY NUNES - Nobre deputado, v.exa. tem toda razão, pois na semana da eleição fui chamado na comunidade Amar, em Itajaí, para participar de uma reunião com os jovens - e a maioria deles ia votar pela primeira vez - para falar um pouquinho sobre as questões políticas e depois abrimos um espaço para perguntas. E para minha surpresa, as perguntas foram sobre qual o papel de um vereador, de um deputado estadual e federal, de um prefeito, ou seja, eles não sabem, porque a escola não ensina! V.Exas. lembram da matéria que nós tínhamos no nosso tempo, OSPB, Organização Social Política Brasileira? Precisamos trazer isso novamente para as escolas. Nós tínhamos também IPT, Iniciação para o Trabalho e lembro que aprendíamos a preencher cheque.

Então, está faltando esse tipo de cidadania nas escolas, sem partidarismo, mas falando sobre a política até para as pessoas saberem como ela acontece.

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Complementando esse raciocínio, essa reflexão que estamos fazendo, também podemos falar em relação ao voto, ao nosso sistema democrático. Em Joinville tivemos uma quantidade assustadora de votos anulados e em branco! Nós temos um curral eleitoral de 380 mil eleitores e votos válidos para deputado estadual foram 198 mil. Foram 182 mil votos perdidos, porque as pessoas estão desencantadas com a política.

Cansei de ir a várias reuniões dizer para as pessoas que a democracia é horrível, é ruim, é uma porcaria, mas que os outros sistemas de governo são piores ainda. Quem de nós quer voltar para o comunismo? Quem quer ter um sistema comunista no Brasil, haja vista que sabemos que mais de 100 milhões de pessoas perderam a vida sob esse sistema de governo há anos? Quem quer para o Brasil o bolivarismo venezuelano, que mostra uma decadência do sistema econômico e tudo mais. Quem quer isso? Quem quer para o nosso país uma ditadura? Ninguém quer!

Então, não nos resta alternativa que não seja a democracia. E se nós temos democracia como alternativa temos que ter consciência de que votar é uma coisa séria e que não adianta ficar com raiva dos políticos e não ir votar. Temos que votar com discernimento e não por causa de uma placa de R$ 400,00 que foi colocada no quintal, ou por causa de uma transparência que dá direito a um tanque de gasolina para passear por ai. Então, as pessoas precisam ter consciência e responsabilidade ao votar e teremos essa oportunidade novamente agora neste segundo turno.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)