21ª Sessão Extraordinária - 14/11/2012
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital e visitantes, queria falar sobre um assunto que para um conjunto importante da sociedade brasileira e catarinense é fundamental, tem a ver com a publicação do jornal Folha de S.Paulo no dia de ontem, num caderno especial, que trata dos condenados ou das condenações aos envolvidos no episódio do mensalão.
Evidentemente não vou aqui questionar a decisão do Supremo Tribunal Federal, embora eu também tenha curiosidade de saber quando o mesmo Supremo Tribunal Federal vai condenar, de igual forma, os integrantes do mensalão de Minas, do ex-governador Azeredo, que já tinha como sócio o Marcos Valério.
Também gostaria de dizer que não entendi por que o Supremo Tribunal Federal determinou a liberdade duas vezes em uma semana do banqueiro Daniel Dantas, envolvido em tramoia com dinheiro de origem não muito lícita e preso pela Polícia Federal. Mas quero falar sobre outras questões.
Obviamente não é por gostar de ver esse caderno especial na Folha de S.Paulo e nem de ficar reprisando nomes e essa situação, mas quero falar de uma ignomínia que a Folha de S.Paulo cometeu no dia de ontem, mais de uma vez, ao publicar nesta edição especial sobre os mensaleiros condenados pelo Supremo Tribunal Federal a foto da professora Anita Leocádia Prestes.
Anita Leocádia condenada no mensalão também tem o nome completo, como todos os seres humanos, que é Anita Leocádia Pereira da Costa. Talvez nem mesmo o Supremo, mas principalmente os meios de comunicação não publicaram nem uma vez o nome completo da Anita Leocádia implicada no episódio do mensalão. Evidente que ao falar o nome Anita Leocádia, no mínimo 20% da população brasileira associa com Anita Leocádia Prestes.
Então, o simples fato de não publicar o nome completo pretende implicar uma pessoa que é uma personalidade conhecida e figura importante da história do nosso país - é parte da história do nosso país. Quando a imprensa publica apenas Anita Leocádia e não o nome completo confunde as pessoas, porque Anita Leocádia remete a Anita Leocádia Prestes para, pelo menos, 20% da população brasileira, talvez para mais do que isso. Milhões de brasileiros conhecem Anita Leocádia Prestes, apesar de ela não ser senadora, deputada e não ter cargos comissionados importantes. Aliás, nunca concorreu a nenhum desses cargos e nunca aceitou, se é que lhe ofereceram, algum desses cargos.
Então, a imprensa publica Anita Leocádia e isso já é uma má intenção. Mas a ignomínia, a vilania da Folha de S.Paulo, que também já foi cometida pela Rede Globo, no jornal O Globo e na Globo News, com imagens - e inclusive, de dentro do apartamento de Anita Leocádia Prestes, filmado pela janela - de Anita Leocádia Prestes para falar da Anita Leocádia implicada no mensalão, portanto corrupta. E o que é pior é que a Folha de S.Paulo publicou uma foto da Anita Leocádia Prestes embaixo de Anita Leocádia e não diz que é Anita Leocádia Pereira da Costa, essa, sim, condenada pelos episódios do mensalão.
Anita Leocádia pela qual eu falo é filha de Luiz Carlos Prestes, conhecido como cavaleiro da esperança e o maior dirigente do Partido Comunista Brasileiro ao longo de sua história. Aliás, o maior dirigente das classes populares da história deste país.
Anita Leocádia pela qual eu falo é filha de Olga Benário, comunista alemã que morreu na câmara de gás de um campo nazista de Hitler.
Anita Leocádia Prestes - e cuja foto não deveria estar dentro deste jornal entre o rol dos culpados do mensalão; a foto não deveria estar aqui e é um crime contra a verdade histórica deste país - nasceu numa prisão nazista, na primavera brasileira e no outono europeu de 1936.
A sua avó Leocádia que lhe dá o segundo nome, e Anita, o primeiro, de Anita Garibaldi, a catarinense, salvou Anita Leocádia Prestes da prisão nazista. Esta veio para o Brasil com 12 anos; esta militou no Partido Comunista Brasileiro; esta viveu a maior parte da sua vida na clandestinidade; esta era professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi cassada pela ditadura, foi proibida de exercer a profissão no Brasil durante muito tempo; esta não aceitou nenhuma benesse do poder; esta não trocou de posição política quando caiu o muro de Berlim; esta se manteve coerente com a verdade histórica; esta pesquisa a história do comunismo e das lutas populares, em nosso país, como forma de restabelecer a verdade omitida e obscurecida pela história oficial, mentirosa e cínica.
Não podem os meios de comunicação do Brasil colocarem a foto de Anita Leocádia Prestes num jornal, juntamente com os condenados do mensalão, porque ela não pertence, nunca pertenceu e nunca quis pertencer a esse rol de culpados e nem a essa política defendida por eles. Este é que é o fato.
Anita Leocádia, se alguém quer ter uma ideia ainda melhor, entrou na Justiça para requerer o tempo de serviço que ela não pode cumprir, como trabalhadora brasileira, em virtude da perseguição da ditadura. Depois que foi lançado o filme sobre a Olga, que é sua mãe, se aligeiraram e determinaram o valor de R$ 100 mil de indenização para Anita Leocádia Prestes, isso no recente ano de 2004. Ela doou esse valor para o Instituto de Combate ao Câncer, porque não aceita receber nem um centavo pelas injustiças, para tentar reparar, como se fosse possível, as injustiças cometidas contra a nação brasileira.
É preciso registrar isso e deixar claro que Anita Leocádia Prestes não pertence a esse tipo de grupo de pessoas que foram condenadas no mensalão, ela é historiadora, professora aposentada, continua trabalhando. A nosso convite virá aqui, neste Poder, lançar seu mais novo livro, contando verdades do povo brasileiro para as novas gerações.
É preciso repudiar a atitude vil da Folha de S.Paulo e de outros grandes veículos de comunicação que fazem isso de propósito.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)