Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Gilmar Knaesel

42ª Sessão Ordinária - 06/06/2001

O SR. DEPUTADO GILMAR KNAESEL - Sr. Presidente Onofre Santo Agostini, demais Deputados que encontram-se no Plenário, eu preciso nesse momento ocupar a tribuna até na esteira do que muitos Deputados colocaram.

Agora, Deputado Moacir Sopelsa, relata e fala da serenidade, Deputado Ivan Ranzolin, aparteando fala corretamente, com a experiência de seis mandatos nesta Casa - dos posicionamentos - de como nós devemos nos comportar. E nós que fizemos política construtiva, incluo V.Exa., Deputado Volnei Morastoni, e tantos outros, que diferentemente da questão partidária, entraram na vida pública para buscar dar a sua contribuição sempre olhando, tentando ajudar para melhorar a qualidade de vida. Mas, principalmente com os olhos no lado social, as pessoas vêem no Parlamentar muitas vezes a esperança de resolver o seu problema.

É dessa forma que eu entrei na vida pública herdada pelo meu pai, que foi um simples Vereador, chegou a Prefeito, Deputado Estadual e morreu muito jovem.

E nesta mesma esteira, Deputado Jaime Mantelli, entrou na vida pública um jovem, filho de uma professora, de um pai que trabalhava nos Correios e Telégrafos, que lutaram para dar aos seus quatro filhos uma única coisa: educação.

Conseguiu formar os quatro em cursos universitários: um em medicina, dois em engenharia e a moça em educação física. Acompanhei desde a minha infância o trabalho sério e sofrido da família Pizzolatti para terem acesso à educação e a possibilidade de uma vida melhor.

O jovem Pizzolatti se destacava desde pequeno como uma pessoa de uma liderança muito forte, sendo campeão estadual em ciclismo e tantas outras atividades no esporte. Passou, junto com este Deputado, num concurso público, em l974, para Fiscal de Mercadorias em Trânsito e desde aquela época discordávamos e discordamos da forma como se atua e se faz fiscalização em nosso Estado, onde um grupo de Fiscais de Tributos Estaduais detém o poder e não dividem fazendo dentro da Secretaria da Fazenda um círculo fechado.

Muitas vezes, desta tribuna, fizemos discursos, apresentamos propostas para governantes, desde o Governo Pedro Ivo Campos, passando por Vilson Kleinübing, Paulo Afonso e Esperidião Amin, mas nunca fomos ouvidos para uma mudança de sistemática dentro da Secretaria da Fazenda, onde o objetivo é a arrecadação.

Agora, com o crescimento político, graças ao trabalho comunitário, graças a assistência que damos a nossa região, aos nossos Prefeitos e aos nossos Vereadores, estamos sendo alvos! Alvos de uma coisa que imaginava não existir, de ciumeira política, muitas vezes, quando se vê uma liderança se formando e que precisa ser podada. É isso que está acontecendo na prática. Tanto dentro dos Partidos que pertencemos, como também nos Partidos de Oposição.

Nunca tivemos cargo na Secretaria da Fazenda, nunca exercemos nem a chefia de quarteirão, para poderem dizer que nós cooptamos ou participamos de qualquer esquema de sonegação. Nunca fizemos parte da administração da Secretaria da Fazenda. E não somos Fiscais de Tributos, a quem cabe hoje ainda... Por questões ainda não resolvidas... E aqui por várias vezes a Assembléia tentou mudar o sistema da Secretaria da Fazenda. Mas, infelizmente, mais uma vez, o Sindicato dos Fiscais de Tributos, que hoje assessora a Deputada Ideli Salvatti na CPI, que está dizendo uma série de coisas, não têm a coragem de vir discutir abertamente. Por que não há mudanças na Secretaria da Fazenda?

Agora, o que está acontecendo? O Deputado João Pizzolatti e sua esposa, que lutam para ter uma vida melhor, estão sendo acusados de participar do esquema de uma empresa, que todo mundo sabe, há mais de dois anos em Brasília, pela simpatia, pelo espaço que conquistou, vende, nos momentos de política eleitoral, camisetas para candidatos à uma vaga na Câmara Federal ou em Prefeituras.

É claro que com isso ganha uma comissão! Isso acontece já há dois anos e o Ministério Público sabe. Há dois anos isso é público e agora vêm fazer como se fosse um grande esquema de sonegação fiscal! Não tem nada a ver com sonegação fiscal!

Agora, a Deputada Ideli Salvatti vem dizer que não pôs para fora informações sigilosas! A esposa do Deputado Pizzolatti está depressiva, mal pode andar nas ruas, porque está sendo, antes de os fatos serem devidamente esclarecidos, acusada pela imprensa, através da Deputada Ideli Salvatti, como se recebesse cheques. Não que fossem cheques duvidosos, quando todo mundo sabe, inclusive o Ministério Público, Deputado Joares Ponticelli.

Portanto, a bem da verdade, esta zelosa imprensa de Santa Catarina, que tenho tanto respeito e confiança, não vai mais uma vez, já que neste momento a Deputada está fugindo do centro das discussões, acusar o Deputado João Pizzolatti e sua esposa, porque sabe que houve cooptação, houve tentativa de corrupção do seu assessor para conseguir pessoas que pudessem dar declarações a favor da CPI.

Vamos colocar a verdade! A verdade tem que ser colocada. Estou aqui há 10 anos, nunca acusei um Deputado! Nunca entrei no mérito pessoal! Sempre tentei construir, sempre ajudei a fortalecer o Parlamento! E nem nesse recente episódio, Deputado Volnei Morastoni, quando estive à frente da Presidência da Assembléia todas as questões do PT foram respeitadas! Todos os questionamentos de todos os 40 Deputados procuramos encaminhar de forma democrática, transparente, sem discriminação.

E hoje estamos vendo que está se armando, mais uma vez, um circo. Porque nada mais é do que um circo que só tem um dono! Mas espero no final, Deputado Jaime Mantelli, que a serenidade deste dono do circo também sirva para outra coisa que tem em circo.

Então, quero fazer este depoimento na defesa da honra do Deputado João Pizzolatti, da sua esposa, porque não é justo que se acuse uma pessoa antes que os fatos sejam devidamente comprovados.

Tivemos aqui a CPI, uma CPI difícil do crime organizado, que foi presidida, que teve relatoria em momentos difíceis e que nunca, antes dos fatos serem comprovados, colocou um fato para a mídia, para a opinião pública, para que, seja quem fosse, não fosse execrado antes que a verdade fosse devidamente esclarecida.

É o que está acontecendo, Deputado! Inclusive com colegas da Fazenda. Inclusive com colegas da Fazenda que já estão sendo acusados antes dos fatos serem devidamente esclarecidos!

Portanto, serenidade tem que haver desde a Presidência da Assembléia, desde um Presidente de Comissão, desde Presidente de CPI. Tem que ser um magistrado. Tem que coordenar os trabalhos. Mas o que está se vendo é que existe um Presidente, um Relator e um único Deputado nesta Comissão, que toma as dores de tudo, de todos e que faz disso seu único dono!

Então, espero que a partir dessas denúncias que tem sim, Deputado Joares Ponticelli, declarações perante o Ministério Público parece que não servem de provas! Parece que não servem de provas! Mas quero dizer que a prova final, se é isso que estão esperando, a gravação, está em boas mãos e vai estar à disposição da nossa zelosa imprensa, dos nossos Deputados, num momento mais rápido do que muitos esperam.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)