74ª Sessão Ordinária - 25/09/2003
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, meu pronunciamento de hoje diz respeito às TVs e o Código de Ética.
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"Ainda rende na mídia o tema relativo a Gugu e ao ‘Domingo Ilegal.’ Desta vez, no último domingo, Gilberto Dimenstein, este brilhante colunista da Folha de S. Paulo, faz uma abordagem sobre o acontecimento, trazendo esse escândalo para o prisma de sua análise reveladora.
O fato é que por aí se vê com é tratado o telespectador brasileiro, sem o mínimo de respeito, num ‘ambiente, como diz, de vale tudo’ ocasionado por uma disputa feroz entre as empresas concessionárias, pela audiência, que justificará a publicidade disputada aos tapas, sem o menor constrangimento de ferir a formação, a sensibilidade das pessoas e os preceitos éticos.
É uma questão por demais debatida pelo País, não sendo de hoje que se levantam vozes e clamores para discordar dessa libertinagem com que somos tratados, sobretudo a infância e nossos jovens, a quem é diariamente servido um cardápio de violência, sexo, vulgaridades, impropriedades de toda ordem, em que se juntam o mau gosto e a deformidade moral.
Nesse episódio fica exposto como muitas vezes somos sujeitos a artifícios midiáticos, preparados ardilosamente por detrás das lentes televisivas, sem qualquer preocupação ou compromisso de retratar a verdade, de preservar-se a legitimidade de fatos, notícias ou eventos, pois apenas um fator predomina na montagem desses programas, fazer sensacionalismo, atrair o Ibope e faturar.
Essa é uma visão comercial imediatista, desrespeitosa e inaceitável preocupados apenas em engordar suas contas bancárias sem revelar em detalhes essas suas particularidades, que afrontariam nosso telespectador menos avisado, soubesse a que se presta, a que estão sujeitos seus familiares, principalmente seus filhos menores, bombardeados diariamente por tamanha falta de pudor e indecente manipulação.
Sabemos que a violência que brota das ruas tem, em substancial parcela, procedência do vídeo da TV, quando se misturam cenas do cotidiano com filmes policiais, a programas de baixa reputação, num coquetel extremamente letal, um veneno insidioso que está contaminando as mentes e os corações desta geração da ‘Cidade de Deus’.
É uma temeridade, pois a nossa juventude está sendo sujeita a uma lavagem cerebral diária e estarrecedora, invertendo-se valores, pregando-se, pelo exemplo desses falsos heróis, uma mística desagregadora que vem transformando o País num cenário de bang-bang e outras atrocidades, fruto de uma falsa cultura, em que prevalece a indecência, a obscenidade, a desonestidade, a esperteza, pois está se perdendo o senso, o limite, o referencial de todo comportamento humano e social.
Felizmente, nesse quadro desalentador, surge uma providência que vem criar uma expectativa, quando o Governo Lula anuncia que vai exigir das redes de televisão que se reúnam, a fim de elaborar um Código de Ética, instituindo-se por outro lado, um Comitê Gestor para controlar a qualidade da programação.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e a Secretária Nacional de Justiça, Cláudia Chagas, já estão se reunindo com as emissoras de modo a determinar-lhes a auto-regulamentação.
Este é um fato novo, de valor inestimável, com certeza, porque é preciso que se melhore a programação das concessionárias de TV, que devem prestar relevante serviço a nossa sociedade, trazendo com exatidão e fidelidade os fatos e as notícias, informando devidamente e prestando o transcendental papel de, sobretudo, formar os cidadãos deste País tão aviltado.
Assim, se há uma notícia boa para o País hoje, é esta, a atuação do Governo Lula"
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)