Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Ronaldo Benedet

18ª Sessão Ordinária - 02/04/2003

O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, estava em audiência no meu gabinete com Vereadores do Município de Morro Grande.

É com grande satisfação que estamos aqui no dia de hoje, como filiado do MDB - Movimento Democrático Brasileiro - desde l976, e militante do MDB, fichado pelo Dops - Departamento de Ordem Política e Social - por pensar diferente daqueles que governaram o País durante a ditadura militar.

Não podemos deixar de relembrar o manto da nuvem negra estendida sobre este País durante os anos de l964 a l985.

Quero dizer que hoje este País vive com todas as dificuldades: sociais, segurança pública, desemprego, mas é um País institucionalmente democrático.

Como dizia Tancredo Neves: "Enquanto houver uma só pessoa com fome a democracia não estará completa". Ela não é completa no campo social, no campo de distribuição de rendas, mas no campo institucional, graças a Deus, nós a temos hoje.

Sempre dou como exemplo a lembrança dos tempos da ditadura militar, que vivi, quando, por qualquer motivo, recebíamos represálias. Só por pensar diferente daqueles que estavam no Poder, éramos presos, sem direitos políticos. Eram políticos cassados. Não tínhamos o estado de direito. E o Brasil, de l964 a l985, viveu o temor, a falta de oxigênio pela presença da ditadura militar.

Democracia é como oxigênio. Digo sempre aos jovens que se não sabem o que é democracia, façam um comparativo: tranquem o nariz, fechem a boca e vejam quanto tempo conseguem ficar sem ar. Os mais preparados, os não-fumantes, até um minuto e alguma coisa, mais que isso não; embaixo d’água, trancando o nariz e a boca, sem oxigênio não vivemos. E no tempo da ditadura militar era assim.

Hoje não sentimos mais o que é democracia, porque vivemos nela. Os trabalhadores podem fazer greves; os políticos podem se manifestar; os estudantes podem fazer suas manifestações; os sem-terras fazem suas movimentações, enfim, os mais diversos grupos sociais no Brasil se movimentam com liberdade de expressão.

Nós, do tempo negro da ditadura militar, sabemos o que é ter um bom ar para respirar. Valorizamos o ar que respiramos, os dias da democracia, os dias de liberdade, os dias de liberdade de expressão, o dia em que um metalúrgico pode ser Presidente da República.

Naquela época, quando se poderia imaginar que o Lula, um agitador, um líder sindical à época e preso pela ditadura militar, um dia viria a ser o Presidente da República. Um exilado como Fernando Henrique Cardoso, embora Lula e Fernando Henrique tenham sido opositores...

Mas é a democracia que vivemos e ela tem de ser comemorada. E essa semana, a da dita Revolução - mas é a do Golpe Militar de 64 -, tem de ser relembrada, mas não contra os militares, contra a instituição militar, que é uma instituição que deve ser preservada, respeitada e que é tão necessária para o nosso País, mas relembrada que nesse período um cidadão, só por pensar diferente do poder, era preso, morto, perseguido e cassado.

E hoje o poder do Estado não dá conta nem mesmo de meia dúzia de bandidos, que se alojam nos morros e nas favelas e, às vezes, nos edifícios mais luxuosos das grandes cidades do nosso País. Esse é o comparativo que se faz: momentos de democracia.

E queremos dizer que a democracia existe, acima de tudo, para defender o cidadão e para garantir igualdade de condições, igualdade de expressão, igualdade na distribuição de renda para as pessoas para que elas possam também ser iguais, liberdade de expressão e de opinião, e o aprofundamento das instituições democráticas no nosso País.

Por isso, não podíamos, nesta semana, no nosso pronunciamento, deixar de relembrar os tempos negros da ditadura militar. Que ela nunca mais volte! Que todos nós, com espírito democrático, sejamos os vigilantes da democracia!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)