Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sérgio Godinho

93ª Sessão Ordinária - 21/11/2006

O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Sr. presidente e srs. deputados, antes de iniciar o meu pronunciamento eu gostaria de fazer o registro da presença nesta Casa do vereador do PFL de Santo Amaro da Imperatriz, Orlando Gorgone, e do vereador do PMDB, Jorge Caibá, que nos honram com sua presença nesta Casa.

Sr. presidente, quero fazer o registro da criação, na cidade de Lages, do Instituto Histórico e Geográfico de Lages. Trata-se de uma entidade que lutará pela preservação da memória cultural do nosso município, cultivando todas as suas raízes históricas e geográficas que têm sido até aqui um legítimo orgulho de muitos lageanos e catarinenses.

O instituto recém criado em Lages vai considerar, quero crer, imagens de um presente, revelando a história e a memória da nossa cidade de Lages, que muito orgulho causa a todos nós, catarinenses, e também aos nascidos, ou não, nesta terra que um dia foi fundada por Antônio Corrêa Pinto de Macedo, no dia 22 de novembro de 1766.

Hoje registro aqui a criação desse instituto que tem como presidente uma pessoa fenomenal, um historiador, um escritor, o jornalista Paulo Ramos Derengoski, que está dirigindo essa instituição e que tem trazido muitos benefícios à cultura do nosso estado.

Hoje, na véspera da inauguração desse instituto na cidade de Lages, gostaria de ler uma mensagem de Paulo Ramos Derengoski, presidente desse instituto, um lageano, um escritor, um cidadão daquela terra, que diz o seguinte:

(Passa a ler)

"'As Brumas das Lagens

Nossa Senhora dos Prazeres do Sertão das Lagens foi fundada a partir de uma grave decisão geopolítica tomada no Castelo de Sintra - onde estava enterrado o tesouro dos Templários Medievais - em Portugal de 1763, depois que aguerrido chefe militar de Buenos Aires, o nobre espanhol dom Pedro de Cevallos, invadiu e ocupou quase todo o Rio Grande do Sul.

Partindo do Rio da Prata ele tomou o Porto de Rio Grande, a Colônia de Sacramento (Uruguai) e os campos das Missões, enquanto o cabo de guerra Vertiz y Salcedo chegava às portas de Rio Pardo - a 'Tranqueira Invicta' - que foi salva por Francisco Pinto Bandeira e seus temíveis lanceiros negros, ainda em 1764.

Seu filho, Rafael Pinto Bandeira, guerrilheiro exímio, conseguiu aos poucos reconquistar o Rio Grande do Sul, tornou-se protegido do Marquês de Pombal e da rainha D. Maria I. Foi nomeado general do exército português e ganhou grandes sesmarias em S. Francisco de Paula, onde também tinha terras seu compadre Antônio Correia Pinto de Macedo, fundador de Lages.

Em novembro de 1776, Dom Pedro de Cevallos partiu da Espanha com uma poderosa frota de 116 navios e veio tomar a ilha de Santa Catarina. Seu objetivo estratégico era ressuscitar a letra (morta) do Tratado de Tordesilhas.

Prevendo tal possibilidade, o Marquês de Pombal determinou ao governador de S. Paulo, Morgado de Matheus, que fortificasse ainda mais a paragem 'dita das Lagens', nos campos do sertão de Curitiba, o Continente das Lagens, os Campos de Serra Acima, já então povoados de gado, a fim de impedir que os espanhóis ousassem atravessar o Rio Pelotas, no atual Passo de Santa Vitória, na Coxilha Rica. Pois se fincassem pé na margem direita do Pelotas, não mais haveriam obstáculos para o Norte.

O tratado de Santo Ildefonso, de 1777, liquidou as pretensões de Pedro de Cevallos. Até porque a paragem 'dita das Lagens' lá estava, guardiã do Portal do Planalto, pronta para obstaculizar, se necessário fosse, a avançada empoeirada da morte castelhana.

Quando o bandeirante paulista Antônio Correia Pinto de Macedo chegou a Lages, há 240 anos, a região já era ocupada por dezenas de milhares de cabeças de gado selvagem que haviam escapado das missões jesuíticas.

Ele era um homem de formação pré-militar e tinha ordens precisas para estabelecer naqueles ermos uma frente de aguerrida que não deixasse vir do Sul nem soldados castelhanos, nem padres jesuítas. A bandeira de Portugal assim o exigia. De fato e de direito ele se instalou às margens do Rio Carah, afluente nas proximidades do Rio Caveiras e seu primeiro ato foi erguer um pelourinho, como advertência aos relapsos. E assim começou a saga das grandes invernadas.

Procurando um caminho que facilitasse a ligação das pastagens missioneiras com Sorocaba e as Minas Gerais, o chamado Continente das Lagens passou a ser o ponto de referência para o repouso das longas caminhadas, numa saga superior à conquista do Oeste nos Estados Unidos. A partir daí, ano após ano, década após década, um rebanho bovino, que pode se estimar em mais de 400 mil cabeças, passou a fornecer carne para o centro do país.

No início, aproveitava-se mais o couro do boi, o sebo dos rins, para gerar luz noturna, e o charque, já que não havia câmaras frigoríficas. Assim, nos últimos séculos, mais de cinco milhões de cabeças de gado de corte saíram daqueles campos para alimentar a população com a mais nobre das proteínas vermelhas: a carne!'"[sic]

Com esta mensagem, sr. presidente e srs. deputados, faço aqui a todos nós, serranos e catarinenses, uma reflexão sobre a sua descoberta, com a fundação da cidade de Lages em 1766. Exatamente hoje estamos na véspera do aniversário de fundação daquela cidade por Antônio Correia Pinto de Macedo. Faço esta mensagem hoje aqui - e amanhã estarei aqui fazendo outra mensagem, no dia do aniversário - para parabenizar e mostrar a toda Santa Catarina a nossa grande cidade de Lages e a sua história.

No início do nosso pronunciamento fizemos referência à criação do Instituto Histórico e Geográfico de Lages, um instrumento muito importante para que histórias como essa que eu relatei aqui possam ser registradas ao longo do presente, do futuro. E através desse instituto poderemos resgatar toda a história da cidade de Lages e também do estado de Santa Catarina, do qual essa cidade faz parte.

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Pois não!

O Sr. Deputado Onofre Santo Agostini - Quero cumprimentar v.exa. e o povo lageano por essa data especial de um município tão importante para Santa Catarina. Eu também comungo da alegria de v.exa., haja vista que o meu município foi distrito de Lages. Curitibanos desmembrou-se de Lages. Portanto, queremos cumprimentar todo o povo lageano por esta data tão importante.

Se v.exa. me permitir abusar destes 30 segundos, quero dizer da alegria e da satisfação de termos aqui em nosso meio o vereador Nereu Candido Martinhago, do município de Quilombo, e da nossa ex-vereadora, sra. Lindaura, do município de Rio Rufino.

Por isso, saudamos os visitantes, que nos honram, sem dúvida nenhuma, com a sua presença.

Parabéns, Lages, pelos muitos progressos no desenvolvimento daquela região, feito com amor e carinho, como o povo lageano tem feito até agora!

O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Eu queria dizer que amanhã farei, dentro deste espírito de homenagear Lages pelos seus 240 anos, que ocorrerão amanhã, uma homenagem também ao sertanejo do Desterro. Foi o primeiro homem branco que saiu da Ilha de Santa Catarina para ajudar a desbravar a serra catarinense. Então, essa homenagem...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)