Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Afrânio Boppré

33ª Sessão Solene - 30/11/2004

O SR. JORNALISTA MOACIR PEREIRA - Excelentíssimo Sr. Deputado Onofre Santo Agostini, digníssimo Presidente da Assembléia Legislativa do Estado;

Excelentíssimo ex-Deputado e Secretário de Estado da Articulação Estadual Miguel Ximenes, neste ato representando o Sr. Governador Luiz Henrique da Silveira;

Excelentíssimo Desembargador e também ilustre amigo José Volpato de Souza, representando o egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina;

Ilustre Desembargador Nelson Martins, também prestigiando esta cerimônia, igualmente do egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina;

Excelentíssimo Sr. Procurador Narciso Rodrigues, neste ato representando o Ministério Público Estadual;

Caríssimo amigo e ilustre Presidente da OAB de Santa Catarina, Dr. Adriano Zanotto;

Eminente amigo, ex-Governador Ivo Silveira, sempre presente em todos os acontecimentos políticos, sociais e culturais da nossa terra;

Eminente Deputado Romildo Titon, ilustre membro da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, que igualmente com o seu voto deu aprovação imediata ao projeto apresentado a esta Casa para a realização desta cerimônia.

Sem desejar retribuir homenagens, devo registrar - e disto é testemunha o Deputado Romildo Titon -, que ao ser solicitado pelo ex-Deputado Luiz Azevedo, chefe de gabinete da Presidência, fui prontamente atendido pelo fato de ter sido acolhida a preliminar sugestão ao apresentar ao Deputado Onofre Santo Agostini, então Presidente em exercício da Assembléia, e a toda a Mesa Diretora, o projeto, aprovando-o integralmente, na forma como foi apresentado, de forma muito simples. E aqui ele se transformou, então, numa idéia que hoje se concretiza neste Poder.

Gostaria de cumprimentar, respeitosamente, o Arcebispo Metropolitano Dom Murilo Krüeger pela sua representação na comunidade de Santa Catarina, já antecipando homenagem ao nosso saudoso Dom Afonso Niheus.

Esse livro que eu tive o privilégio de modestamente escrever e de estar lançando hoje, aqui, revelou um fato que eu, jornalista político, desconhecia, fato esse revelado pelo Senador e ex-Deputado Nelson Wedekin: a participação atuante, ativa e decisiva de Dom Afonso Niheus nos bastidores, com cautela, mas determinado para a libertação dos estudantes presos de Santa Catarina e de outros atos que ocorreram. Nelson Wedekin era na época Presidente da Comissão de Justiça e Paz.

Gostaria de fazer uma saudação muito especial aos Srs. Deputados Estaduais da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina pelo privilégio que estão me conferindo, hoje, de fazer deste lançamento e desta noite de emoção uma recordação a fatos importantes que marcaram a história do Estado.

Peço licença para uma saudação ao Júnior Lauri Schwingel, Presidente da União Catarinense dos Estudantes.

Srs. Deputados, tenho o prazer de registrar, aqui, que tão logo a mesa aprovou o projeto com uma participação imediata de todo o corpo funcional desta Casa; da Ordem dos Advogados do Brasil, na pessoa do Sr. Presidente; da União Catarinense dos Estudantes; da Secretaria de Estado da Informação, na pessoa do Secretário Derly Massaud da Anunciação; do Presidente da Eletrosul, na pessoa do nosso amigo Milton Mendes, todos abraçaram imediatamente a iniciativa ao avalizarem esta decisão do Parlamento Estadual.

Gostaria de fazer uma saudação muito carinhosa a todos os ilustres homenageados desta noite, pois a eles é que devem ser dirigidos todos os nossos cumprimentos e todas as nossas homenagens e, sobretudo, aos seus familiares.

Um carinho especial e um cumprimento às autoridades civis, militares, eclesiásticas aqui presentes e representadas.

Aos convidados da Assembléia Legislativa, aos convidados dos nossos homenageados, aos convidados do Autor que hoje têm o prazer de fazer este lançamento.

Peço vênia, Sr. Presidente, para uma saudação especial e também carinhosa aos meus queridos familiares, à minha mulher Adir, companheira e conselheira, sempre presente nas minhas atividades profissionais, aos meus filhos, às minhas duas netas que aqui também estão presentes, que são o oxigênio para prosseguirmos na caminhada, aos familiares da minha esposa Adir e a todos os meus amigos.

(Passa a ler)

"Um povo que não conhece a sua história, minhas senhoras e senhores, não saberá construir o seu futuro.

Sr. Presidente, de início pretendo congratular-me como cidadão, como jornalista, como um dos que testemunhou o fato marcante da Novembrada em Florianópolis, com a Mesa da Assembléia Legislativa e com todo o Poder Legislativo catarinense, pela decisão de promover, nesta noite, uma sessão comemorativa dos 25 anos da Novembrada.

Este ato permite, em primeiro lugar, que sejam homenageados aqueles que lideraram o movimento que ajudou a despertar, de maneira expressiva, de maneira política, a auto-estima política de todos os catarinenses e projetou o Estado de Santa Catarina com a imagem nova de um povo corajoso e heróico numa etapa decisiva da reconstrução democrática do Brasil.

Desejo, ao trazer uma modesta contribuição profissional ao resgate inicial de um episódio que marcou a história catarinense e brasileira, creditar este gesto ao meu querido companheiro e amigo Nelson Rolin de Moura, aqui presente e a quem solicito que compareça, neste momento, no Plenário da Assembléia Legislativa. Porque não fora o seu incentivo decisivo, o seu estímulo quando tomou conhecimento do que eu guardara (até hoje não sei se guardara por um cacoete profissional), ou seja, as cartas, as notas oficiais, os documentos, o material jornalístico rico da imprensa catarinense, brasileira de São Paulo, do Rio de Janeiro e as revistas de expressão nacional, não teria resgatado, ainda que parcialmente, com muitas falhas, pela exiguidade do tempo, esta magnífica realização da população de Santa Catarina.

Graças a esta sua decisão, o livro está sendo editado e graças à edição do livro podemos trazer aqui a iniciativa da sessão solene à Mesa da Assembléia Legislativa do Estado.

É importante assinalar, repito, a pronta adesão do vice-Presidente, Deputado Onofre Santo Agostini, e de todos os membros da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, especialmente a participação de um abnegado corpo de servidores do Departamento Parlamentar, do Serviço Gráfico, da Assessoria Cultural e da Divisão de Imprensa, todos incansáveis nos contatos com os homenageados e na organização desta cerimônia.

O meu abraço agradecido e fraterno ao meu companheiro e jornalista Sérgio Lopes, que me privilegiou com o prefácio desta obra. Ele atuou durante anos no Poder Legislativo, honrando o jornalismo político da nossa terra, transformando-se em uma das penas mais brilhantes no processo de comunicação do Estado.

Desejo dividir esse lançamento com todos os meus familiares, com os meus companheiros de imprensa e com os meus queridos amigos. E quero fazer uma referência especial aos confrades da Academia Catarinense de Letras, que tiveram a generosidade de me introduzir, no ano passado, na Casa de José Boiteux. E a partir dali deram-me mais incentivos para o resgate da memória política de nosso Estado.

Com saudades, neste momento, homenageio o ex-Presidente Paschol Apóstulo Pitsica, incansável na lealdade e na amizade, e abraço também os meus queridos diretores e conselheiros da Associação Catarinense de Imprensa, a Casa do Jornalista, e do Instituto Histórico e Geográfico do meu Estado.

Sr. Presidente, Srs. Deputados, senhoras e senhores, o livro que hoje está sendo lançado, está longe de ser uma obra acabada. Ao contrário, pelo exíguo tempo com que foi elaborado contém muitas falhas e omissões, mas é o primeiro inventário jornalístico sobre um dos episódios políticos de maior expressão da vida dos catarinenses e dos brasileiros nos últimos anos, registrando fatos inéditos da história de Santa Catarina.

Nos últimos dois dias recebi pela Internet, pelo telefone e em contatos pessoais, depoimentos ricos de políticos e amigos que tiveram ativa participação na Novembrada. Estes e outros relatos certamente enriqueceriam uma nova edição, a contar inclusive com o testemunho dado pelo próprio Governador Luiz Henrique da Silveira quando do processo de julgamento dos estudantes na cidade de Curitiba.

O extraordinário manancial de dados e fatos, políticos e humanos sobre a Novembrada constitui terreno fértil para os escritores talentosos do meu Estado e também para os historiadores."

Ainda, agora, quando aqui chegava recebi do ex-Deputado Murilo Canto fotografias que revelam justamente a participação dele e de todos os homenageados no processo, que acabou sendo denominado Novembrada.

Temos a revelar que há um manancial extraordinário de informações, de fatos, que merecem efetivamente ser resgatados para a história de Santa Catarina, especialmente para aqueles que hoje com mais de 35 anos não tiveram a possibilidade do acesso, a não ser através de pesquisa nos jornais e nas revistas da época.

Há múltiplas leituras para a Novembrada, algumas foram aqui apresentadas pelo ilustre Deputado Francisco Küster, que considero ícone Parlamentar da Novembrada, até pelos registros fotográficos que ficaram para a história catarinense.

Destaco na Novembrada o papel decisivo, na construção da cidadania política de Santa Catarina, o despertar da auto-estima do nosso povo, uma projeção nova que nós tivemos da imagem de Santa Catarina no plano nacional e até internacional e sobretudo a bandeira do catarinensismo visível na maior manifestação popular, política, estudantil da recente história de Santa Catarina."

O livro não traz grandes novidades, ele é, como falei, um inventário, um relato jornalístico, mas tem o mérito de ser uma obra editada. Portanto, acessível às novas gerações, aos familiares do homenageado, dos participantes, mas as pessoas com idade nova ainda não tiveram oficialmente acesso a essas informações. O livro traz uma teoria que merece avaliação e evidentemente a crítica de todos os catarinenses.

Creio que há uma espinha dorsal nos fatos históricos que marcaram o nosso Estado. Etapa 1: o lançamento do jornal O Catarinense por Gerônimo Francisco Coelho. Lá está dito que ele vem para ajudar na divulgação das idéias, na liberdade de expressão do pensamento, da comunicação humana, mas também, de maneira enfática, da insatisfação da população da antiga Desterro, da Província de Santa Catarina, em relação a exagerados centralismos do Poder Monárquico sob o regime imperial.

Na seqüência temos a República Juliana, onde mais uma vez a população se insurge em defesa de novas idéias, mas também contra o centralismo do governo monárquico, da monarquia imperial.

Temos, em Santa Catarina a Revolução Federalista, que tem múltiplos aspectos, muitas leituras, mas vai encontrar também o desejo daqueles que participaram desse movimento, alguns com a própria vida, de dar um basta na centralização da recém República instalada no Brasil.

Finalmente, o Contestado, que é um fenômeno ainda pouco divulgado, começa a ser resgatado, mas tem lances, fatos importantíssimos que ainda são do desconhecimento da maioria da população, ainda não chegou sequer às nossas escolas e decorre de uma reação popular, de uma reação da população catarinense a uma decisão autoritária do Governo Central ao estabelecer a concessão para a construção de uma ferrovia, com a desapropriação de terras a 15 quilômetros à margem esquerda e à margem direita do Rio do Peixe, no Meio-Oeste de Santa Catarina.

E, para encerrar, o processo da Novembrada, que tem também esta marca na espinha dorsal da manifestação do povo em defesa de suas tradições e de seus direitos.

Catarinenses de valor, os atores que efetivamente participaram deste processo, contam, a partir de hoje, com um pequeno e novo referencial, uma fonte para mostrar o quanto fizeram para a construção da democracia no Brasil e a afirmação política do povo e do Estado de Santa Catarina.

Mais uma vez, Sr. Presidente, transmita à Mesa Diretora e a todos os Deputados o agradecimento, com muito carinho, pela decisão de aprovarem a iniciativa e de sobretudo de prestarem esta merecida homenageada, resgatando este grande feito do povo de Santa Catarina.

Muito obrigado!

(Palmas)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)