66ª Sessão Ordinária - 18/08/2015
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, srs. deputados, todos que nos acompanham, uma saudação.
Eu nesta tarde não podia deixar de vir a esta tribuna e fazer um comentário, sr. presidente, sobre o que eu vi neste final de semana pelo Brasil, especialmente sobre uma figura que fez uma fala pedindo a renúncia da presidente Dilma Rousseff. Esta figura tem-se transformado, diria, num garoto animador de torcida, que é o nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele que há época quando saiu do governo estava com a popularidade mais baixa do que hoje a presidente Dilma está.
Então, é uma figura que não tem moral para fazer isso. Não tem moral para fazer isso pelo o que fez no Brasil e pelo o que representou para o povo brasileiro, pois o país, depois que ele saiu não tinha crédito para comprar um pãozinho de cada dia, para deixar os recursos, que era obrigado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Quando ele saiu teve que fazer um empréstimo de mais de R$ 40 bilhões, do FMI. Tal que era o crédito do Brasil, com um Risco Brasil com mais de 1.400 pontos que o país enfrentava naquela época. Então, de fato, a população, com certeza, não quer voltar no tempo e ver figuras como esta voltar ao cenário político no Brasil.
Então, por isso, não poderia deixar de registrar isso no dia de hoje. Até acho importante que o próprio PSDB saia do muro e vá às ruas partidarizar o movimento neste momento. Com certeza há um novo fato político neste final de semana e muita gente que dizia que este movimento, já na outra mobilização, era um momento apartidário, e tal, agora, está claro que é um movimento articulado, inclusive com dados, em jornais, fora do Brasil, dizendo que é uma articulação feita, inclusive com os Estados Unidos.
Eu já falei isso aqui na tribuna por vários momentos e não tenho nenhuma dúvida de que este grande movimento que estamos vivendo no Brasil hoje para tirar o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma do governo está no centro da disputa os grandes recursos naturais.
E o centro da disputa é essa coisa horrível que vem se construindo no país, neste querido, bonito Brasil, extraordinário país, que é este ódio, esta violência que está vindo nesta disputa rancorosa que está sendo feita nestes últimos tempos.
E, com certeza, o terceiro turno não acabou ainda, que o PSDB instalou no Brasil, e agora estão indo para a rua defender o golpe.
Esperamos, nós queremos fazer a próxima disputa em 2018, nas urnas, não na rua e no golpe. É importante, reconhecemos, sempre fizemos isso, sempre fomos para a rua, sempre nos mobilizamos, sempre reivindicamos. Dia 20 nós estaremos de volta, na rua, para garantir a democracia neste país.
Só quem sabe o que foi o período da crise política brasileira, de mais de 20 anos, da ditadura militar no país, no período ditatorial. Muitos eu vi ir para a rua com cartazes, pedindo a volta da ditadura. Não sabem, com certeza, o que foi e o que doeu a ditadura para milhares e milhões de brasileiros que foram torturados. Muitas famílias, até hoje, não sabem onde estão os seus entes queridos, inclusive aqui em Santa Catarina.
Então, nós queremos fazer, sim, o debate político, nós queremos, sim, discutir um projeto cada vez mais voltado ao povo brasileiro, ao Brasil, e não fazer um debate interesseiro, com projetos pessoais. Queremos construir, e continuar construindo um projeto de Brasil.
Nós, inclusive, queremos lembrar rapidamente um dado que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, nos últimos dias, estão trazendo, que é um dado, para mim extremamente importante. O que era o Brasil do governo Fernando Henrique e o que é o governo do Partido dos Trabalhadores, do presidente Lula e, agora, da presidente Dilma.
O presidente Fernando Henrique entregou o Brasil mais pobre do que assumiu. Nós tínhamos um PIB de 530, quando ele assumiu, em 94, e nós tínhamos um PIB de 504 quando ele saiu. E hoje o Brasil, e esta é a diferença, tem um PIB de R$ 2.3 trilhões. E mesmo com isso tudo, baixando o Produto Interno Bruto do país, mesmo com a entrega de mais de 100 bilhões das estatais.
Então, me revolta quando vejo uma figura como o ex-presidente, o que ele fez no país quando foi presidente, agora querer vir dar conselho para outros, inclusive pedir a renúncia da presidente Dilma.
Reconhecemos que temos problemas com a crise econômica, temos hoje instalada no Brasil uma crise política, que depende da grandeza dos nossos homens e mulheres públicas do país, inclusive a figura do ex-presidente Lula e do ex-presidente Fernando Henrique, esta crise política do país será mais profunda ou menos profunda.
Então, é um alto risco, na nossa avaliação, forçar uma profunda crise política. Isso, sim, é uma crise mais demorada do que uma crise econômica. Quero registrar, neste momento, toda esta perspectiva que o Brasil construiu nesses últimos anos, elevando 44 milhões de brasileiros para a classe C, tirando 38 milhões de brasileiros da miséria, da pobreza e da fome. Isto tudo nós construímos nestes últimos anos.
Portanto, não podemos aceitar estas provocações, esta lógica do terceiro turno, que hoje vai para as ruas exigir o impeachment ou incentivar o golpe.
E nós, inclusive, queremos trazer novamente um debate, onde estavam os programas, como hoje nós temos o Minha Casa Minha Vida, o crédito para a agricultura familiar, para a micro e pequena empresa, onde estavam?
A questão da Educação, que nós tínhamos 500 mil jovens nas nossas universidades, hoje passamos de 7.300 milhões jovens nas nossas universidades. Além disso, todo o caos de pobreza estava instalado em nosso querido Brasil, onde passavam fome e dificuldade.
Então, é isso que nós queremos trazer para a pauta e dizer que não precisamos hoje de um garoto animador de torcida que vá para as ruas. Nós precisamos é de homens e mulheres que tenham a grande responsabilidade com esse nosso país, ajudando a discutir e construir um projeto. Isso nós queremos debater a qualquer momento. Agora, não no golpe, mas no debate político, no debate das eleições e no debate da melhoria do nosso querido Brasil.
Era isso que eu queria trazer aqui hoje, sr. presidente como reflexão da grande responsabilidade que nós também temos enquanto lideranças, enquanto deputados de olhar par o nosso estado, olhar para o nosso Brasil e trabalhar com muita seriedade, com responsabilidade que o povo catarinense e brasileiro merece.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)