Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Leonel Pavan

22ª Sessão Ordinária - 26/03/2015

O SR. DEPUTADO LEONEL PAVAN - Sr. presidente, quero registrar, primeiramente, o aniversário de Caçador, que ocorreu na quarta-feira. Infelizmente, não pude fazer menção a este município que completou 88 anos, em função de outros compromissos, e acabei deixando passar.

Mas quero apenas deixar registrada a minha homenagem àquela cidade, porque ao longo de minha vida pública tive o prazer, a alegria e o dever de atender a dezenas de municípios de Santa Catarina. Não há um município no estado que não tenha alguma digital nossa referente a alguma obra destinada pelo governo do estado, quando era vice-governador, governador e, em especial, senador da República.

Para Caçador, fui o responsável quase que direta ou indiretamente por algumas obras, como o Portal Turístico de Caçador, o Parque Central, que é uma área destinada ao lazer. Os municípios têm vários parques lindos, enormes, que são de grande utilidade para a comunidade, e o de Caçador, realmente, é um parque que faz a diferença e que foi colocado à disposição daquele município. E eu tive o prazer e a alegria de contribuir para a sua construção.

Nós assinamos alguns convênios com a cidade, entre eles também o acesso ao Aeroporto Regional. Quando fui para a cidade de Caçador, sendo recebido pelo então prefeito Saulo Sperotto e também por alguns empresários, era um dia chuvoso e o acesso estava horrível. E nós determinamos lá mesmo que fosse feita uma licitação e pavimentado o acesso do Aeroporto Regional Costa Neves.

Contribuímos também com a obra do Centro Multiuso da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe. A questão chegou mais ou menos em torno de R$ 4 milhões. Contribuímos, da mesma forma, com a construção do posto de saúde do Centro de Referência de Assistência Social, a pista de arremate do Parque das Araucárias, o Centro de Educação Multidisciplinar, no Caic, no bairro Martello. Enfim, essas foram algumas das obras que tivemos o prazer de contribuir com a cidade de Caçador.

Mesmo que não tenhamos feito as nossas saudações na quarta-feira, quero aqui, tardiamente, saudar o município de Caçador.

(Passa a ler.)

"Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, não há mais dúvidas de que o Brasil está em crise e que ela não é passageira. Como consequência de anos de indecisões obscuras, pelo mais estreito ranço ideológico, a economia nacional entrou em recessão e pode demorar anos para sair dessa desconfortável condição. Esse ranço ideológico poderá criar ainda mais conflitos na questão social e na questão econômica.

Os sinais de que enfrentaremos um período de dificuldades são sólidos e variados, o que generaliza o temor de que o nosso calvário venha a ser mais longo do que previam as primeiras análises. Mas aquilo que realmente assusta a população brasileira é a postura inerte e, por vezes, indiferente, apática do governo que a cada dia que passa cai ainda mais no descrédito. Para eles, é como se nada estivesse acontecendo! Parece que está tudo normal. Mas nós estamos sentindo, a cada dia que passa, os problemas atingindo o emprego, a economia, as indústrias. Mas parece que as coisas não estão sendo vistas desta forma por alguns setores do governo.

Sabemos, sras. deputadas e srs. deputados, que a solução de todo e qualquer problema passa, necessariamente, pelo seu reconhecimento. Temos que reconhecer as dificuldades!

Infelizmente, no caso da economia brasileira, o governo parece decidido a negar o óbvio e a fazer todo tipo de ginástica retórica para não admitir as suas vicissitudes. A julgar por recente declaração da presidente da República, que afirmou que a fase pela qual o Brasil está passando é reflexo da crise internacional de 2008. E essa crise já está superada pela maioria absoluta dos países. Teremos que conviver, nos próximos meses, com ainda mais falácias e menos ações efetivas."

Só para lembrar, como falo no horário destinado ao meu partido político, quero dizer que na época o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a crise internacional não atingiria o Brasil, que ela era uma morolinha, que não existia. E agora, após sete anos, a presidente fala que essa crise é em função da crise internacional de 2008.

(Continua lendo)

"Afinal de contas, um cero descolamento da realidade vem sendo a tônica de um governo que inventou a contabilidade criativa e que se especializou em fazer previsões que nunca se confirmaram. O fato de estarmos entrando em recessão é apenas o cume de uma escalada que começou há bastante tempo, já que o Produto Interno Bruto (PIB) vinha, insistentemente, crescendo de modo tímido e muito aquém das nossas necessidades."

Sr. presidente, temos reuniões seguidas com conselhos políticos, com o Instituto Teotônio Vilella, e essas reuniões sempre acabam provocando algumas outras com o setor produtivo. E dessas reuniões sempre acabam surgindo novos encontros com os trabalhadores, com setores que estão sentido na carne que, infelizmente, o Brasil está indo ladeira abaixo.

Isso é visível, não é um pronunciamento de um deputado do PSDB, que é oposição ao governo federal, não é um pronunciamento de alguém que torce para o quanto pior, melhor. Eu também sou empresário e estou falando, meu amigo deputado Mario Marcondes, sobre a realidade do nosso país.

Santa Catarina não está sentindo tanto ainda porque os próprios números apresentados pelo governo estadual mostram que somos um estado diferenciado dos demais. Santa Catarina consegue ainda sobreviver em função da produção, arrecadação, exportação e quantidade de empresas que produzem para o estado, o Brasil e o mundo, e isso gera uma certa riqueza para o estado.

Está-se vivendo um momento melhor. É claro que temos que reconhecer que houve - e quero enaltecer isso - por parte do governo federal, BNDES e Banco do Brasil, a liberação de uma fortuna enorme para Santa Catarina para que essa crise não fosse tão sentida aqui. Foi aí que ficou a questão de que o governador tinha um certo compromisso com a presidente Dilma Rousseff.

Mas, mesmo com tudo isso, Santa Catarina, começa a sentir a crise na construção civil, na produção do setor calçadista e do setor têxtil. Não podemos tapar o sol com a peneira. Tenho certeza de que os parlamentares do Brasil inteiro que estão do lado do governo federal sentem que isso é real, que não dá, muitas vezes, para usar a tribuna ou ir para a imprensa fazer uma defesa, se está constatado no Brasil e no mundo que a crise pegou em cheio a nossa nação.

E não estamos falando aqui sobre o problema da Petrobras. Essa é outra questão que cabe à Justiça analisar. Estamos falando em gestão!

Fernando Henrique Cardoso iniciou seu governo com uma inflação de 60%, 70%, 80%, 90%. Depois o governo foi para as mãos do Lula, que conseguiu levar o país - e isso tem que ser reconhecido -, criou enormes avanços na área social - e isso tem que ser reconhecido -, avançou! Mas, com avanço, acabou perdendo força porque foi com as pernas que Fernando Henrique Cardoso tinha, mas não conseguiu acompanhar, porque faltaram projetos, competência e gestão. Os passos foram diminuindo e isso recaiu em cheio na atual presidente.

O Brasil subiu, teve um acompanhamento e passou a descer. E agora estamos sofrendo com grandes dificuldades, em função de um governo que disse uma coisa no passado e, infelizmente, está fazendo outra. Isso realmente não é bom para nós, brasileiros.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)