47ª Sessão Ordinária - 31/05/2000
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, ocupo a tribuna para tentar registrar nos Anais desta Casa a dificuldade que este Parlamentar está encontrando para buscar explicação para os fatos que estão acontecendo de forma assustadora neste País, neste últimos tempos.
Abrindo os jornais, dificilmente vamos ver passar um dia na Nação brasileira sem a notícia de que um homem público foi cassado ou que está sendo cassado por atos ilícitos, a exemplo de hoje, nos jornais, a continuidade das discussões em relação à cassação do Prefeito da maior Capital deste País, que foi a questão Celso Pitta.
Também é manchete nacional já há muito tempo a questão da cassação de um importante Senador da Nação brasileira, por envolvimento em atos ilícitos com a questão do vergonhoso prédio do STF.
No momento em que vemos tanta gente jogada à vala da miséria; no momento em que acompanhamos que o desespero, a angústia estão tomando conta da sociedade brasileira; no momento em que vemos que está faltando o pão na mesa de muitos milhares de brasileiros; no momento em que vemos crescer cada vez mais a fila daqueles que não têm uma oportunidade sequer para ter onde buscar a comida para seus filhos, porque não têm sequer o trabalho; no momento em que vemos estourar a onda de greve por toda a Nação brasileira, numa demonstração clara e evidente de que a insatisfação está tomando conta não só da Nação brasileira como também do servidor público; fica difícil arrumarmos uma justificativa para a incapacidade do Poder Público nacional fazer frente aos anseios de uma sociedade que precisa principalmente de justiça social e de respeito.
Esta sociedade precisa de oportunidades e quer muito pouco, quer ter direito a um bom atendimento à saúde, quer oportunidade de o seu filho poder estudar, quer oportunidade de ter onde trabalhar, quer oportunidade de ter o seu cantinho para morar.
Está sendo muito difícil, Srs. Deputados, cada vez mais difícil para nós, homens públicos, mantermos esta situação que aí está e justificar os nossos atos para esta ansiosa, para esta carente e para esta angustiada população. Por muitas vezes já tive a oportunidade de usar essa tribuna e também me questiono sobre tudo isso que está acontecendo.
Eu, Deputado deste importante Parlamento catarinense, que saí de uma pequena comunidade agrícola, de um pequeno mas importante Município de Santa Catarina, que é o nosso Município de Taió, cravado no Alto Vale do Itajaí, o mais velho de uma família de 11 irmãos, filho de um agricultor que ainda continua lá na sua atividade, recém-chegado a este Parlamento, tenho dificuldade de entender por que nós, Legisladores, quando aqui chegamos temos dificuldades de encontrar recursos no Orçamento para investir no social, para investir no ser humano, para investir na qualidade de vida, para investir na justiça com aquele que mais sofre. Temos dificuldade de criar recursos necessários, no Orçamento, para que se faça saúde com mais dignidade, para que se apóie com mais dignidade e com mais afinco a agricultura, para que possamos elaborar recursos que criem de fato desenvolvimento e oportunidade ao ser humano.
Custa-me entender isto. Parece-me que emburrecemos ou ensurdecemos quando aqui chegamos, mas quero assumir este compromisso comigo mesmo: questiono-me a cada dia se não chegou a hora de eu, Parlamentar, de nós, Parlamentares, de cada um de nós, que temos a responsabilidade de estar representando o ser humano, o cidadão, como homem público, mudar a nossa forma de agir e priorizarmos - a partir nem que seja deste momento e desta hora - as questões sociais que estão clamando cada vez mais forte.
Eu aprendi a admirar o nosso Estado de Santa Catarina e sempre imaginei um Estado muito rico, até pela sua potencialidade, pela diversificação das suas culturas; se olharmos o Oeste do nosso Estado, a capacidade de produção de grãos, a capacidade da produção da indústria de carne, tudo isso é referência nacional e mundial.
Se chegarmos ao planalto serrano, veremos a produção principalmente da madeira, da indústria moveleira, da fruticultura também, e aí sobressaímos nacional e internacionalmente, porque competimos com muitos dos produtos ali fabricados.
Indo até o nosso querido Vale do Itajaí, temos como referência as maiores indústrias têxteis da Nação brasileira. Vamos ao Norte e ao Sul. E chegando ao Sul, veremos a indústria cerâmica e a indústria da extração de minérios, que têm um potencial extraordinário. Vamos ao Norte do Estado, onde temos as nossas indústrias, o nosso parque industrial mecânico extraordinário, que também é referência nacional e mundial.
Contudo, de repente, vemos este povo trabalhador, cinco milhões de valentes catarinenses, não conseguir arrecadar o suficiente para que a sociedade receba por parte dos Governos constituídos, seja ele municipal ou estadual, aquilo que é necessário para, pelo menos, melhorar a sua qualidade de vida, para que se sinta mais justiçado e seguro como cidadão catarinense.
Portanto, essa é uma grande preocupação que temos. Custa-nos a entender que essa riqueza toda acabou de uma forma ou de outra, no decorrer dos anos, concentrando-se na mão de uns poucos, privilegiando uns poucos em detrimento da grande maioria.
Neste momento vemos os professores novamente em greve, depois de 500 anos desta Nação brasileira, quando recém-comemoramos os 500 anos de um País que ainda não entendeu que o arquiteto do ser humano é o professor, aquele que tem a missão de preparar o cidadão para a vida. Depois do pai e da mãe, penso que nada é mais importante na vida do cidadão do que o professor.
Quinhentos anos após, festejando os 500 anos desta Nação, ainda não conseguimos a maturidade suficiente para entender que deveríamos valorizar esta classe, que ainda continua sendo o cavalo de batalha das greves que acontecem neste País.
Eu penso que é difícil cobrar hoje do nosso Governador de Santa Catarina uma postura muito diferente daquela que ele está tendo, porque o momento da economia de Santa Catarina e o momento da nossa administração pública é um momento muito delicado. Mas sem sombra nenhuma de dúvida, ao passar este momento mais crítico da administração pública, serei um daqueles que vai fazer coro, serei um daqueles que vai aumentar as fileiras em busca de solução para a valorização do servidor público, especialmente do professor catarinense.
Agora, neste momento, eu não posso deixar de ser leal com o nosso Governo, de acordo com a situação econômica que ele está administrando, dentro da estrutura do Estado de Santa Catarina. Mas sem dúvida nenhuma não vai terminar ele, não com o meu aval, os seus quatro anos de governo sem antes resolver a questão definitiva da valorização do servidor, especialmente do professor em Santa Catarina.
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)