2ª Sessão Ordinária - 22/02/1999
O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Sr. Presidente, Sr. Deputados, Sra. Deputada, funcionários desta Casa Legislativa, profissionais da imprensa, senhores e senhoras presentes neste Plenário.
Sr. Presidente, pela primeira vez usando o microfone desta Casa gostaria de dizer do orgulho que sinto em estar aqui, de representar o Partido dos Trabalhadores, principalmente na condição de Líder do meu Partido, no qual temos o trabalho do companheiro Pedro Uczai como último Líder do Partido no ano passado, do companheiro Neodi Saretta, ex-Presidente desta Casa - agora o Companheiro Deputado Pedro Uczai está como o segundo Vice-Presidente -, da companheira Deputada Ideli Salvatti e do companheiro Volnei Morastoni.
Gostaria de dizer aos colegas Deputados do orgulho que é para mim, filho de agricultor, que aos oito anos de idade vendia picolé para ajudar no sustento de minha família, hoje estar nesta Casa. Aos quatorze anos parei de estudar para trabalhar como cobrador de ônibus, para ajudar minha família a sobreviver. Só retornei ao estudos, fazendo supletivo, depois dos vinte anos de idade, chegando na faculdade, onde conheci o Partido dos Trabalhadores quando cursava Economia na Univille, em Joinville.
Hoje estou aqui. É um orgulho para mim e gostaria de dizer que orgulho maior é representar o povo do nosso Estado com o meu mandato nesta Casa, o qual me foi conferido por mais de vinte mil eleitores neste Estado. Então, é com grande satisfação que pela primeira vez estou ocupando esta tribuna.
Gostaria de dizer aos colegas que cada um de nós tem a responsabilidade e o desafio maior de fazer com que esta Casa de Leis tenha sua independência, para podermos dar ao nosso Estado aquilo que consideramos justo e digno para o nosso povo.
Então, gostaria de fazer estas considerações iniciais aos Deputados para que possamos ter uma convivência harmoniosa, sempre partindo do ponto de vista de conversar, negociar, discutir para decidirmos juntos o que é melhor para o Estado de Santa Catarina e para a sua população, que produz a riqueza deste Estado.
Fui Vereador em Joinville durante dois anos, assim como os Colegas Nilson Gonçalves, João Rosa e Jaime Duarte, que está como Secretário de Estado. Passei pela Câmara e apresentei a Joinville vários projetos de lei. E um desses projetos hoje é lei no Município de Joinville - e como Deputado gostaria de ver o Estado de Santa Catarina ter nos seus Municípios uma lei idêntica -, que foi a criação dos conselhos locais de saúde no Município de Joinville, fazendo do Município o primeiro Município do Estado a ter uma lei que regulamenta os conselhos locais de saúde, com a participação popular, das associações de moradores, das igrejas, de toda a população organizada dos bairros de Joinville.
Como Deputado, se for possível, quero levar a todos os Municípios do nosso Estado essa discussão no sentido de fazer com que os Prefeitos Municipais e os nossos Vereadores apresentem um projeto de lei dessa envergadura, tornando possível a descentralização das ações da saúde em cada Município do Estado.
Para finalizar, Sr. Presidente e Srs. Deputados, durante a minha campanha em Joinville - porque fiz uma campanha muito restrita no Município, até porque são 250 mil eleitores em Joinville, tanto é que foram cinco da cidade que foram eleitos, o Deputado Adelor Vieira e os demais que já mencionei - utilizamos um poema que tinha muito a ver com a minha vida simples de ser, e com certeza com a vida de muitos dos Deputados.
Eu gostaria, nos minutos que me faltam, de colocar aos colegas Deputados este poema. Não sou poeta, não sou músico, embora tenhamos aqui em nosso meio alguns cantores. Não faço isso, mas gostaria de dedicar este poema a todos os colegas Deputados, aos profissionais que nesta Casa trabalham, à imprensa, aos funcionários efetivos, enfim, a quem se identificar com este poema.
O Sr. Deputado Neodi Saretta - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Pois não!
O Sr. Deputado Neodi Saretta - Deputado Francisco de Assis, eu gostaria de fazer um aparte, mas o tempo é curto. Vou me deter a ouvir o seu poema. Mas não poderíamos deixar de registrar a nossa satisfação de tê-lo não só estreando no Parlamento catarinense pela nossa Bancada como também já de pronto assumindo a Liderança da nossa Bancada.
Eu faço este aparte para reafirmar a minha certeza de que V.Exa. será um Líder exemplar aqui nesta Casa. Temos a certeza de que estamos muito bem conduzidos com a sua Liderança.
Parabéns por V.Exa. estar assumindo o mandato e pelo seu primeiro pronunciamento. E vou ficar aqui, também, agora ansioso para ouvir este poema.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Muito obrigado, Companheiro!
Queremos dizer que achamos que vai ser possível concluir o poema dentro do espaço. Se não for possível, eu gostaria que me fossem acrescentados alguns segundos para que eu conclua o pensamento deste poema.
O poema chama-se Capim Teimoso. E vocês vão observar por que tem a ver com a nossa vida. Diz mais ou menos assim:
"No meio da corredeira, por detrás da cachoeira, não sei como foi nascer um valente capinzinho, que, apesar de ser fraquinho, lutava para vencer.
Aquele capim mimoso, que eu batizei por teimoso, parecia com fé lutar. Na corredeira arcadinho, lutava e conseguia levantar.
Mal o pobre se empinava, seguidinha se curvava, numa luta contra a sorte, como que para mostrar que a teimosia em lutar transforma o fraquinho em forte."
Que lição interessante me ensinou naquele instante aquele capim mimoso: a vida é uma corredeira, e a gente, queira ou não queira, tem que ser capim teimoso. Para os Srs.!
Muito obrigado!
(Palmas)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)