79ª Sessão Ordinária - 15/09/2009
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, telespectadores da TVAL, público que nos acompanha nesta sessão, nesses próximos dez minutos tenho um grande desafio que é o de falar sobre a cidade onde nasci, o município de Imbuia, no alto vale do Itajaí.
Desde 2007, presidente Jorginho Mello, tento fazer isso. Até consegui pensar no que falar, mas sempre tive dificuldade para encontrar os termos certos para expressar aquilo que sinto pela cidade em que nasci.
Quinta-feira, dia 10 de setembro, estive o dia inteiro em Imbuia participando dos eventos alusivos ao 47º aniversário da cidade. E sempre fico aqui pensando se aquelas pessoas que nasceram na cidade de São Paulo, na capital, Florianópolis, em São José ou em Blumenau possuem o mesmo sentimento que tenho em relação à minha cidade natal. Desconfio que sim, embora nunca veja as pessoas falando muito a respeito disso.
Guardo um sentimento muito profundo da minha cidade Imbuia, um sentimento de pertencer, de fazer parte, de ter a forma de pensar e o jeito de dizer as coisas; os verbos empregados em Imbuia são mais diretos, os nossos termos são sempre os mais usuais e as nossas certezas sempre profundas.
Ter nascido em Imbuia, na comunidade de Vista Alegre, antigo Araçá, para nós é motivo de orgulho. Depois de ter morado também na estrada geral do Garrafão, nas Águas Cristalinas, que é um ramal da vila que vai para Samambaia, em direção a Leoberto Leal, e na estrada geral do Campestre também, já próximo do centro, e por ter vivido lá até os 19 anos, sinto-me fazendo parte intrinsecamente da cidade de Imbuia. Assim como as ervas dos pastos, assim como as árvores de Imbuia remanescentes, assim como os barros das roças, muitas roças da cidade de Imbuia.
Imbuia é um grande platô na escarpa da serra, como um recreio retirado da linha geral, onde há 200 anos os comerciantes do litoral subiam a serra que trazia os serranos tropeiros para o litoral. Imbuia ficou ali retirada, um platô, um divisor de águas entre os rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim.
Imbuia é um lugar que foi habitado pela primeira vez pelo homem branco, perto da década de 30, no século passado. Há pouco tempo, portanto. Chegaram primeiro os alemães, subindo o vale. Depois chegaram algumas famílias residentes aqui no litoral, de Palhoça, de Armazém, que atravessaram a serra e foram localizar-se em Imbuía e lá permaneceram. Também os serranos que desceram a serra e atravessaram o alto vale do Itajaí estacionaram e ficaram no platô de Imbuia.
Da mesma serra catarinense de onde vem o vento minuano, vieram também as pessoas que desmataram. Os madeireiros levaram as madeiras de Imbuia num tempo em que desmatar era sinônimo de progresso, um tempo muito diferente do nosso. Há 70, 50, 40 ou talvez 30 anos derrubar a mata, fazer a coivara, arrastar à força de burro, de bois puxados na corrente, na canha, as imensas toras de Imbuia era sinônimo de progresso. Hoje, os conceitos mudaram. A necessidade criou a mudança nas mentes e no comportamento, e até nas leis. Mas nós, embora não tão velhos assim, chegamos a fazer parte desse processo; chegamos a conviver com o processo de construção daquela cidade.
Imbuia, portanto, é um lugar por onde não se passa. Imbuia é um lugar para onde se vai, porque ficou ali um retiro, um platô, afastado da linha geral que conduzia os demais movimentos. Por isso foi colonizada tão tardiamente.
O 47° aniversário de Imbuia foi comemorado com uma festa que durou 13 dias. Começou no dia 1° de setembro e terminou no último domingo, dia 13. Quem nasceu em Imbuia, quem viveu por lá até a mocidade não consegue, mesmo que queira, esquecer, porque é para lá que se dirigem todos os pensamentos nas horas mais tristes, nas horas de dor e também nas horas mais alegres. Até porque lá foram sepultados nossos antepassados, incluindo o meu pai, Santos Frederico Soares, a minha irmã, Roseli, agora em 2007, vítima de leucemia, e tantos outros parentes. É lá que residem minha mãe, dona Tina, dois irmãos e uma irmã. Na hora derradeira, por certo, os pensamentos nos conduzirão até Imbuia. E esperamos, é claro, que não seja só na hora derradeira que possamos ter a oportunidade de conviver mais com aquela gente que é a mesma gente que nós somos, independentemente das posições político-partidárias, ideológicas e programáticas.
No dia em que Imbuia completou 47 anos, dia 10 de setembro, estávamos todos lá reunidos. E nessa mesma data foi comemorado o terceiro aniversário da Rádio Imbuia FM, que sintoniza na 87.5. Isso também é um espanto: Imbuia tem uma rádio. Há 20 e poucos anos, deputado Dagomar Carneiro, nós ouvíamos as rádios de São Paulo. Depois, muito depois, alguma de Florianópolis, e depois ainda chegaram algumas de Rio do Sul. Agora Imbuia tem uma rádio.
A tecnologia e o desenvolvimento das forças produtivas e da tecnologia têm feito de Imbuia uma cidade, embora um retiro, um platô afastado das linhas gerais do caminho dos povos, uma cidade moderna, uma cidade que coloca toda a tecnologia ao dispor da sua população.
Estivemos na Rádio Imbuia FM conversando com ex-prefeitos, com o atual prefeito, com secretários municipais, com o presidente da Câmara de Vereadores, com o vice-prefeito, com o diretor da SDR de Ituporanga, com os atuais diretores da rádio e com os diretores passados.
A programação continuou, e na cidade de Imbuia, na noite do dia 10, foi realizada uma festa com mais de duas mil pessoas. Para uma cidade que tem menos de seis mil habitantes, um terço da sua população estava na festa elegendo a rainha e as princesas da próxima Festa do Milho Verde. Já estão todos convidados para a festa que será realizada nos dias 12, 13 e 14 do mês de março do ano que vem.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)