74ª Sessão Ordinária - 07/10/2008
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sra. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, demais pessoas que nos acompanham nesta sessão, servidores públicos em geral e servidores deste Poder Legislativo, no próximo pronunciamento, ainda hoje, vamos falar sobre a realidade, os anseios e as próximas lutas dos servidores da Segurança Pública de Santa Catarina, especialmente sobre as próximas lutas e anseios dos praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
Quero aproveitar este tempo para falar um pouco sobre o processo eleitoral encerrado no último domingo. Foi um processo em que o PDT elegeu apenas duas prefeituras. Elegeu o prefeito de Correia Pinto e, deputada Odete de Jesus, a prefeita da cidade de Seara, no oeste catarinense. Pelo PDT foram eleitos 12 vice-prefeitos e 72 vereadores. E esse número, embora não seja maior do que o número da eleição anterior, é mais significativo porque na outra eleição foram mais de 70 vereadores - eu nem estava no PDT, não tinha filiação partidária -, mas sobraram apenas dez. Agora, os 72 provavelmente continuarão.
Entre os praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram eleitos 14 vereadores e um vice-prefeito. O vice-prefeito foi na cidade de Guaraciaba, pelo PT, Partido dos Trabalhadores. Os 14 vereadores são de diversos partidos, e o mais próximo, inclusive geograficamente, é o soldado Leonel, da cidade de Palhoça.
Queremos aqui parabenizar todos os eleitos pelo sucesso no processo eleitoral, e parabenizar também os não-eleitos. Talvez seja muito importante registrar esse enaltecimento dos não-eleitos, porque foram justamente eles que garantiram a vitória dos que foram eleitos, principalmente na eleição ou exclusivamente na questão da eleição proporcional, na eleição de vereadores. Se não fossem todos os não-eleitos, não teríamos os eleitos. O processo proporcional tem essas características. Logo, todos que participaram do processo eleitoral merecem os nossos parabéns.
Foi a primeira eleição que eu, na condição de deputado estadual ou na condição de político, vou dizer dessa forma, acompanhei mais de perto, especialmente em algumas cidades. Deputada Professora Odete de Jesus, fiquei estarrecido desde o começo, desde o mês de julho, com muitas coisas que vi nessa eleição, com a forma como as pessoas encararam o processo eleitoral, especialmente nos últimos dias que precederam a votação do dia 5 de outubro, quando prevaleceu, é evidente que existem exceções, o poder econômico, a pressão das superestruturas, a troca de favores, a coerção.
Quanto ao debate de idéias, às convicções políticas, não sei se nos outros processos eleitorais havia, mas nesse eu não vi, não consegui encontrar os debates de idéias, a disputa de convicções políticas.
É uma situação bastante confusa, uma mistura ideológica. Não é a supressão da ideologia, é a inexistência de um projeto claramente popular, voltado para buscar entender e dar soluções para os principais problemas da maioria do nosso povo. Esse debate não esteve no processo eleitoral, porque prevaleceu a troca de favores, prevaleceu o poder econômico. E dessa forma o processo eleitoral como está organizado no Brasil deixou-me ainda mais convencido de que não vai contribuir para mudar a realidade da maioria do nosso povo, que participa em um dia de uma gincana, quase um torneio de futebol, e fica os outros quatro anos correndo atrás do prejuízo.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)