4ª Sessão Ordinária - 10/02/2010
O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, pensei muito se subiria à tribuna na tarde de hoje para falar a respeito de um assunto que foi matéria do jornal Diário Catarinense no dia de hoje, que diz o seguinte: "PF indicia deputado Cherem".
Quero dizer a todos os deputados presentes na Casa e aos telespectadores da TVAL que respeito esta Casa Legislativa, respeito os meus pares e, acima de tudo, respeito os meus eleitores. É por essa razão que me manifesto na tarde de hoje, claro que chateado e, não tenham dúvida, um pouco constrangido. Quem é que gosta de ver o seu nome associado a uma matéria jornalística, principalmente de um jornal tão importante como Diário Catarinense?
Mas também quero deixar bem claro aos srs. deputados e aos telespectadores da TVAL que em momento algum estou envergonhado, muito pelo contrário, estou sereno, tranqüilo, porque não cometi crime nenhum. Todos nós que disputamos eleições sabemos o que nós passamos num processo eleitoral.
Fui, sim, deputado Serafim Venzon, líder do PSDB, convidado, como candidato, a ir à casa de uma eleitora, que só trabalharia para mim se tivesse a minha presença na sua casa. Lá estive, cansado, final de campanha, já estressado, como todo candidato fica no final. E fiz, sim, uma oferta de trabalho, como fiz para 521 pessoas que trabalharam na minha campanha. Todas as pessoas pagas, registradas no TRE, inclusive com o INSS pago. Não duvidem que candidato pague INSS de funcionário que trabalhe em campanha. Fiz, sim, uma proposta de trabalho como todo candidato faz para aquela pessoa que levanta uma bandeira, que organiza um comitê, que organiza uma reunião.
Por isso, deputado Moacir Sopelsa, em momento algum sinto vergonha porque fui lá levar uma proposta de emprego. Agora lamento profundamente, porque dei a entrevista como se fosse apenas uma informação, porque foi algo que ocorreu em outubro do ano passado. O indiciamento pela Polícia Federal ocorreu em outubro do ano passado.
Isso me cheira a mofo, a coisa requentada. Lamento profundamente. Eu devia ser alertado que estava sendo uma entrevista e não apenas informações. Mas tudo bem, isso faz parte da vida pública e isso faz com que tenhamos o nosso couro um pouco mais duro. Quem sabe a próxima chicotada não doa tanto.
Mas quero deixar bem claro aos srs. deputados que devo um esclarecimento, sim, tenho que ser investigado. Isso tem que ser investigado, porque sou um homem público. Se existem dúvidas sobre a minha conduta ética e moral, eu tenho que prestar esclarecimentos à sociedade, tenho que ser investigado pela polícia. Se o Ministério Público entender por bem que tem que investigar, também faço questão de ser investigado, para que não pairem dúvidas sobre a lisura do meu mandato como deputado ou como candidato a prefeito que fui em Balneário Camboriú.
Mas eu espero também que as mesmas pessoas que me denunciaram olhem o inquérito policial para ver o que diz. Essa pessoa que me denunciou está lá e diz que foi instruída pela coligação adversária, pelo candidato nosso adversário. Ela foi instruída e está lá no inquérito falando sobre isso. Por que essas pessoas que falam sobre essa denúncia não vão olhar o inquérito para saber de que maneira fui filmado dentro daquela casa por um técnico de televisão, adversário nosso, em Balneário Camboriú.
Tudo isso está nos autos.
E hoje, deputado Silvio Dreveck, essa mesma pessoa que fez toda essa armação, trabalha como ACT na prefeitura de Balneário Camboriú. Esse foi o presente dessa pessoa. Nunca trabalhou para mim e depois daquele fatídico dia 21 de setembro de 2008, eu nunca mais a vi pela frente, não sei nem mais quem é e se passar por mim na rua não sei quem é.
Para minha surpresa, presidente Moacir Sopelsa, no dia 8 de fevereiro, segunda-feira, aportou nos jornais do estado a seguinte matéria: "Mais um tucano indiciado pela PF!" Meu Deus, o que é isso? Deputado Serafim Venzon, no PSDB só tem ladrão, corrupto? É essa percepção que querem dar ao povo catarinense! Eu não cometi crime algum, mas já fui condenado. Esse denuncismo tem que acabar! Quando formos falar de alguém temos que ter um pouco de dignidade. Meu Deus, contratar uma pessoa para trabalhar numa campanha e ser indiciado pela Polícia Federal como criminoso! O que é isso, meu Deus do céu!
A minha indignação, a minha revolta é porque quantos dos srs. e das sras. que foram candidatos muitas vezes pararam numa casa para tomar um cafezinho, para pedir um voto e quantos pais disseram: "Deputado, o meu filho está desempregado, arruma um empreguinho para ele na campanha"! Mas se alguém estiver filmando é crime eleitoral! Eu não ofereci benefícios, não falei em compra de voto, não falei nada! Então, tudo isso me causa perplexidade. O que está acontecendo meu Deus do céu?!
Eu queria estar hoje aqui falando de coisas boas, fazendo um trabalho positivo para a sociedade. Mas não! Mas também é importante que se faça esse esclarecimento! E ao sair de casa, hoje, disse à minha esposa: "Não te envergonhes, eu tenho certeza de que o que faço é por aquilo que acredito, pela democracia, pelo bem dos homens".
Estava preocupado, sim, quando enfrentei a gripe H1N1. Fiquei preocupado que pudessem morrer pais, filhos, mães. Fiquei preocupado, sim, srs. deputados, quando da greve da Saúde, porque alguém poderia morrer numa emergência de hospital. Isso me preocupou.
Hoje isso me chateia? Claro que chateia! Quem é que gosta de ver a sua foto no jornal, indiciado pela Polícia Federal como criminoso? Mas quero deixar aos srs. deputados a seguinte mensagem de Raul Seixas: "A vitória não está perdida, pois é de batalhas que se vive a vida!" E eu vou batalhar sempre, porque ninguém vai-me tirar aquilo que acredito, que é fazer do nosso mandato um instrumento de transformação social em prol da nossa população.
O Sr. Deputado Jorginho Mello - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Pois não!
O Sr. Deputado Jorginho Mello - Deputado Dado Cherem, quero cumprimentá-lo e dizer que tenho muito orgulho em ser seu parceiro no PSDB. A sua biografia, como homem público, como secretário da Saúde, fala por si. Tenho o maior respeito por v.exa. e na nossa bancada temos comentado toda semana da necessidade que temos cada vez mais, neste momento de turbulência por que passa a política de Santa Catarina e quando nós, do PSDB, estamos na berlinda, de estarmos juntos para não deixarmos que coisas como essa venham a abalar a nossa credibilidade. V.Exa. é um homem que tem credibilidade, a sua biografia orgulha o PSDB e esta Casa.
O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Muito obrigado, deputado!
O Sr. Deputado José Natal - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Pois não!
O Sr. Deputado José Natal - Deputado, quando li a nota no jornal esta manhã comentei com o meu motorista que a cada dia que passa está mais difícil ser um homem público. Porque a pessoa pratica milhares de boas ações, e na maioria elas não têm repercussão, mas quando alguém levanta uma suspeita a respeito de um homem público neste país, toda a imprensa usa do jeito que quer. E disse ainda ao meu motorista: "Na minha concepção, o deputado Dado Cherem não ganhou a eleição em Balneário Camboriú porque com aquele jeito de songamonga faltou um discurso veemente"! Songamonga, no sentido de que v.exa. é uma pessoa pacata e jamais, pelo pouco tempo que o conheço, faria uma proposta dessas.
Há pessoas mal intencionadas plantão, sim! E a imprensa quer, realmente, ver sangue, quer ver sangrar os políticos brasileiros. Eu também acredito que v.exa. jamais cometeu um ato contra a democracia.
O Sr. Deputado Serafim Venzon - V.Exa. me permite um aparte?
O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Pois não!
O Sr. Deputado Serafim Venzon - Deputado, quero cumprimentar v.exa. pelo brilhante discurso que faz aqui, pelos esclarecimentos que traz.
Quero dizer que a sua vida, a sua história, como vice-prefeito, secretário municipal da Saúde, secretário estadual da Saúde, enfim, toda a sua carreira, toda a sua história política confunde-se com os homens do PSDB. Vemos essa matéria que cita inúmeros personagens do PSDB, querendo desfazer o conjunto. Podemos dizer que o Brasil hoje vai bem graças à coragem do PSDB, que desde 1992, quando governou este país, encaminhou inúmeras propostas e alterações que transformaram o Brasil. E hoje o Brasil é um país que pode orgulhar-se, pelo menos, em grande parte do mundo, graças a essas atitudes. Então, nós podemos orgulhar-nos dos homens que estão a nossa volta, assim como me orgulho de v.exa.
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Pois não!
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Deputado, alguns podem até estranhar a minha vinda a este microfone, porque como um dos líderes da Oposição nesta Casa em várias oportunidades vim aqui para questionar, inclusive, ações da pasta que v.exa. comandou, cumprindo meu papel funcional e meu dever.
Mas v.exa. nunca ouviu, leu ou assistiu a nenhum questionamento quanto a sua conduta de homem público probo, correto, e esse é o conceito que tenho de v.exa. Trago a minha solidariedade, neste momento, porque há oito anos eu, exatamente nesta época, passei por situação idêntica e sei o quanto sofri. Sei o quanto me sequelaram aqueles momentos nos quais não conseguia me explicar, porque a notícia lançada é como um saco de penas ao vento.
Então, torço para que v.exa. tenha no menor espaço de tempo possível a decisão judicial para que possa ser apresentada, porque agora v.exa. é que tem que correr atrás, infelizmente. Receba, pois, a minha solidariedade e o meu respeito.
O SR. DEPUTADO DADO CHEREM - Agradeço as palavras de v.exa...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)